Giovani Miguez é natural de Volta Redonda, RJ. Vive atualmente na capital fluminense. É Gestor Público, com ênfase em Políticas Públicas, especialista em Sociologia, mestre e doutorando em Ciência da Informação. Autor de 7 livros, entre eles Na escuridão da travessia, poesia, Selin Trovoar, 2020.
Dizem-me que sou existencialista, poeta áspero, mas não entendem que sou puro desespero, um alienista de mim mesmo, uma síntese do eu que ainda não existe como si mesmo. Deixem-me.
Giovani Miguez é natural de Volta Redonda, RJ. Vive atualmente na capital fluminense onde é servidor público, casado Carolina e pai de dois meninos: Benjamin e Leonardo. É Gestor Público, com ênfase em Políticas Públicas, especialista em Sociologia, mestre e doutorando em Ciência da Informação. Autor de Quase Histórias (2019), Animal Poético (2020), Da Ilha da Poesia em co-autoria com Ricardo Garcia (2020), Um Poema por Dia (2020), Nem te conto (2021) entre outros.
Dizem-me que sou existencialista, poeta áspero, mas não entendem que sou puro desespero, um alienista de mim mesmo, uma síntese do eu que ainda não existe como si mesmo. Deixem-me.
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SOU PORQUE DUVIDO
por Giovani Miguez
Sou porque duvido e sendo esse ser que pensa, apesar de toda fragilidade epistêmica, deixo suspensa minha dúvida, minha intencionalidade, essa minha vontade sistêmica.
Se duvidar com consistência garante minha existência, sou. Busco encontrar lá dentro esse ser que sou e que é epicentro do meu existir.
Mas é no aqui e agora, nesse mundo que vejo aqui fora que consigo me definir; porque só sou em relação ao que também não sou.
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OFERENDA
por Giovani Miguez
Domingo sem chuva, sem sol, não inspira nenhuma maranduva.
Na praia, nenhuma onda.
No alto mar, uma baleia solitária faz sua ronda.
Um pescador, lá longe, lança sua rede.
Para o escriba que na praia tem sede, basta aquela cena para oferecer a Maia sua pena.
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O COELHO
por Giovani Miguez
Um coelho peralta salta.
O velho vigia da porta sua horta.
O velho matuto ruge.
O coelho incauto foge.
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BALANÇO
por Giovani Miguez
No balanço da rede descanso, meu banzo. No movimento, faço um acalento. Remanso... Sossego meu inquieto ego.
Espero...
Mas, o desespero é apego que na alma adere, fere, desassossega, escorrega, a calma perde.
172
NO SOPRO DO MISTRAL
por Giovani Miguez
Olho pelo vitral da janela as cores que nela são como flores beijadas pelo mistral.
A velha catedral agoniza ao sopro da brisa fria que mal alcança o altar colossal.
Na nave magistral uma pomba voa e, voando, cheia de muita pompa, dança.
Eu, com alguma esperança, estou orando, contemplando do banco o pássaro branco
que voa!
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DESERTO
por Giovani Miguez
Na areia escaldante, um pequeno roedor passeia buscando abrigo. Olho ao redor, delirante... Nada que almejo vejo, além de ilusão, da solidão...
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RAPINAGEM
por Giovani Miguez
A ave de rapina sobrevoa. O rebanho na colina tomba. Dia a dia, alma a alma, em profunda agonia a imunda pandemia nos tomba e a ave genocida zomba.
183
MELRO
por Giovani Miguez
Meu primo tinha um melro velho, preto, mudo.
Não cantava. Nunca cantou.
Na gaiola, o velho pássaro definhava. Mas, ninguém notava o melro, preto.
171
QUANDO PASSAR
por Giovani Miguez
Quando a pandemia passar, o que sobrará?
Questiono-me diariamente se eu sobreviver a pandemia? Será que conseguirei sobreviver a essa dolorosa melancolia causada pela agonia de ver nosso povo ser aniquilado de novo?
Memórias das dores dos que perderam seus amores, dos que deixaram de viver e passaram a sobreviver a tantas agruras, a depender de favores, a sofrer tantos horrores, a padecer na rua da amargura?