giovanimiguez

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n. 1978 BR BR

Giovani Miguez é natural de Volta Redonda, RJ. Vive atualmente na capital fluminense. É Gestor Público, com ênfase em Políticas Públicas, especialista em Sociologia, mestre e doutorando em Ciência da Informação. Autor de 7 livros, entre eles Na escuridão da travessia, poesia, Selin Trovoar, 2020.

n. 1978-11-02, Volta Redonda

Perfil
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DESESPERO

a Søren Kierkegaard

Dizem-me
que sou existencialista,
poeta áspero,
mas não entendem que sou
puro desespero,
um alienista
de mim mesmo, 
uma síntese do eu
que ainda não existe
como si mesmo.
Deixem-me.

;-)
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Biografia
Giovani Miguez é natural de Volta Redonda, RJ. Vive atualmente na capital fluminense onde é servidor público, casado Carolina e pai de dois meninos: Benjamin e Leonardo. É Gestor Público, com ênfase em Políticas Públicas, especialista em Sociologia, mestre e doutorando em Ciência da Informação. Autor de Quase Histórias (2019), Animal Poético (2020), Da Ilha da Poesia em co-autoria com Ricardo Garcia (2020), Um Poema por Dia (2020), Nem te conto (2021) entre outros.

Poemas

7

RAPINAGEM

por Giovani Miguez

A ave de rapina
sobrevoa.
O rebanho na colina
tomba.
Dia a dia,
alma a alma,
em profunda
agonia
a imunda
pandemia
nos tomba
e a ave genocida
zomba.
183

DESERTO

por Giovani Miguez

Na areia
escaldante,
um pequeno roedor
passeia
buscando abrigo.
Olho ao redor,
delirante...
Nada que almejo
vejo,
além de ilusão,
da solidão...
167

QUANDO PASSAR

por Giovani Miguez

Quando a pandemia passar,
o que sobrará?

Questiono-me diariamente
se eu sobreviver a pandemia?
Será que conseguirei
sobreviver a essa dolorosa
melancolia
causada pela agonia
de ver nosso povo
ser aniquilado
de novo?

Memórias das dores
dos que perderam seus amores,
dos que deixaram de viver
e passaram a sobreviver
a tantas agruras,
a depender de favores,
a sofrer tantos horrores,
a padecer na rua
da amargura?

O que sobrará?
66

O COELHO

por Giovani Miguez

Um coelho
peralta
salta.

O velho
vigia da porta
sua horta.

O velho
matuto
ruge.

O coelho
incauto
foge.
191

MELRO

por Giovani Miguez

Meu primo
tinha um melro
velho,
preto,
mudo.

Não cantava.
Nunca cantou.

Na gaiola,
o velho pássaro
definhava.
Mas, ninguém notava
o melro, preto.
171

BALANÇO

por Giovani Miguez

No balanço
da rede descanso,
meu banzo.
No movimento,
faço um acalento.
Remanso...
Sossego
meu inquieto
ego.

Espero...

Mas, o desespero
é apego
que na alma
adere,
fere,
desassossega,
escorrega,
a calma
perde.
172

NO SOPRO DO MISTRAL


por Giovani Miguez

Olho pelo vitral
da janela
as cores que nela
são como flores beijadas
pelo mistral.

A velha catedral
agoniza
ao sopro da brisa
fria que mal alcança
o altar colossal.

Na nave magistral
uma pomba
voa e, voando,
cheia de muita pompa,
dança.

Eu, com alguma esperança,
estou orando,
contemplando do banco
o pássaro branco

que voa!
188

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