Helio Valim

Helio Valim

n. 1959 BR BR

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.

n. 1959-10-03, Rio de Janeiro

Perfil
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Esconderijo


A pequena porta desbotada,
na fachada do sobrado decadente,
em uma cidade extenuada
esconde tesouro eminente.

Suas prateleiras empoeiradas
guardam inestimável memória,
em livros e brochuras emboloradas,
ornados com intensa glória.

Como pérolas perseguidas,
não há um bom livro que me escape
ou um grande autor que eu resista.

Sendo frequentador costumaz,
no sebo de livros me satisfaço.
No sebo de usados me sinto em paz.
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Biografia
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.

Poemas

93

Uma pausa para o café

Coado em coador de pano,
servido em bule da ágata,
sorvido sem o correr insano
no viver de uma vida pacata.

O ritmo que flui com o cheiro
do café torrado e moído,
no tempo certo curtido,
guarda leve amargor brejeiro.

Memórias excitadas pelo olfato
evocam épocas de outrora,
atenuando a urgência do agora
presente nestes tempos de impacto.

Da correria do café expresso
quero a morosidade do café coado.
Mas, sem relutar, eu confesso
qualquer café aprecio empolgado.
336

No mormaço do entardecer

A chuva banhava, ao entardecer,
mais um dia de intenso verão.
Parecia querer amortecer
o denso calor daquela estação.

A água fria lavava e escorria,
levando a poeira do tempo
acumulada na cumeeira
de qualquer telhado sem beira.

Na casa simples, o telhado de madeira,
sem laje, era só goteira...
Pingando, molhando, transbordando...
Memórias, em ondas, se afogando.

A chuva passa, o mormaço abraça,
a tarde calada que sofre encharcada.
Tentando enxugar as perdas contadas
sobra a esperança, agora, desabrigada.

Esperança quase solitária
afaga, enquanto abriga solidária,
o desalentado que busca entender:
por que no mormaço do entardecer?
362

Fanatizado


Não combina...
Determina.
Não discute...
Repercute.

Do mundo racional
mantém-se alienado.

Não ouve...
Fala.
Não pergunta...
Reponde.

Das relações sociais
mantém-se afastado.

Não propõe...
Impõe.
Não pondera...
Atropela.

Do nexo democrático
mantém-se apartado.

Não espera...
Impera.
Não analisa...
Minimiza.

Vive sua realidade paralela
na tutela de um mito desatinado...
300

Universo alternativo


Ao viver alternativamente
devemos liberar nossa mente,
permitindo que a contradição
tenha espaço e opinião.

A voz liberta do diverso
deve permear tal universo,
garantindo a integridade
de tão desejada unidade.

Verso e anverso unidos,
opostos finalmente atraídos,
incensados em harmonia.

Lei difícil de compactuar,
“mas se eu quero e você quer,
então vá!” Deixa voar. (Viva Raul)

Poema, livremente, inspirado na música “Sociedade alternativa” de Raul Seixas e Paulo Coelho.
279

Na trama do destino

Arte em forma de drama,
tecida em algodão ou juta,
mapa do darma
que a vida nos imputa.

Onde cada nó é um encontro
que sustenta relações,
ata ou desata sentimentos
e estimula seduções.

Na trama do destino
o próximo nó é um novo arbítrio
de inusitado desígnio.

Macramê bem apressado
trançado com sofreguidão,
embora bastasse o ritmo do coração.
151

Célere

Viver exige presteza.
Não há tempo renovado,
pois a vida não pondera
apenas cobra o seu legado.

Para o desdenho não há espaço,
pois estimula demagogia,
alheia, fora do compasso,
sem espaço para sinergia.

Ao caminhar céleres,
perseguindo o tempo,
arcamos com a urgência
suplicando-lhe clemência.

O tempo, nobre insumo,
ofertado gracioso
não deve ser desperdiçado,
pois é tão vital quanto precioso.
155

Enfim...

Doce menina,
me embala, me anima.
Adoça meu jeito
com seu aroma de jasmim.

Seu meigo sorrir,
acalenta o meu dormir.
Me faz  sonhar com seu jeito,
com sua boca carmim.

Sua voz me encanta,
enquanto canta,
me faz lembrar do seu jeito,
com sua voz de querubim.

Sua sedutora jovialidade
relembra minha maturidade.
Me faz desejar o seu jeito,
com seu quê de quindim.

Enfim...
Sua alma feminina,
me seduz, me fascina.
Reluz na minha vida
com seu carisma sem fim.
142

Modelada no fogo da razão

Na forja dos indivíduos,
moldando o aço da vida,
são criados padrões
como marcas do destino.

Lingotes moldados
no damasco das dúvidas,
aguardam a têmpera
na lâmina do saber.

Fio, com afinco, amolado
pelo mestre cuteleiro
que corta incertezas, certeiro,
com seu conhecimento afiado.

Na bainha da compreensão
guarda o que foi insciência,
agora, como consciência
modelada no fogo da razão.
161

Tatoo: telas humanas

Marca reservada
a cativos de antanho...

Hoje telas cárneas
aguardam ávidas,
em plácida espera,
oportunidade de ver estampar
esboço sobre insubstituível papiro,
de indelével signo a marcar.

Tingindo de forma incrédula,
mensagens e imagens perpétuas,
em refinada seda,
sugerem e fazem surgir
filigranas, tribais, memórias...
Até épicas histórias...

Dragões colossais
singram sobre dorsos,
rasgando cadeias de nervos
em nervosos espasmos,
riscando nos espaços
entre feixes e traços.

Esses riscos, para deleite
de congêneres cavaletes,
são modificações corporais
que repelem expiações amorais,
transformando-as em redenção,
através de mortificações imortais.
154

Sem vacilar

Liberte-se, libere a liberdade...
Revele, com vontade,
aquilo que está escondido,
cinicamente dissimulado.

Liberte-se de paralela realidade...
Desfaça o discurso da balela,
assuma com sinceridade
a sua fissura e vontade.

Fique na limpeza, ligado...
Não dissimule na hipocrisia,
Assuma o seu relato,
fique na brisa até com a maresia.

Na paz peça presença...
Sem vacilar, ouça a consciência,
faça a opção, sem criminalização,
escolha com a razão e o coração...
121

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