Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Sequenciada onda... É onda atrás de onda, não é onda de surfar, não é onda de calar.
Sistêmica onda... É onda pra se isolar, não é onda solar, não é onda pra nadar.
Indefinida onda... Poucos se dão conta de sua gravidade. Preferem a leviandade.
Insana onda... Aos alienados afronta, com a fria realidade e agride sem piedade.
Convicta onda... Não acreditam no real, nem no impacto social, apenas naquele que zomba.
Crédula onda... Creem em Ilusória ruptura. Mas não há magia pronta. Só a ciência cura.
165
Insubmisso arcano
“La mano de Dios” se levanta e a todos encanta. Cria um ídolo para a nação, mas deixa todos em comoção.
Mito eternizado em celestiais gramados, carrega consigo um passado oprimido.
Vivendo queda e superação, não se rende à opressão. Apoiado em sua lucidez, clama ao mundo pelos sem vez.
A miséria humana bem conhece e, por isso, com a dor do outro padece. Com sua imagem mostra a realidade em maratona pela humanidade
“Adios” insubmisso arcano.
168
Esconderijo
A pequena porta desbotada, na fachada do sobrado decadente, em uma cidade extenuada esconde tesouro eminente.
Suas prateleiras empoeiradas guardam inestimável memória, em livros e brochuras emboloradas, ornados com intensa glória.
Como pérolas perseguidas, não há um bom livro que me escape ou um grande autor que eu resista.
Sendo frequentador costumaz, no sebo de livros me satisfaço. No sebo de usados me sinto em paz.
392
Sem rumo
Eu, só, solidão, perdido na multidão, que caminha sem rumo, sem destino, que anda, a procura da fé...
Eu, só, solidão, sinto a brisa soprando, vejo a rosa chorando, a vida correndo, sofrendo a agonia do tempo...
Eu, só, solidão, vejo a noite, ela desce soturna e confirma a solidão, a angústia da escuridão...
Eu sofri, corri, fugi da multidão, abandonei a confusão, gritei, berrei, perdi a razão, acordei...
Eu, agora, sem hora, sinto-me só, perdido, sentido, sem destino, sem tino, sem rumo, eu sumo...
347
Seu cheiro de tangerina (Miniconto)
Meu nome é João, um jovem brasileiro, que foi pesquisar a cultura do norte da África, um amante de civilizações antigas. Entre uma civilização e outra, apaixone-me por Isis. Uma linda colega de curso de história na Universidade que frequentava.
Ela, sem que eu soubesse, era filha do líder religioso local. Certo dia, voltando do curso, o pai da garota encontrou-nos, juntos, abraçados.
Não falando a língua portuguesa, começou discutir em espanhol, língua que dominava devido à ligação com a península Ibérica, através de Gibraltar no Mediterrâneo, e, transtornado, repetia sem parar: “Mira con los ojos no con las manos” ou “Olha com os seus olhos, não com as suas mãos”.
Sem a intensão de ser irônico, mas correndo algum risco, respondi: “En la verdad no. El contemplar completo involucra todos los sentidos. Visión, sentido de escucha, olfato, tacto y el sentido del gusto.” Ou seja, “Na verdade, não. A contemplação plena envolve todos os sentidos. Visão, audição, olfato, tato e paladar”.
Só, mais tarde, percebi o quanto minha petulância e insensatez o incomodou. O pai de Isis, não se conformando com a situação, retirou-a da Universidade e proibiu-a de ter qualquer relação comigo.
Confirmando a minha opinião, sobre aqueles cuja profissão de fé é castrar o sentimento dos outros e em nome de uma santa moralidade impõem burcas sobre a humanidade, crendo preservar a castidade.
Apesar de toda a pressão, nos encontramos na casa de um amigo, que aceitou ser nosso álibi. Cada momento compartilhado era intenso e nada mais importava.
“Bastava a candura do seu olhar para expor o contato já denunciado no aroma de tão doce menina, a impactar e envolver meu olfato com seu cheiro de tangerina.”
Os encontros clandestinos continuaram até o meu retorno ao Brasil, com o fim dos estudos. Continuamos em contato, por algum tempo, mas a distância e a vida foram esvanecendo desejos “muy calientes” e os nossos caminhos seguiram seus rumos.
Hoje, já não tão jovem, quando recordo esse tempo, lembro-me com saudade do “aroma de tão doce menina, com seu cheiro de tangerina”.
