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Cinco sentidos à minha volta. Gente, Natureza e Versos à solta

n. 1955-10-04

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NOVOS ESCRAVOS


Estes seres que de humanos se orgulham

Passam pelo mundo sem sequer pensar

Que outros semelhantes vão escravizar

No consumo em que os mergulham

 

Se escravos somos de olhos vendados

Com vida miserável de consumistas

Estamos pacificamente paralisados,

Parecemos alienados e comodistas.

 

Mas se de repente a nobre mente,

De milhões que somos no consumo viciados,

Pensar que mudar é muito urgente

 

Teremos então esses vilões erradicados

Os nossos hábitos radicalmente alterados

Ficaremos felizes com um novo ambiente.
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Poemas

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CORPOS FUNDIDOS



Com os corpos estremecidos no chão

As mentes fundem-se em infinita paixão.

Nos olhos olhamos uma luz verdadeira

E nos vemos como chamas de fogueira.

Pelos lábios trocamos líquidos ardentes

Os olhos fechamos e viramos videntes.

Com as mãos macias os corpos tocamos

Ao ouvido dizemos que nos amamos.

E no meio de tamanha confusão

Somos dois seres em perfeita comunhão.

É então que os corpos se libertam

E em festa duradoura se penetram.

E depois de orgasmos compulsivos

Parecemos mortos, mas estamos vivos.

 

 
17 fevereiro 2021

Garcia Mateus
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OS 5 SENTIDOS



De olhos bem abertos

Perco a visão do interior que me inquieta

Do vício que me afeta e do medo de ser poeta.

Mas de olhos fechados

Encerro-me dentro de mim

E verei as cores dos defeitos sem fim.

 

De ouvidos à escuta

Não ouço o vento que bate na minha mente

Nem o grito que dei quando fui gente.

Mas de ouvidos tapados

Irei com atenção ouvir

As incertezas do futuro que há de vir.

 

E com eles bem despertos

O cheiro e o sabor voam à distância,

Para longe, para os lugares da infância.

Mas se por algum motivo os não sentir

Meterei a boca e o nariz

No caldeirão de tudo o que não fiz.

 

Com o tato vou palpar

As formas desta vida deformada

Mas com este sentido afetado

Apalparei o vazio em forma de nada.
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