GIRLEIDE TORRES LEMOS

GIRLEIDE TORRES LEMOS

n. 1986 -- --

Sou uma menina do sítio com muitas marcas, sonhos e vivo intensamente.

n. 1986-11-13

Perfil
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Cuidado com o ideal romantizado do chegar lá: reflexões da menina do sítio

É interessante olhar para nossa trajetória e ir identificando algumas construções tecidas ao longo da vida. Hoje me peguei novamente ouvindo um trecho da fala de Conceição Evaristo: Há… Se você estudar trabalhar você consegue, você chega lá”... Mais ou menos isso que ela traz para chamar a atenção sobre o discurso da meritocracia. E hoje me vi buscando reproduzir esse discurso na busca sufocante de justificativa para dar conta de tantas coisas.

 

Tenho muita gratidão por todas as minhas conquistas e realizações, até parece que cheguei lá... Mas será que eu quero esse lá? É meio que parece um ideal de realidade. Falando desse ideal me parece que não consideramos as diferentes contradições que envolvem a conquista do chegar lá. E fica cada vez mais difícil sustentar que o LÁ não é de todo uma maravilha, que lá existem várias contradições e imposições que sufocam. E desse sufocamento chamo a atenção para as inúmeras versões que projetamos na vida, do meu lugar de fala destaco as versões do: eu mulher negra, mãe, companheira e professora universitária... Enfim tantas versões... Chega até respirei fundo.

 

Eu falei de imposições que sufocam, então, o verbo sufocar seguindo seu significado enquanto verbo intransitivo é: respirar com extrema dificuldade. E é isso que sinto quando  me vejo projetando minhas versões e observando os movimentos que elas fazem cotidianamente. Versões essas que se implicam e se impõe uma em detrimento da outra. Nesses movimentos muitas vezes vem a sensação de sufocamento, respirando com extrema dificuldade, sobrevivendo. E é nessa condição de dificuldade que trago os perigos do ideal romantizado do chegar lá.

 

Perigos, sim. Porque quando a gente coloca a lente do chegar lá, assim entendendo ser essa ideia de realidade ideal, ignoramos o enquadramento que nos submetemos. Visto que muitas vezes aceitamos discursos opressores tais como o discurso sexista. Quantas vezes já ouvi as pessoas me falarem: "Há você está sofrendo porque quis tudo ao mesmo tempo, como pode querer ser mãe e fazer um doutorado ao mesmo tempo? Vixe como essa fala doeu e mesmo depois de tantos anos continua doendo. Dá até ânsia de vômito. E um aperto no peito. Então essa é só uma das inúmeras imposições que somos submetidas no enquadramento do chegar lá. Poderia trazer muitas outras falas que ouvi e acredito que você que está lendo esse texto também teria e tem relatos de já ter sido vítima do discurso sexista. O fato é que se faz necessário refletirmos sobre o que é chegar lá? Precisamos parar de nos enquadrar em certos ideais de realidade que só servem para manter uma lógica opressora de convivência... Nossa, chega suspirei de alívio falando disso. 

 

Por agora, trouxe algumas reflexões e fica aqui meu convite para refletirmos sobre o chegar lá.
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Poemas

16

As vezes são como suspiros

As vezes são como suspiros

Assim como o doce suspiro são as palavras amigas e acolhedoras. Elas derretem na alma acalmando e encorajando.
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Nem te vi

Nem te vi.
Queria ter te visto. 
Saber que eu e você estávamos no mesmo espaço.
Te olhar nos olhos e sentir que minha alma clareou em meio aquela escuridão de dúvidas.
Saber que você sentiu o mesmo.
Ficou tudo no desejo, nem te vi.
232

Você me acolheu

Você me acolheu.
Me ofereceu sua escuta, sua casa, um copo com água gelada e uvas.
Fiquei meio sem entender como cheguei até lá.
Parecia que uma força me atraia até sua casa.
Não estava bem, queria muito um lugar seguro para chorar.
E você não hesitou em dizer que poderia ir ao seu encontro.
Você me acolheu.
E isso era tudo que queria.

Menina do sítio.
252

Estou com medo

Estou com medo

Medo de estar com câncer.
Medo de não saber o que fazer.
Medo da vulnerabilidade que é incontrolável. 
Medo de ser rejeitada.
Medo de não agradar.
Medo de não saber ser sem estar querendo agradar.
Medo que não tenha mais tantos anos de vida.
Medo de errar, mesmo sabendo que tenho errado bastante.
Medo de ser julgada.
Medo de ser quem sou, uma mulher confusa, indecisa e controladora.
Medo que as pessoa não vejam que também sou uma pessoa determinada, amorosa e acolhedora.
Medo, estou com medo.
211

Lavando com lágrimas

Lavando com lágrimas 


Porque no final, você sempre vai ser a pertubada que vai ficar chorando lavando os pratos.

E suas lágrimas irão completar a água da torneira que escorre e tira a sujeira.

Mas há uma diferença é que quando lavamos os pratos a sujeira sai, mas quando a gente chora, as vezes, a sujeira continuo.

Menina do sítio
211

Queria um amante

Eu queria uma amante, sim um amante...
Aquela pessoa que só no olhar desvenda meus desejos sexuais mais íntimos.
Que mesmo ao me tocar, num simples toque nas mãos te excita, só com o calor das mãos.
Faz tempo que não sinto mais isso... não sei como é mais...
Será que não sentirei mais isso?
As vezes busco situações que me levassem a sentir esse calor.
Vou com tanta vontade que me comporto igual uma pessoa que está com sede de água ao longo do dia.
E que ao se deparar com o copo d'gua, bebe tão rápido que termina se engasgando.
E ao invés do alívio, por estar matando a sede, o que sente é a culpa por ter bebido tão rápido.
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