375
Sufocando a cor
Segrega-se, humilha-se... mata-se! A odiosidade impele a humanidade, joga-a, sem qualquer dúvida, no fim da fila das iniquidades.
Não é um pensamento individual. É uma mácula estrutural, manchando o cerne da sociedade, rompendo o frágil tecido social.
Sangrando, imolando... sufocando a voz da comunidade. Que, oprimida, revolta-se e grita, Rebela-se e briga.
Mas, não basta o clamor legítimo das “ruas”, não basta o calor intenso das chamas. Deve-se atingir o âmago das almas, corroídas pelo ódio do preconceito...
Resgatando, então, a humanidade perdida na fila do descaso e da arbitrariedade, germes dessa eloquente barbárie. Agora rechaçada pela “rua” ensandecida!
373
É Arte
Arte é liberdade...
A Arte com a sua subjetividade completa a humanidade, recupera nosso inconformismo e liberta a tão ilibada racionalidade.
Arte é solidariedade...
Uma nação resiliente não desiste de seus artistas, não humilha, nem ofende, aqueles que são tão altruístas.
Arte é caridade...
Doam suas “calientes” almas, em intensa dramaticidade calma, dissimulando exuberante emoção que extrapola qualquer razão.
Arte é criatividade...
Objetos, cores, sons, palavras e luzes. Quadros, esculturas, palcos e partituras. Obras sobre diversos dramas e matizes. A Arte é a vanguarda das loucuras.
Arte é toda arte...
387
Embuste pra todo lado
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
Vive-se em crise com a verdade. São tantos farsantes falando em catarse, criando ruídos, ofuscando a sociedade. Impostores atordoando a serenidade.
Entrou-se em colisão com a sanidade de modo a absorver o fim da sinceridade, mas nem os plácidos, ainda, suportam essa perpétua falta de razão.
Os lhanos perderam espaço para os argutos de plantão, que vendem pontes, aos incautos, quem sabe até Plutão.
Oferecem estereótipos pálidos a uma imensidão de tolos cálidos que os consomem crédulos, sem qualquer dúvida, nada céticos...
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
351
Quadrilha: Uma releitura de Drummond (Miniconto)
Três amigos adolescentes, tão unidos que pareciam uma “quadrilha”, embora possuíssem comportamentos bem diferentes, todos tentaram namorar Lili, uma colega de colégio.
João com um temperamento sanguíneo, era otimista e impulsivo. Comunicativo queria estudar cinema em Hollywood nos Estados Unidos. Mas tamanha impulsividade, superficialidade e exagero assustaram Lili que não aceitou namorá-lo. Hoje João mora na Califórnia e leciona teatro numa High School no condado de Santa Bárbara.
Raimundo era intenso, colérico, explosivo e impulsivo. Além de muito impaciente. Após pressionar Lili por uma decisão, recebendo resposta negativa, ficou tão transtornado que sofreu um acidente de carro e faleceu.
Joaquim, dos três era o mais sensível, tímido, curtia música e pintura. Mas sendo introvertido, tipicamente melancólico, tinha dificuldade em expor seus sentimentos à Lili. Dos três era aquele que Lili mais gostava. Mas não amava. Frustrado, não resistiu à decepção. Foi encontrado, sem vida, em seu quarto. Morto por overdose. Até hoje fala-se em suicídio.
Nessa mesma época um aluno transferido é incorporado à turma. Fernandes, sem dúvida, fleumático, paciente e disciplinado. Seu equilíbrio e confiança atraíram Lili, que por ele se apaixonou. Namoraram e se casaram logo após à formatura. Portanto, como no poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, Lili se casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
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Orchidaceae
Natureza em forma de quadro, modelos suaves como num retrato. Imagem que se fez torpor. Pura mensagem de amor.
Tamanha fragilidade revela tua vida efêmera, quando floresces, sutilmente, com extrema delicadeza.
Perfume não emanas, mas com tuas cores encantas o desatento apaixonado, que por tua beleza é fisgado.
Tua flor é beijo capturado, eternamente preservado, em cromáticas pétalas solares que se consomem em infindáveis olhares.
Até os embriagados pelo clamor urbano, atordoados pelo profano, perdem a eternidade em um segundo entorpecidos pelo teu etéreo mundo...