Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Meu nome é João, um jovem brasileiro, que foi pesquisar a cultura do norte da África, um amante de civilizações antigas. Entre uma civilização e outra, apaixone-me por Isis. Uma linda colega de curso de história na Universidade que frequentava.
Ela, sem que eu soubesse, era filha do líder religioso local. Certo dia, voltando do curso, o pai da garota encontrou-nos, juntos, abraçados.
Não falando a língua portuguesa, começou discutir em espanhol, língua que dominava devido à ligação com a península Ibérica, através de Gibraltar no Mediterrâneo, e, transtornado, repetia sem parar: “Mira con los ojos no con las manos” ou “Olha com os seus olhos, não com as suas mãos”.
Sem a intensão de ser irônico, mas correndo algum risco, respondi: “En la verdad no. El contemplar completo involucra todos los sentidos. Visión, sentido de escucha, olfato, tacto y el sentido del gusto.” Ou seja, “Na verdade, não. A contemplação plena envolve todos os sentidos. Visão, audição, olfato, tato e paladar”.
Só, mais tarde, percebi o quanto minha petulância e insensatez o incomodou. O pai de Isis, não se conformando com a situação, retirou-a da Universidade e proibiu-a de ter qualquer relação comigo.
Confirmando a minha opinião, sobre aqueles cuja profissão de fé é castrar o sentimento dos outros e em nome de uma santa moralidade impõem burcas sobre a humanidade, crendo preservar a castidade.
Apesar de toda a pressão, nos encontramos na casa de um amigo, que aceitou ser nosso álibi. Cada momento compartilhado era intenso e nada mais importava.
“Bastava a candura do seu olhar para expor o contato já denunciado no aroma de tão doce menina, a impactar e envolver meu olfato com seu cheiro de tangerina.”
Os encontros clandestinos continuaram até o meu retorno ao Brasil, com o fim dos estudos. Continuamos em contato, por algum tempo, mas a distância e a vida foram esvanecendo desejos “muy calientes” e os nossos caminhos seguiram seus rumos.
Hoje, já não tão jovem, quando recordo esse tempo, lembro-me com saudade do “aroma de tão doce menina, com seu cheiro de tangerina”.
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Sufocando a cor
Segrega-se, humilha-se... mata-se! A odiosidade impele a humanidade, joga-a, sem qualquer dúvida, no fim da fila das iniquidades.
Não é um pensamento individual. É uma mácula estrutural, manchando o cerne da sociedade, rompendo o frágil tecido social.
Sangrando, imolando... sufocando a voz da comunidade. Que, oprimida, revolta-se e grita, Rebela-se e briga.
Mas, não basta o clamor legítimo das “ruas”, não basta o calor intenso das chamas. Deve-se atingir o âmago das almas, corroídas pelo ódio do preconceito...
Resgatando, então, a humanidade perdida na fila do descaso e da arbitrariedade, germes dessa eloquente barbárie. Agora rechaçada pela “rua” ensandecida!
373
É Arte
Arte é liberdade...
A Arte com a sua subjetividade completa a humanidade, recupera nosso inconformismo e liberta a tão ilibada racionalidade.
Arte é solidariedade...
Uma nação resiliente não desiste de seus artistas, não humilha, nem ofende, aqueles que são tão altruístas.
Arte é caridade...
Doam suas “calientes” almas, em intensa dramaticidade calma, dissimulando exuberante emoção que extrapola qualquer razão.
Arte é criatividade...
Objetos, cores, sons, palavras e luzes. Quadros, esculturas, palcos e partituras. Obras sobre diversos dramas e matizes. A Arte é a vanguarda das loucuras.
Arte é toda arte...
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Embuste pra todo lado
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
Vive-se em crise com a verdade. São tantos farsantes falando em catarse, criando ruídos, ofuscando a sociedade. Impostores atordoando a serenidade.
Entrou-se em colisão com a sanidade de modo a absorver o fim da sinceridade, mas nem os plácidos, ainda, suportam essa perpétua falta de razão.
Os lhanos perderam espaço para os argutos de plantão, que vendem pontes, aos incautos, quem sabe até Plutão.
Oferecem estereótipos pálidos a uma imensidão de tolos cálidos que os consomem crédulos, sem qualquer dúvida, nada céticos...
Nosso mundo tá falido... Tem embuste pra todo lado...
