gabrielperalta217

gabrielperalta217

n. 1997 BR BR

Ás vezes escrevo um pouco

n. 1997-07-15, Canoas

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Sobre a pouca vida que tive

a pouca vida que se vive
permito que a lua ilumine
tragédia de infinitas cores
algumas linhas já define

a pouca vida que pude viver
nela estive pouco tempo
o passado surge hoje
me roubando o momento

á pouca vida que chamei vida
não sei se posso assim dizer
as poucas pessoas que ficaram
ficaram sem me ensinar a viver

há pouca vida restante
repousa no vazio da mente
parte procuro discernir
parte está no presente

a pouca vida que está por vir
como um dia todos se vive
algum dia estive na vida?
duvido que em algum deles estive

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Poemas

4

Não lamento

é uma preocupação
uma ansiedade desmedida
algo que direcionei contra mim mesmo

não acho que deveria ser assim
mas o ser humano é muito bom 
em construir a própria tumba

nessas terças não presumo
não ambiciono nem busco um final
não quero seguir um rumo

durante as manhãs os pássaros cantam
e os lençóis balançam com o vento
o que forem para ser, que sejam

"me quetionam sobre essa sombra
que em meu olhar se esconde
me perguntam sobre a alegria
escondi e não lembro onde"

não ouso procurar
sei que deveria haver
algo de precioso por aqui

somente ouço os pássaros
e balanço com os lencóis
nesses ventos de outono

os gatos me olham e me acusam
por ser humano, demasiado humano
sinto não sei o que e choro não sei por quem

mesmo assim não consigo lamentar
por esses pássaros e pelos lencóis
e nem pelo vento que me balança

só consigo dizer o que sinto 
olhando por uma janela
só consigo escrever 
porque não consigo viver

por favor me tirem daqui a esperança
devolvam agora essas felicidades
me deixem com o abismo sem fim
e com os gatos que me julgam

nada é mais real do que isso
nem eu e nem nada disso
não lamento por essas palavras
e nem pelo meu café amargo

lamento por essas almas
essas pobres almas
que lutam todos os dias

por algo que elas sabem
sabem sim
elas sabem que não é real

82

Longo caminho

é um longo caminho
por entre as dobras do destino
é um longo caminho
creio que seguirei sozinho

é um longo caminho que me apresenta
temo que afirmem a terrível sentença
é um longo caminho esse que sigo
caminho esse ás vezes parece um castigo

longo caminho devo seguir
não sei exatamente onde ir
por vezes me abalo e fico descrente
mas sei que o caminho segue em frente

sinto a paisagem se elevar
observo ela me deixar
com o vento me deixarei levar

82

Mudanças

Altere, mova e organize
É preciso coisas novas de tempos em tempos
Mas coisas velhas precisam sair enquanto isso

Organize, empurre e puxe
Alguns vãos aqui e ali não fazem mal
O mal é não ter um único espaço vazio

Se não há nada a acrescentar, crie!
Encha os espaços com coisas que são somente suas
Nossas obras são com muita frequência
Algo que queremos dizer para nós mesmos
Mas ainda não descobrimos como

Mas como saber o que quero dizer?
Escreva.
Não há uma única palavra leviana
Se ela vem de onde importa

Desenhe.
Cada traço, seja linha reta ou uma curva
Segue os contornos de sua própria identidade

Pense.
E a cada faísca de uma nova ideia
Surge uma nova obra

28

Eu carregava o violão

naquela época
tudo parecia mais simples
uma simplicidade frágil

eu carregava o violão
com alguns amigos no parque
e tocava somente as músicas
que conhecia

o ar era limpo
eu gostava de respirar
bem fundo daquele ar

um gole de vinho
e mais uma música
eu até tocava bem

eu carregava o violão
como parte de mim
tocava os acordes
com o vinho ainda descendo

época que nunca mais vai voltar
eu me lembro que eu carregava o violão
tocava as canções
que todos conheciam

ainda me lembro do roçar das cordas
e da vibração das notas
lembro como tudo era mais simples
e que eu não ligava pra nada daquilo

ainda me lembro dessa época
era uma época boa
pois sempre pensava que depois tudo ficaria bem
não pode ser tão ruim quanto
carregar o violão com o vinho de mão em mão
e tocar somente as músicas que eu conheço

eu não sabia
o quanto eu estava errado

72

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