Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
No choro reprimido pelas agonias vividas, carrego o lamento contido das famílias sofridas.
Descaso desmedido transborda em letargia no choro reprimido pelas agonias vividas.
No sonho esquecido por corroída alegria deste tempo corrompido guardo toda a melancolia no choro reprimido.
261
Ler o mundo
Aquele que não lê o mundo perde-se em soberba ilusão, não entende o que lhe cerca, abandona o senso e a razão.
Leigo, perdido, sem noção não percebe as dúvidas que afligem seu coração, pois, são dívidas de emoção.
Sem apoio da imaginação, sem trégua para superação, sofre com sua vil realidade, que lhe fere sem compaixão!
A realística leitura do real pode derrubá-lo do pedestal, o que lhe impõe uma virada para entender tal jornada.
Ler e interpretar a realidade atento à correção dos fatos, garante a visão da verdade sem traumas ou impactos.
277
Madrugada insone
Desperto em plena madrugada, olho pela janela, contemplo a rua que se desnuda sob um negro véu, enquanto o silêncio a envolve.
Exponho-me à brisa presente, de extenuada noite de verão, tal qual expiração corrente do imenso e quente borrão.
Agora, que a imposição da hora impacta meu insone pesar, deixo meu pensamento vagar e rendo-me ao momento sem lutar.
Relaxo, contemplo o emergir de um alvorecer fulgente. Reflito, sobre o desejo de fugir e fixo-me ao real que me prende.
A rotina acorda e me desconecta desta madrugada cabotina e, assim, o jovem dia a sabatina sobre a realidade que me intima.
317
Sentimentos em flamas
Desânimo sorrateiro, muitas vezes, bate à porta. Escamoteado pela retórica nos atinge certeiro.
Sintomas de abatimento tornam-se brasas rubras onde ardem sentimentos em flamas de desalento.
Fogueira da ansiedade queima a nossa sanidade no braseiro da realidade.
No rescaldo das cinzas apura-se a certeza de viver e a opção de se reerguer.
264
Emoções no rolimã
Carrinhos de rolimã! Singelamente construídos com tábuas, restos de obra, rolamentos automotivos e sonho executado com afã.
Carrinhos de rolimã! Surfam nas ondas do asfalto em manobras no concreto, velozes no tubo mais alto, na garantia do freio de chinelo.
Carrinhos de rolimã! Em imprevisíveis manobras radicais vivenciam urbanas experiências, rolando velozes, descendo ladeiras, na cidade, pegando ondas maneiras.
Carrinhos de rolimã! Livres, correndo pelo prazer, deslizam com imensa emoção, sem disputa ou competição, apenas o simples sobreviver.
Carrinhos de rolimã! Na brincadeira da infância a incansável felicidade, talvez Juvenil inconsequência, que se perde com a maturidade.
272
Adoção
Encontro de almas em conciliação, ajuste divino de pura sensação. Coração aberto para a ocupação, sem consentimento ou autorização.
Chega devagar, como suave brisa, marcando presença, inundando a vida, conquistando espaços de afagos nos corações mais calejados.
Vivendo grande esperança, abraça a dádiva da vida com temperança, na certeza do generoso envolvimento, percebido nos gentis movimentos.
Vidas entrelaçadas, em doação de sentimentos de grande paixão. Transcendendo dúvida e hesitação na trama tecida em profunda emoção.
278
O sabor do ponto final
Provo, porque as palavras fluem. Como doce néctar escorrem, em suculentas gotas de advérbios, mas engasgo-me com impropérios que amargam o meu degustar.
Provo, porque as palavras fluem. Coquetéis de frases inteiras consumo até a derradeira, embriago-me de tal maneira que me perco entre saideiras.
Provo, porque as palavras fluem. Sorvo, até os textos que contesto, pois, palavras são drinques, suaves ou não, que aprecio, os quais não canso de deleitar.
Provo, porque as palavras fluem. Líquidas, pela garganta vertem, algumas resistem outras divertem. No fim, todos provam, afinal, nada como o sabor do ponto final.
286
Jornada
Densa mata intensa, incontáveis seres habitam-na, sensíveis aos desígnios divinos.
Convictos e invictos certos de seus destinos, entre raios e trovões, seguem com suas opções.
Mata que concebe, percebe e persevera, impõe marcha severa aos súditos que gera.
Corrompe, mas, cura na jornada que endura os passos do caminhar, por trilhas, ainda, a trilhar.
Trilhando entre rios, atravessam a mata sem rumo, apenas brios, seguem a caminhada.
Avançando obstinados, superam a travessia e aguardam extenuados, o término de vital primazia.
297
Irracional
Perco-me em minha loucura, totalmente envolvido com emoções e desatinos, Sem controle, não sei se opino no rumo que quero tomar. Deixo-me levar sem destino, pois, só a loucura é meu caminho onde me perco e me acho, se você quer me guiar, com seu jeito moralista de ser... Não me guie... Se você crê que pode me ajudar, pensando em me cuidar... Não me ajude... Mas, se você deseja me curar... Me esqueça... Se é para você me conhecer... Me entenda... Se você julga que não mereço sua fé... Não ore... Só lhe peço, quando de mim se esquecer... Não me ignore...
Tributo à Clarice Lispector, inspirado no poema Passional
321
Gaviões do oportunismo
Sentado no alpendre, deixei vagar meu olhar, absorto pelas nuvens, até perceber tenso voar.
Um jovem gavião fitava, a distância, a sua caça. Aguçado pelos instintos, seu objetivo ele espreitava.
Em voo rasante, certeiro, tornou derradeiro o lamento, d’angola que, sem alento, ciscava fora do galinheiro...
Lição brutal que leva à reflexão: fora do contexto natural, sem preparo ou experiência, expõe-se ao risco a sobrevivência.
A ignorância cria um falso escudo de convicção sobre quase tudo, expondo a verdade aos achismos de gaviões do oportunismo.