Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
A pequena porta desbotada, na fachada do sobrado decadente, em uma cidade extenuada esconde tesouro eminente.
Suas prateleiras empoeiradas guardam inestimável memória, em livros e brochuras emboloradas, ornados com intensa glória.
Como pérolas perseguidas, não há um bom livro que me escape ou um grande autor que eu resista.
Sendo frequentador costumaz, no sebo de livros me satisfaço. No sebo de usados me sinto em paz.
392
Alma parnasiana
Vos direi que sou parnasiano. Ora direis, perdeste o senso! Então, vos direi, no entanto, que deves conter vosso espanto.
Se, à noite, com estrelas converso, não há dúvidas sobre meu verso. Meu estilo preservo, com objetividade, mas não dispenso sensibilidades.
Direis agora: mas isto é Parnasianismo? Então, vos direi: tenho alma parnasiana, mas minha crítica é cotidiana.
Vos direi mais: prezo a construção formal e o preciosismo vernacular tradicional. No entanto, cultuo, de fato, a crítica social.
Tributo à Olavo Bilac, inspirado no poema “Ora (direis) ouvir estrelas!” da coleção de sonetos intitulada” Via Láctea”.
474
Sufocando a cor
Segrega-se, humilha-se... mata-se! A odiosidade impele a humanidade, joga-a, sem qualquer dúvida, no fim da fila das iniquidades.
Não é um pensamento individual. É uma mácula estrutural, manchando o cerne da sociedade, rompendo o frágil tecido social.
Sangrando, imolando... sufocando a voz da comunidade. Que, oprimida, revolta-se e grita, Rebela-se e briga.
Mas, não basta o clamor legítimo das “ruas”, não basta o calor intenso das chamas. Deve-se atingir o âmago das almas, corroídas pelo ódio do preconceito...
Resgatando, então, a humanidade perdida na fila do descaso e da arbitrariedade, germes dessa eloquente barbárie. Agora rechaçada pela “rua” ensandecida!
373
Embuste pra todo lado
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
Vive-se em crise com a verdade. São tantos farsantes falando em catarse, criando ruídos, ofuscando a sociedade. Impostores atordoando a serenidade.
Entrou-se em colisão com a sanidade de modo a absorver o fim da sinceridade, mas nem os plácidos, ainda, suportam essa perpétua falta de razão.
Os lhanos perderam espaço para os argutos de plantão, que vendem pontes, aos incautos, quem sabe até Plutão.
Oferecem estereótipos pálidos a uma imensidão de tolos cálidos que os consomem crédulos, sem qualquer dúvida, nada céticos...
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
351
É Arte
Arte é liberdade...
A Arte com a sua subjetividade completa a humanidade, recupera nosso inconformismo e liberta a tão ilibada racionalidade.
Arte é solidariedade...
Uma nação resiliente não desiste de seus artistas, não humilha, nem ofende, aqueles que são tão altruístas.
Arte é caridade...
Doam suas “calientes” almas, em intensa dramaticidade calma, dissimulando exuberante emoção que extrapola qualquer razão.
Arte é criatividade...
Objetos, cores, sons, palavras e luzes. Quadros, esculturas, palcos e partituras. Obras sobre diversos dramas e matizes. A Arte é a vanguarda das loucuras.
Arte é toda arte...
387
Em tempo
Correndo, fugindo, rompendo pela vida, sem rumo, fingindo, moldando faces, sorrisos, nos lábios selados, pelo mundo, vedados, pela eternidade, corrompidos, reprimidos.
Faces marcadas, pelas chagas do preconceito, pelo ódio do falso perfeito, rostos perdidos, em ira consumidos, esquecidos pela verdade, sofrendo na cidade, consumidos por ela, engolidos por sua goela.
Esqueço tudo, procuro a calma do nada, na pureza que contemplo. Para, sem tempo, lavar minha alma!
Em tempo...
364
Urbanização nua e crua
Cidade nua... Cidade crua... Muralha de pedra, tijolo, concreto, rua, casa, edifício... Vida difícil!
Poluição, população, urbanização?! Tudo, todos se confundem, num mar de fuligem e ferrugem!
Enfim, chega ao fim. Desce a noite, a cidade dorme, sonha, pensa no amanhã...
Pobre cidade nua... Pobre cidade crua...
A voracidade da especulação imobiliária, descaracterizando as cidades, deixando-as nuas, expostas, mutiladas sob uma “pseudo urbanização” define o crescimento desordenado, sem o acompanhamento da infraestrutura urbana, o que estrangula as vias e entrava a vida de seus habitantes. Essas cidades só parecem descansar na madrugada. Nesse momento as obras pausam, mas, ávidas por recomeçarem na nova manhã, apressadas em construir essa muralha de edificações, chamada de cidade.
391
Teu modo de amar
Teu olhar me seduz a mergulhar em tua íris, fruindo em teu oceano enquanto te amo.
Eu, ser amante, me encontro envolto em teu instante, mas atordoado me perco em teu universo errante.
Esse amor, inconsequente, envolve coração e mente em brumas vespertinas a ofuscar nossas retinas.
Nessa entrega completa o amor sem limites não admite convites nem para andar de bicicleta.
Mas a impressão de te perder é tão imprecisa e errática quanto a chance de te conter, pois, no amor, és pragmática.
És harpia livre a voar. És sereia a encantar. Escolhes teu céu, teu mar e teu modo de amar...
268
Noite conspira (Poetrix)
O sol já não brilha, a noite conspira, mas fui ao cinema!