Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Pessoas sufocadas, sem ar para respirar, arfam ansiosas por graças que as façam lutar.
Morbidamente seguem insanos mentores, que as conduzem ao imo de seus temores.
O que sobra de oportunismo a esses menestréis do cinismo falta em sentimento para ouvir seus choros e lamentos.
Iludidos, ímpios da verdade, já não conseguem perceber a mais dura realidade e vivem apenas para crer.
Creem na imortalidade, cultuam mandingas e placebos. Enquanto asfixiam em inverdades veneram salvadores nocebos.
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Cortesã rejeitada
Celeste encantada, tão vibrante. Em versos, declamada. És a divina amante.
Dos enamorados és intensidade. Dos poetas a imortalidade.
És inspiração para os delirantes e para os incautos confidentes.
Dedicada cortesã. Não cansa de cortejar tua dama pagã em eterno bailar.
Segredos resguardas, Cumplice dessa amada que ainda desejas. Apesar de tão rejeitada.
Te vestes de brilho, para iluminar lhe as noites, buscando alguma atenção, que console tua paixão.
Mas essa conturbada relação, eivada de preconceito, torna cada mostra de sedução um novo, eterno, tormento.
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Seu cheiro de tangerina (Miniconto)
Meu nome é João, um jovem brasileiro, que foi pesquisar a cultura do norte da África, um amante de civilizações antigas. Entre uma civilização e outra, apaixone-me por Isis. Uma linda colega de curso de história na Universidade que frequentava.
Ela, sem que eu soubesse, era filha do líder religioso local. Certo dia, voltando do curso, o pai da garota encontrou-nos, juntos, abraçados.
Não falando a língua portuguesa, começou discutir em espanhol, língua que dominava devido à ligação com a península Ibérica, através de Gibraltar no Mediterrâneo, e, transtornado, repetia sem parar: “Mira con los ojos no con las manos” ou “Olha com os seus olhos, não com as suas mãos”.
Sem a intensão de ser irônico, mas correndo algum risco, respondi: “En la verdad no. El contemplar completo involucra todos los sentidos. Visión, sentido de escucha, olfato, tacto y el sentido del gusto.” Ou seja, “Na verdade, não. A contemplação plena envolve todos os sentidos. Visão, audição, olfato, tato e paladar”.
Só, mais tarde, percebi o quanto minha petulância e insensatez o incomodou. O pai de Isis, não se conformando com a situação, retirou-a da Universidade e proibiu-a de ter qualquer relação comigo.
Confirmando a minha opinião, sobre aqueles cuja profissão de fé é castrar o sentimento dos outros e em nome de uma santa moralidade impõem burcas sobre a humanidade, crendo preservar a castidade.
Apesar de toda a pressão, nos encontramos na casa de um amigo, que aceitou ser nosso álibi. Cada momento compartilhado era intenso e nada mais importava.
“Bastava a candura do seu olhar para expor o contato já denunciado no aroma de tão doce menina, a impactar e envolver meu olfato com seu cheiro de tangerina.”
Os encontros clandestinos continuaram até o meu retorno ao Brasil, com o fim dos estudos. Continuamos em contato, por algum tempo, mas a distância e a vida foram esvanecendo desejos “muy calientes” e os nossos caminhos seguiram seus rumos.
Hoje, já não tão jovem, quando recordo esse tempo, lembro-me com saudade do “aroma de tão doce menina, com seu cheiro de tangerina”.
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Sem rumo
Eu, só, solidão, perdido na multidão, que caminha sem rumo, sem destino, que anda, a procura da fé...
Eu, só, solidão, sinto a brisa soprando, vejo a rosa chorando, a vida correndo, sofrendo a agonia do tempo...
Eu, só, solidão, vejo a noite, ela desce soturna e confirma a solidão, a angústia da escuridão...
Eu sofri, corri, fugi da multidão, abandonei a confusão, gritei, berrei, perdi a razão, acordei...
