Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Sentado no alpendre, deixei vagar meu olhar, absorto pelas nuvens, até perceber tenso voar.
Um jovem gavião fitava, a distância, a sua caça. Aguçado pelos instintos, seu objetivo ele espreitava.
Em voo rasante, certeiro, tornou derradeiro o lamento, d’angola que, sem alento, ciscava fora do galinheiro...
Lição brutal que leva à reflexão: fora do contexto natural, sem preparo ou experiência, expõe-se ao risco a sobrevivência.
A ignorância cria um falso escudo de convicção sobre quase tudo, expondo a verdade aos achismos de gaviões do oportunismo.
279
Uma pausa para o café
Coado em coador de pano, servido em bule da ágata, sorvido sem o correr insano no viver de uma vida pacata.
O ritmo que flui com o cheiro do café torrado e moído, no tempo certo curtido, guarda leve amargor brejeiro.
Memórias excitadas pelo olfato evocam épocas de outrora, atenuando a urgência do agora presente nestes tempos de impacto.
Da correria do café expresso quero a morosidade do café coado. Mas, sem relutar, eu confesso qualquer café aprecio empolgado.
338
Fanatizado
Não combina... Determina. Não discute... Repercute.
Do mundo racional mantém-se alienado.
Não ouve... Fala. Não pergunta... Reponde.
Das relações sociais mantém-se afastado.
Não propõe... Impõe. Não pondera... Atropela.
Do nexo democrático mantém-se apartado.
Não espera... Impera. Não analisa... Minimiza.
Vive sua realidade paralela na tutela de um mito desatinado...
302
Universo alternativo
Ao viver alternativamente devemos liberar nossa mente, permitindo que a contradição tenha espaço e opinião.
A voz liberta do diverso deve permear tal universo, garantindo a integridade de tão desejada unidade.
Verso e anverso unidos, opostos finalmente atraídos, incensados em harmonia.
Lei difícil de compactuar, “mas se eu quero e você quer, então vá!” Deixa voar. (Viva Raul)
Poema, livremente, inspirado na música “Sociedade alternativa” de Raul Seixas e Paulo Coelho.
282
Na trama do destino
Arte em forma de drama, tecida em algodão ou juta, mapa do darma que a vida nos imputa.
Onde cada nó é um encontro que sustenta relações, ata ou desata sentimentos e estimula seduções.
Na trama do destino o próximo nó é um novo arbítrio de inusitado desígnio.
Macramê bem apressado trançado com sofreguidão, embora bastasse o ritmo do coração.
153
Célere
Viver exige presteza. Não há tempo renovado, pois a vida não pondera apenas cobra o seu legado.
Para o desdenho não há espaço, pois estimula demagogia, alheia, fora do compasso, sem espaço para sinergia.
Ao caminhar céleres, perseguindo o tempo, arcamos com a urgência suplicando-lhe clemência.
O tempo, nobre insumo, ofertado gracioso não deve ser desperdiçado, pois é tão vital quanto precioso.
158
Enfim...
Doce menina, me embala, me anima. Adoça meu jeito com seu aroma de jasmim.
Seu meigo sorrir, acalenta o meu dormir. Me faz sonhar com seu jeito, com sua boca carmim.
Sua voz me encanta, enquanto canta, me faz lembrar do seu jeito, com sua voz de querubim.
Sua sedutora jovialidade relembra minha maturidade. Me faz desejar o seu jeito, com seu quê de quindim.
Enfim... Sua alma feminina, me seduz, me fascina. Reluz na minha vida com seu carisma sem fim.
144
Modelada no fogo da razão
Na forja dos indivíduos, moldando o aço da vida, são criados padrões como marcas do destino.
Lingotes moldados no damasco das dúvidas, aguardam a têmpera na lâmina do saber.
Fio, com afinco, amolado pelo mestre cuteleiro que corta incertezas, certeiro, com seu conhecimento afiado.
Na bainha da compreensão guarda o que foi insciência, agora, como consciência modelada no fogo da razão.
162
O quadro (Miniconto)
Um quadro, o retrato de uma era, de um instante perdido, esquecido na memória de dedicado pintor, onde cada pincelada guarda delicadas emoções, sensações profundas, eternizadas sobre tela de refinado linho e, agora, envelhecido pelo tempo.
Preservada, em cores e tintas de outros tempos, a cena bucólica de um momento da rotina de bela e pacata comunidade. Um campo em plena primavera, colorido com as flores da estação, o sol se pondo entre as colinas no horizonte, envolto em nuvens cálidas. No plano principal um córrego correndo preguiçoso em seu leito rochoso.
Compondo com a paisagem, jovem casal trocando longas carícias, beijos e afagos, acentuados pelo carmim das tintas e pela intensidade dos traços. Desmedida paixão imortalizada em arte.
O tempo passou, o casal viveu o seu eterno amor, construiu sua vida em torno daquele lugar, viveu dias de alegrias e tristezas. A terra foi adquirida pela especulação e pela ganância exaurida e abandonada. Como parte de uma dívida foi incorporada à “massa falida”, por um banco.
A propriedade, além das terras, incluía um pequeno chalé, construído próximo ao córrego, agora abandonado, parte do cenário da bela paixão que perdurou por toda a vida daquele casal. Nele, além de móveis e lembranças, o quadro descansava, sobre a lareira, apesar de empoeirado, preservando a imagem daquele momento.
A propriedade foi a leilão, sendo arrematada em um lance vão. Então a incerteza pairou sobre o final dessa história de amor tão perene. O que aconteceria com o riacho, com a terra, com o chalé... O quadro... A história...
Um mês se passou... Um veículo atravessa a porteira. Descem duas pessoas... Os novos proprietários. Uma nova história começa...
Os proprietários, um jovem casal de agrônomos, apaixonados, amantes da natureza, recuperam a propriedade: o solo usando insumos orgânicos, o córrego protegendo suas nascentes com vegetação nativa. Implantam métodos artesanais de irrigação e plantio, produzem e colhem sua primeira safra orgânica, que vendem à comunidade local. Restauram o chalé e os móveis, onde passam a viver, inspirados pelo quadro dos eternos apaixonados.
Hoje, ao entardecer de qualquer primavera, os jovens proprietários podem ser vistos, trocando beijos apaixonados, observando o pôr do sol, entre as colinas distantes, embalados pela suave melodia, daquele córrego preguiçoso.
200
Tatoo: telas humanas
Marca reservada a cativos de antanho...
Hoje telas cárneas aguardam ávidas, em plácida espera, oportunidade de ver estampar esboço sobre insubstituível papiro, de indelével signo a marcar.
Tingindo de forma incrédula, mensagens e imagens perpétuas, em refinada seda, sugerem e fazem surgir filigranas, tribais, memórias... Até épicas histórias...
Dragões colossais singram sobre dorsos, rasgando cadeias de nervos em nervosos espasmos, riscando nos espaços entre feixes e traços.
Esses riscos, para deleite de congêneres cavaletes, são modificações corporais que repelem expiações amorais, transformando-as em redenção, através de mortificações imortais.