Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Vivemos presos em um tempo pálido, fragmento de triste história onde falta glória apesar do orgulho impávido.
O espírito humano no decorrer deste tempo, padece de alento, perdido em seu ledo engano
No processo evolutivo cobramos o que foi prometido, sem levarmos em conta o custo da afronta.
A evolução, sem apresso, amparada no descaso cobra, afinal, seu ingrato preço. O fim daquilo que nos é mais caro.
Pagamos com a nossa liberdade De ir, ser, estar... Isolados na cidade. Encalhados num diorama de insanidade!
402
Revival lírico
A brisa batia fria, ferindo a face da densa relva, enquanto o pequeno rio dançava alegre, no ritmo do som de águas, que tombavam suaves na cascata prateada, reluzente, ao luar lírico, daquela noite em festa...
A melodia de sons e ruídos lembrava uma louca sinfonia, onde o maestro da ilusão regia sua orquestra de sonhos, absorvendo as críticas, e o lamento da brisa revolta...
As folhas ressequidas, contorcidas pelo fim de mais um outono, esvoaçavam-se, compondo com o murmurar da noite um clima de intenso revival, como num ritual, onde, sem dúvida, a dadiva final era apenas um suspiro, um sussurro de esperança, e alegria sem igual...
382
Devaneio
A manhã acordou fria, descortinando a paisagem nívea, repleta de reflexos prata.
Enquanto a terra grata suava gotículas nobres, cerzindo de modo indelével a tenra noite passada...
No meio do bosque distante, uma pequena choupana de madeira derramava fumaça pela chaminé de sua singela lareira.
O aroma doce amargo do café caseiro torrado, fazia com que a manhã, entorpecida pela fragrância, relutasse pelo primeiro gole do dia...
Enquanto a árvore próxima, aquele secular carvalho, transpirava em alegrias, murmurando suave melodia composta pelo animado respingar de uma cristalina gota de orvalho...
374
Urbanização nua e crua
Cidade nua... Cidade crua... Muralha de pedra, tijolo, concreto, rua, casa, edifício... Vida difícil!
Poluição, população, urbanização?! Tudo, todos se confundem, num mar de fuligem e ferrugem!
Enfim, chega ao fim. Desce a noite, a cidade dorme, sonha, pensa no amanhã...
Pobre cidade nua... Pobre cidade crua...
A voracidade da especulação imobiliária, descaracterizando as cidades, deixando-as nuas, expostas, mutiladas sob uma “pseudo urbanização” define o crescimento desordenado, sem o acompanhamento da infraestrutura urbana, o que estrangula as vias e entrava a vida de seus habitantes. Essas cidades só parecem descansar na madrugada. Nesse momento as obras pausam, mas, ávidas por recomeçarem na nova manhã, apressadas em construir essa muralha de edificações, chamada de cidade.
391
Quebrada
Partida, em pedaços, não permite aos incautos o corte que lembra os percalços no risco dos pés descalços.
Imagem simples nos remete a momentos aqueles, onde tudo parece reles.
Enquanto nada parece ser aquilo em que você crê, onde basta colar para não mais romper, no entanto, emendas não deixam esquecer.
Apesar dos cacos colados da peça, nada há que impeça, as cicatrizes, que cismam em aparecer.
394
Esmero
Observo, atentamente, aquele marceneiro, com um único pensamento em mente: ele trata a madeira com esmero.
O respeito que cultua àquele pedaço de madeira, que um dia foi frondosa Imbuia.
Usando suas ferramentas, modela com criatividade. Respeitando a longevidade daquela que sobreviveu às tormentas.
Resistiu, bravamente, ao tempo. Entretanto, tombou para o vilão mais impiedoso. Assim, sem consentimento, tornar-se-á móvel lustroso.