Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Amante lhe cativa, implora pela sua volta, mas você, niilista, não liga, não acredita ou se importa.
Sentimentos reprimidos explodem e, em vão, redimem esse acúmulo de sofrimentos, continuamente constrangidos.
Sorrateiros, corrompidos agridem carentes corações que se expõem para serem feridos por dolorosas desilusões.
Sem despertar a ira dos preteridos, choram em desespero, os mais arredios, inconformados com tal condição. Pois, não aceitam tão rude separação.
330
Produção, pão e circo
A linha é um lugar de produção... Na fábrica, é lá onde as coisas acontecem. Tem o tempo do trabalho, tem trabalho todo o tempo. Mas não tem o momento do operário...
Tem o espaço para a oficina que abriga o senso da disciplina. Tudo roda no ritmo da rotina. Mas para não adoecer tem que ter o espaço do lazer.
Tem máquina ditando o tempo a se obedecer. Tem operário gritando por espaço para libertar a cadência desse padecer. Tem no ritmo marcado um novo compasso para não enlouquecer.
O Samurai moderno acata a reivindicação, cedendo espaço para o descanso, deixando o operário distenso. Enquanto canta no ritmo da produção esquece o tamanho da exploração.
Confirmando a alienação, ao reforçar o velho chavão: “Para o povo pão e circo”. Fazendo o ganancioso mais rico, com o peão empurrando a produção...
184
Marcos e marcas
Não estaria o homem tão oprimido, tão apequenado, comparado à sua obra?
Poderia sonhar a liberdade, estando acorrentado a seus monumentos, seus marcos e marcas?
Essas crias magníficas crescem, desordenadamente, devorando o céu, a vida idílica o homem e a sua mente.
Não há limite para a ganância, para essa especulativa ânsia. Não há limite para essa loucura, que o obriga à amargura.
Sem nenhuma alternativa, busca amenizar a existência cativa, disfarçando suas torres de metal, cobrindo-as com brilho artificial.
Reprimindo emoções, nesses estranhos monumentos de vidro, aço e ilusões, tenta aplacar seu sofrimento.
Acreditando apagar da memória sua miserável vida inglória, busca fugir da realidade perdendo-se em insanas cidades.
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João um eterno retirante
O sol queimava a fronte de João, que embevecido pelo tristonho lamento, a ladainha sofrida da típica rabeca, dormia o sono dos séculos em seu berço de pano, a rede dos tempos...
Enquanto dormia, timidamente sorria, ocultando atrás da boca sem dentes, o seu pobre sorriso ausente; típico de um eterno retirante. Um João de “barriga vazia”, um João decente, mais um João que sofria...
Sonhando seu sonho de vida, rezava ao “Padim Ciço” tentando saldar sua dívida, cobrando dos céus alguma dádiva, sem conseguir aliviar as suas dúvidas, dúvidas de um João sem dentes, um “João-ninguém”, um João descrente...
Tristemente saudando a pobreza, seguindo sua via-crúcis, vendo seu Cristo crucificado em cada estação, cada dia, cada quilometro sofrido na vida de um pobre João, carga de um “pirata”, o novo pau de arara...
330
A intensão do momento
Pode parecer insignificante, era apenas um momento, mas tão repleto de profundos sentimentos, que aprisionava a lembrança e ampliava o tempo...
Um olhar, um sorriso sereno, um beijo no ar, roupas no chão, corpos unidos, um instante de amor...
Uma explosão de intensas sensações, dois corpos, caricias, duas almas unidas, reunidas em sentimentos Profundos, loucos, sublimes...
O momento...
197
Ainda e antes de tudo um forte (Minicrônica)
Hoje, o sertanejo já não foge da “Grande Seca” como ocorreu por volta de 1880, migração que foi descrita pelo jornalista e escritor Euclides da Cunha, retratada no romance reportagem: “Os Sertões”, publicado em 1902, onde descrevia a seca e suas consequências para o povo nordestino. Sendo dele a frase: “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Anos mais tarde, em 1944, o artista plástico, Candido Portinari apresenta a obra: “Os Retirantes”. Pintura que ressalta o sofrimento e a falta de esperança desse povo lutador. Nestes dias, os “novos retirantes” fogem para escapar da miséria. Atrás de sonhos, buscam oportunidades nas grandes cidades, abandonando sua terra, suas raízes, suas crenças. Apegados às suas devoções, postam-se aos pés de Padre Cícero ou como é, carinhosamente, chamado “Padim Ciço”, um sacerdote católico brasileiro, com grande prestígio e influência em todo o Nordeste. Suas orações evocam os lamentos presentes ao longo das suas jornadas. Pelo caminho, exprimidos, oprimidos em decrépitos e irregulares “ônibus piratas”, o “pau de arara” desses dias, vão sofrendo as agruras da ingrata jornada. Vivendo sua via-crúcis, choram a saudade das famílias que ficaram no pobre sertão e se apegam à ilusão de oportunidades que gerem condições mínimas de vida, que os reúnam em futuro distante.
160
Metafórica onda
Sequenciada onda... É onda atrás de onda, não é onda de surfar, não é onda de calar.
Sistêmica onda... É onda pra se isolar, não é onda solar, não é onda pra nadar.
Indefinida onda... Poucos se dão conta de sua gravidade. Preferem a leviandade.
Insana onda... Aos alienados afronta, com a fria realidade e agride sem piedade.
Convicta onda... Não acreditam no real, nem no impacto social, apenas naquele que zomba.
Crédula onda... Creem em Ilusória ruptura. Mas não há magia pronta. Só a ciência cura.
165
Insubmisso arcano
“La mano de Dios” se levanta e a todos encanta. Cria um ídolo para a nação, mas deixa todos em comoção.
Mito eternizado em celestiais gramados, carrega consigo um passado oprimido.
Vivendo queda e superação, não se rende à opressão. Apoiado em sua lucidez, clama ao mundo pelos sem vez.
A miséria humana bem conhece e, por isso, com a dor do outro padece. Com sua imagem mostra a realidade em maratona pela humanidade
“Adios” insubmisso arcano.
168
Esconderijo
A pequena porta desbotada, na fachada do sobrado decadente, em uma cidade extenuada esconde tesouro eminente.
Suas prateleiras empoeiradas guardam inestimável memória, em livros e brochuras emboloradas, ornados com intensa glória.
Como pérolas perseguidas, não há um bom livro que me escape ou um grande autor que eu resista.
Sendo frequentador costumaz, no sebo de livros me satisfaço. No sebo de usados me sinto em paz.
392
Sem rumo
Eu, só, solidão, perdido na multidão, que caminha sem rumo, sem destino, que anda, a procura da fé...
Eu, só, solidão, sinto a brisa soprando, vejo a rosa chorando, a vida correndo, sofrendo a agonia do tempo...
Eu, só, solidão, vejo a noite, ela desce soturna e confirma a solidão, a angústia da escuridão...
Eu sofri, corri, fugi da multidão, abandonei a confusão, gritei, berrei, perdi a razão, acordei...
Eu, agora, sem hora, sinto-me só, perdido, sentido, sem destino, sem tino, sem rumo, eu sumo...