Eu, agora, sem hora, sinto-me só, perdido, sentido, sem destino, sem tino, sem rumo, eu sumo...
347
Niilismo na separação
Amante lhe cativa, implora pela sua volta, mas você, niilista, não liga, não acredita ou se importa.
Sentimentos reprimidos explodem e, em vão, redimem esse acúmulo de sofrimentos, continuamente constrangidos.
Sorrateiros, corrompidos agridem carentes corações que se expõem para serem feridos por dolorosas desilusões.
Sem despertar a ira dos preteridos, choram em desespero, os mais arredios, inconformados com tal condição. Pois, não aceitam tão rude separação.
330
João um eterno retirante
O sol queimava a fronte de João, que embevecido pelo tristonho lamento, a ladainha sofrida da típica rabeca, dormia o sono dos séculos em seu berço de pano, a rede dos tempos...
Enquanto dormia, timidamente sorria, ocultando atrás da boca sem dentes, o seu pobre sorriso ausente; típico de um eterno retirante. Um João de “barriga vazia”, um João decente, mais um João que sofria...
Sonhando seu sonho de vida, rezava ao “Padim Ciço” tentando saldar sua dívida, cobrando dos céus alguma dádiva, sem conseguir aliviar as suas dúvidas, dúvidas de um João sem dentes, um “João-ninguém”, um João descrente...
Tristemente saudando a pobreza, seguindo sua via-crúcis, vendo seu Cristo crucificado em cada estação, cada dia, cada quilometro sofrido na vida de um pobre João, carga de um “pirata”, o novo pau de arara...
330
Porta-retratos
Observo fotos em profusão. Percebo momentos congelados, mas nem sempre preservados, tais quais pequenas gotas de emoção.
Testemunhos de lembranças, guardadas no limbo das reminiscências, que afloram em nossa consciência como imateriais heranças.
Na sala, no quarto, em destaque, expondo cenas de família e amigos, merecendo aplausos da melhor claque pelos instantes intensamente vividos.
Partes de um confuso quebra-cabeça, onde cada peça guarda a sua riqueza, mimetizada em imagens e cores de inesquecíveis alegrias e amores.
Edito o longo filme de uma vida. Monto, a partir de dispersos fotogramas, um universo de histórias comovidas, que me rementem a romances e dramas.
362
Selenita
Toda vez que me vejo onde o desejo é mais forte que o real sinto-me sideral...
Percebo, bem de perto, no céu aberto, a eterna nave celestial! Lua, que nos circunda, tal qual.
Vago perdido em devaneios, na busca de sentidos, embriagado, por demais, para expressar o meu encantamento pelo luar.
Esqueço o chão que piso, com franco sorriso contemplo a ilusão, então, improviso...
Declamo um poema, clamando por órbita que contorne meu dilema e, finalmente, me torne fiel selenita.
356
Pedra de Sísifo
Rolar pedra morro acima, é tão desalentada sina, quanto observá-la descer é mal demais para padecer.
O ser humano passa a existência em busca de sua essência, mas em um mundo desconexo, torna-se apenas perplexo.
Assediado por entidades envolventes, como as religiões e ideologias, paga seus pecados mais contundentes com revolta sem precedentes.
Como Sísifo, por ter enganado Hades, foi castigado por Hermes a empurrar uma pedra morro acima e tornar a buscá-la, numa eterna rotina.
Seu castigo é observar, com eterno pesar, que apesar de toda a revolta, nada muda, e a rotina sempre volta.
359
Encontro
Busco a todo momento, liberdade que só encontro, debruçada no horizonte, entre delicados filamentos...
Nuvens metafóricas, inebriadas de retórica, que falam aos meus sonhos, sobre meu Eu, meus sentimentos...
Construo um píer para o limiar... Resoluto, das nuvens, me aproximo, com meu coração brandindo, certo de meu Eu encontrar...
Então, me elevo ao firmamento, contemplando o rubro entardecer refletir nos meus pensamentos, e fico sereno por meu Eu... amadurecer...