Helio Valim

Helio Valim

n. 1959 BR BR

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.

n. 1959-10-03, Rio de Janeiro

Perfil
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Esconderijo


A pequena porta desbotada,
na fachada do sobrado decadente,
em uma cidade extenuada
esconde tesouro eminente.

Suas prateleiras empoeiradas
guardam inestimável memória,
em livros e brochuras emboloradas,
ornados com intensa glória.

Como pérolas perseguidas,
não há um bom livro que me escape
ou um grande autor que eu resista.

Sendo frequentador costumaz,
no sebo de livros me satisfaço.
No sebo de usados me sinto em paz.
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Biografia
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.

Poemas

93

Isolamento

Socialmente distanciados,
amargurados pela solidão,
que nos aflige e não dá perdão.

Mas, nem assim calados.
Impulsionados pelo momento,
que de tão doente
não nos permite um instante de alento,
apenas o dramático isolamento.

Mas, o que fazer?

Talvez gritar,
Talvez sonhar.
O importante é protestar,
“Batendo panela”,
acreditando no renascimento
do mundo pós-isolamento.
219

Sem disparo

O poder cítrico
da charge crítica,
está no desenho forte,
como lâmina de corte.

É arma letal,
sem porte, sem disparo,
apenas, fatal
para o risível sem preparo.

Incômoda para o autocrata.
Implacável com o déspota,
expõe sua face caricata,
com traços de pena refinada.

Tentam velar tua exposição,
por pura incompreensão.
Pois, a verdade quando exposta,
jamais será deposta!
213

Tic-tac, tic-tac...

Lá se vai mais um segundo,
com sessenta, mais um minuto
com sessenta, mais uma hora,
logo, em pouco tempo, 
mais uma vida vai embora.

Toca o vaidoso Big Bem,
que em contínua vigília, 
vai a todos acordando,
e ao mundo relembrando 
a enfadonha monotonia.

Toca o relógio da donzela,
que apesar de tão bela, 
esguia tal qual uma gazela, 
impaciente, espera o amor
que um dia já foi dela.

Toca o relógio do velho senhor, 
sentado na varanda do destino 
recorda seus dias de criança, 
deixando escapar a lembrança 
que garante a sua esperança.

Mas nem assim o tempo para,
mesmo que todos o esqueçam,
em cada tic ou tac 
mais um segundo é roubado
da vida de um desavisado.

Tic-tac, tic-tac...
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