Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Pode parecer insignificante, era apenas um momento, mas tão repleto de profundos sentimentos, que aprisionava a lembrança e ampliava o tempo...
Um olhar, um sorriso sereno, um beijo no ar, roupas no chão, corpos unidos, um instante de amor...
Uma explosão de intensas sensações, dois corpos, caricias, duas almas unidas, reunidas em sentimentos Profundos, loucos, sublimes...
O momento...
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Insubmisso arcano
“La mano de Dios” se levanta e a todos encanta. Cria um ídolo para a nação, mas deixa todos em comoção.
Mito eternizado em celestiais gramados, carrega consigo um passado oprimido.
Vivendo queda e superação, não se rende à opressão. Apoiado em sua lucidez, clama ao mundo pelos sem vez.
A miséria humana bem conhece e, por isso, com a dor do outro padece. Com sua imagem mostra a realidade em maratona pela humanidade
“Adios” insubmisso arcano.
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Metafórica onda
Sequenciada onda... É onda atrás de onda, não é onda de surfar, não é onda de calar.
Sistêmica onda... É onda pra se isolar, não é onda solar, não é onda pra nadar.
Indefinida onda... Poucos se dão conta de sua gravidade. Preferem a leviandade.
Insana onda... Aos alienados afronta, com a fria realidade e agride sem piedade.
Convicta onda... Não acreditam no real, nem no impacto social, apenas naquele que zomba.
Crédula onda... Creem em Ilusória ruptura. Mas não há magia pronta. Só a ciência cura.
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Orchidaceae
Natureza em forma de quadro, modelos suaves como num retrato. Imagem que se fez torpor. Pura mensagem de amor.
Tamanha fragilidade revela tua vida efêmera, quando floresces, sutilmente, com extrema delicadeza.
Perfume não emanas, mas com tuas cores encantas o desatento apaixonado, que por tua beleza é fisgado.
Tua flor é beijo capturado, eternamente preservado, em cromáticas pétalas solares que se consomem em infindáveis olhares.
Até os embriagados pelo clamor urbano, atordoados pelo profano, perdem a eternidade em um segundo entorpecidos pelo teu etéreo mundo...
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Quadrilha: Uma releitura de Drummond (Miniconto)
Três amigos adolescentes, tão unidos que pareciam uma “quadrilha”, embora possuíssem comportamentos bem diferentes, todos tentaram namorar Lili, uma colega de colégio.
João com um temperamento sanguíneo, era otimista e impulsivo. Comunicativo queria estudar cinema em Hollywood nos Estados Unidos. Mas tamanha impulsividade, superficialidade e exagero assustaram Lili que não aceitou namorá-lo. Hoje João mora na Califórnia e leciona teatro numa High School no condado de Santa Bárbara.
Raimundo era intenso, colérico, explosivo e impulsivo. Além de muito impaciente. Após pressionar Lili por uma decisão, recebendo resposta negativa, ficou tão transtornado que sofreu um acidente de carro e faleceu.
Joaquim, dos três era o mais sensível, tímido, curtia música e pintura. Mas sendo introvertido, tipicamente melancólico, tinha dificuldade em expor seus sentimentos à Lili. Dos três era aquele que Lili mais gostava. Mas não amava. Frustrado, não resistiu à decepção. Foi encontrado, sem vida, em seu quarto. Morto por overdose. Até hoje fala-se em suicídio.
Nessa mesma época um aluno transferido é incorporado à turma. Fernandes, sem dúvida, fleumático, paciente e disciplinado. Seu equilíbrio e confiança atraíram Lili, que por ele se apaixonou. Namoraram e se casaram logo após à formatura. Portanto, como no poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, Lili se casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
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Amor inacabado (Miniconto)
Paraty, cidade no Rio de Janeiro, cheia de histórias de outras eras, de um tempo mais lento, hoje destino turístico com lindo casario, natureza exuberante e ótima gastronomia. Mas este conto não é sobre gastronomia.
Viajei a Paraty, fora da temporada, para aproveitar um instante de relaxamento. Hospedei-me em uma pousada no Centro Histórico e fui envolvido em uma história fantástica.
Paraty por ser o porto onde o ouro das Minas Gerais era embarcado para Portugal, parte da antiga Estrada Real, a Estrada do Ouro, também, era o local preferido por corsários, piratas com carta de corso, a serviço da rainha da Inglaterra, para capturarem seus tesouros.
Conta a lenda que um comandante corsário após a conquista do seu butim foi perseguido pela Guarda Real, mas durante algum tempo conseguiu se esconder, abrigado por uma dama da sociedade local.
Apaixonaram-se e viveram intensos momentos de amor. Até que o comandante foi encontrado, preso e sumariamente enforcado. A dama sem saber do ocorrido, continuou a escrever cartas de amor, encaminhadas ao Intendente Geral que as devolvia, sem explicações, até a sua morte.
