Helio Valim

Helio Valim

n. 1959 BR BR

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.

n. 1959-10-03, Rio de Janeiro

Perfil
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Esconderijo


A pequena porta desbotada,
na fachada do sobrado decadente,
em uma cidade extenuada
esconde tesouro eminente.

Suas prateleiras empoeiradas
guardam inestimável memória,
em livros e brochuras emboloradas,
ornados com intensa glória.

Como pérolas perseguidas,
não há um bom livro que me escape
ou um grande autor que eu resista.

Sendo frequentador costumaz,
no sebo de livros me satisfaço.
No sebo de usados me sinto em paz.
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Biografia
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.

Poemas

6

Diorama

Vivemos presos em um tempo pálido,
fragmento de triste história
onde falta glória
apesar do orgulho impávido.

O espírito humano
no decorrer deste tempo,
padece de alento,
perdido em seu ledo engano

No processo evolutivo
cobramos o que foi prometido,
sem levarmos em conta
o custo da afronta.

A evolução, sem apresso,
amparada no descaso
cobra, afinal, seu ingrato preço.
O fim daquilo que nos é mais caro.

Pagamos com a nossa liberdade
De ir, ser, estar...
Isolados na cidade.
Encalhados num diorama de insanidade!
402

Revival lírico


A brisa batia fria,
ferindo a face da densa relva,
enquanto o pequeno rio
dançava alegre,
no ritmo do som de águas,
que tombavam suaves
na cascata prateada,
reluzente,
ao luar lírico,
daquela noite em festa...

A melodia de sons e ruídos
lembrava uma louca sinfonia,
onde o maestro da ilusão
regia sua orquestra de sonhos,
absorvendo as críticas, e
o lamento da brisa revolta...

As folhas ressequidas,
contorcidas pelo fim de mais um outono,
esvoaçavam-se,
compondo com o murmurar da noite
um clima de intenso revival,
como num ritual,
onde, sem dúvida,
a dadiva final era apenas um suspiro,
um sussurro de esperança, e
alegria sem igual...
382

Devaneio


A manhã acordou fria,
descortinando a paisagem nívea,
repleta de reflexos prata.

Enquanto a terra grata
suava gotículas nobres,
cerzindo de modo indelével
a tenra noite passada...

No meio do bosque distante,
uma pequena choupana de madeira
derramava fumaça pela chaminé
de sua singela lareira.

O aroma doce amargo
do café caseiro torrado,
fazia com que a manhã,
entorpecida pela fragrância,
relutasse pelo primeiro gole do dia...

Enquanto a árvore próxima,
aquele secular carvalho,
transpirava em alegrias,
murmurando suave melodia
composta pelo animado respingar
de uma cristalina gota de orvalho...
374

Urbanização nua e crua


Cidade nua...
Cidade crua...
Muralha de pedra, tijolo, concreto,
rua, casa, edifício...
Vida difícil!

Poluição,
população,
urbanização?!
Tudo, todos se confundem,
num mar de fuligem e ferrugem!

Enfim, chega ao fim.
Desce a noite,
a cidade dorme,
sonha, pensa no amanhã...

Pobre cidade nua...
Pobre cidade crua...

A voracidade da especulação imobiliária, descaracterizando as cidades, deixando-as nuas, expostas, mutiladas sob uma “pseudo urbanização” define o crescimento desordenado, sem o acompanhamento da infraestrutura urbana, o que estrangula as vias e entrava a vida de seus habitantes. Essas cidades só parecem descansar na madrugada. Nesse momento as obras pausam, mas, ávidas por recomeçarem na nova manhã, apressadas em construir essa muralha de edificações, chamada de cidade.
391

Quebrada


Partida, em pedaços,
não permite aos incautos
o corte que lembra os percalços
no risco dos pés descalços.

Imagem simples
nos remete a momentos aqueles,
onde tudo parece reles.

Enquanto nada parece ser
aquilo em que você crê,
onde basta colar para não mais romper,
no entanto, emendas não deixam esquecer.

Apesar dos cacos colados da peça,
nada há que impeça,
as cicatrizes, que cismam em aparecer.
394

Esmero

Observo, atentamente,
aquele marceneiro, 
com um único pensamento em mente:
ele trata a madeira com esmero.

O respeito que cultua
àquele pedaço de madeira,
que um dia foi frondosa Imbuia.

Usando suas ferramentas,
modela com criatividade.
Respeitando a longevidade
daquela que sobreviveu às tormentas.

Resistiu, bravamente, ao tempo.
Entretanto, tombou para o vilão mais impiedoso.
Assim, sem consentimento, tornar-se-á móvel lustroso.
201

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