Hospedado no quarto principal da pousada. Sem saber que era o quarto dos amantes. À noite, em um momento na madrugada, ouvi um tortuoso lamento. Percebi um vulto, a silhueta de uma mulher na penumbra, que apontava para a soleira da porta do quarto e chorava. Quando me aproximei ela sumiu e não mais apareceu.
Ao amanhecer, examinando a soleira, encontrei um compartimento secreto, onde, amarrado por um laço de cetim, hibernou por séculos, um maço de cartas de amor.
Conhecendo a lenda, imediatamente, levei-as ao cemitério do Forte Defensor Perpétuo em Paraty e coloquei-as sobre o túmulo do comandante. Enfim, a Dama de Paraty pôde descansar ao lado do seu amado.
Pesquisando a história daquela dama, descobri que ela havia casado, apesar de não ter esquecido o amor corsário, e constituiu uma família, tendo filhos, netos, bisnetos, trinetos... Para minha surpresa, e de vocês, vim a saber que ela era minha antepassada, de um ramo familiar há muito esquecido. Pois é, a vida é escrita assim!
195
Agonia e folia
Colombinas, Pierrôs e Arlequins, fantasias vestindo a realidade, enuviando o coração da cidade com um festival de amores, um enxoval de luzes e cores...
Explosão de alegrias, exaltação de emoções de pessoas e intensões, de mundos e rotinas, na ilusão de novas vidas.
Com um sorriso brejeiro, aproveita seu dia, a bela passista, marcando seu passo guerreiro, no compasso de um samba enredo, puxado na voz rouca do jovem parceiro.
Abafados pelo murmúrio do surdo ou pelo repenicar ligeiro do tamborim folheiro. gritos e sussurros reprimidos, afloram em amores aguerridos.
Tamanha tensão e agonia represando tanta loucura que extravasa em extrema folia nos quatro dias de carnaval ou num carnaval de qualquer dia.
183
Decisão no milharal
No continente do norte, em um condado do sul, no milharal encravado, reúnem-se em dia ensolarado.
Confraternizam em churrasco com molho, milho e melaço e veem as eleições presidenciais segundo suas certezas regionais.
Deliberam o destino de uma nação e de um mundo em desatino com tal situação.
Mais que reacionários são orgulhosos retrógrados que se intitulam conservadores, mas são apenas hipócritas.
Portando a cruz sulista no braço tatuada e, na mão, uma espingarda, sempre carregada.
Rednecks decidem as eleições, convictos do desígnio divino que os tornam guardiões de sua pseudodemocracia.
196
Caminhada
Ando, ando, ando... A praia continua fugindo, correndo enquanto sigo. Observo as ondas quebrando, lavando a areia límpida, carregando mar adentro as máculas das algas ociosas que, deixam-se levar, preguiçosas, não negando nenhum acalento daquela branda espuma branca.
Ando, ando, ando... Percorro longo caminho, piso firme na areia fofa. Meu pé afunda, como se a praia o devorasse, como se a Terra me engolisse. Distraído vivo uma metáfora, comtemplando a vida afora, Sem descanso, não paro, apenas, ando.
Ando, ando, ando... Continuo andando, sigo pelas veredas da vida, sonhando com pérolas e contas alvas, enquanto conto as conchas brancas, reluzentes pontos de luz e cor, que marcam todo o meu percorrer, indicando meu rumo, apurando minha jornada, para o meu sonho, a minha última parada...
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Minha guitarra, minha parceira (Miniconto)
Durante uma apresentação, no ápice do solo, finalizando uma performance, a correia da guitarra se rompe e antes que pudesse agir minha Fender Stratocaster Squier Classic, preta, com visual e feeling dos anos setenta, cai no chão do palco. Pude acompanhar em slow motion todo o movimento até o inevitável choque.
Com imensa tristeza e dor vislumbrei que tal choque quebrou o braço dela e, simultaneamente, estraçalhou minha alma. Quantos momentos vividos em parceria tão fiel, sem qualquer traição ou rompimento, fidelidade raramente encontrada. Anos de parceria interrompidos em apenas alguns segundos.
Observando com mais cuidado percebi que o braço rompeu na altura do headstock, que é a cabeça ou a mão da guitarra, não atingiu a escala, porém empenou o tensor, o que poderia causar uma torção no resto do braço.
Com o coração partido peguei minha guitarra, coloquei-a em sua case e busquei o auxílio de um Luthier conhecido. Chegando à oficina, o especialista analisou os danos e, como um “doutor em cordas”, proferiu o seu diagnóstico. Minha Fender, poderia ser reparada e novamente ajustada.
Passado alguns dias de ansiedade retornei à oficina e reencontrei a minha paixão. O Luthier pediu que a testasse. Ao tocá-la percebi que apesar do braço quebrado, agora reparado, a alma continuava intacta. Então, num momento de êxtase, solei slides, bends e vibratos cheios de emoção. Minha parceira voltou!