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Quadrilha: Uma releitura de Drummond (Miniconto)
Três amigos adolescentes, tão unidos que pareciam uma “quadrilha”, embora possuíssem comportamentos bem diferentes, todos tentaram namorar Lili, uma colega de colégio.
João com um temperamento sanguíneo, era otimista e impulsivo. Comunicativo queria estudar cinema em Hollywood nos Estados Unidos. Mas tamanha impulsividade, superficialidade e exagero assustaram Lili que não aceitou namorá-lo. Hoje João mora na Califórnia e leciona teatro numa High School no condado de Santa Bárbara.
Raimundo era intenso, colérico, explosivo e impulsivo. Além de muito impaciente. Após pressionar Lili por uma decisão, recebendo resposta negativa, ficou tão transtornado que sofreu um acidente de carro e faleceu.
Joaquim, dos três era o mais sensível, tímido, curtia música e pintura. Mas sendo introvertido, tipicamente melancólico, tinha dificuldade em expor seus sentimentos à Lili. Dos três era aquele que Lili mais gostava. Mas não amava. Frustrado, não resistiu à decepção. Foi encontrado, sem vida, em seu quarto. Morto por overdose. Até hoje fala-se em suicídio.
Nessa mesma época um aluno transferido é incorporado à turma. Fernandes, sem dúvida, fleumático, paciente e disciplinado. Seu equilíbrio e confiança atraíram Lili, que por ele se apaixonou. Namoraram e se casaram logo após à formatura. Portanto, como no poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, Lili se casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
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Orchidaceae
Natureza em forma de quadro, modelos suaves como num retrato. Imagem que se fez torpor. Pura mensagem de amor.
Tamanha fragilidade revela tua vida efêmera, quando floresces, sutilmente, com extrema delicadeza.
Perfume não emanas, mas com tuas cores encantas o desatento apaixonado, que por tua beleza é fisgado.
Tua flor é beijo capturado, eternamente preservado, em cromáticas pétalas solares que se consomem em infindáveis olhares.
Até os embriagados pelo clamor urbano, atordoados pelo profano, perdem a eternidade em um segundo entorpecidos pelo teu etéreo mundo...
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Amor inacabado (Miniconto)
Paraty, cidade no Rio de Janeiro, cheia de histórias de outras eras, de um tempo mais lento, hoje destino turístico com lindo casario, natureza exuberante e ótima gastronomia. Mas este conto não é sobre gastronomia.
Viajei a Paraty, fora da temporada, para aproveitar um instante de relaxamento. Hospedei-me em uma pousada no Centro Histórico e fui envolvido em uma história fantástica.
Paraty por ser o porto onde o ouro das Minas Gerais era embarcado para Portugal, parte da antiga Estrada Real, a Estrada do Ouro, também, era o local preferido por corsários, piratas com carta de corso, a serviço da rainha da Inglaterra, para capturarem seus tesouros.
Conta a lenda que um comandante corsário após a conquista do seu butim foi perseguido pela Guarda Real, mas durante algum tempo conseguiu se esconder, abrigado por uma dama da sociedade local.
Apaixonaram-se e viveram intensos momentos de amor. Até que o comandante foi encontrado, preso e sumariamente enforcado. A dama sem saber do ocorrido, continuou a escrever cartas de amor, encaminhadas ao Intendente Geral que as devolvia, sem explicações, até a sua morte.
Hospedado no quarto principal da pousada. Sem saber que era o quarto dos amantes. À noite, em um momento na madrugada, ouvi um tortuoso lamento. Percebi um vulto, a silhueta de uma mulher na penumbra, que apontava para a soleira da porta do quarto e chorava. Quando me aproximei ela sumiu e não mais apareceu.
Ao amanhecer, examinando a soleira, encontrei um compartimento secreto, onde, amarrado por um laço de cetim, hibernou por séculos, um maço de cartas de amor.
Conhecendo a lenda, imediatamente, levei-as ao cemitério do Forte Defensor Perpétuo em Paraty e coloquei-as sobre o túmulo do comandante. Enfim, a Dama de Paraty pôde descansar ao lado do seu amado.
Pesquisando a história daquela dama, descobri que ela havia casado, apesar de não ter esquecido o amor corsário, e constituiu uma família, tendo filhos, netos, bisnetos, trinetos... Para minha surpresa, e de vocês, vim a saber que ela era minha antepassada, de um ramo familiar há muito esquecido. Pois é, a vida é escrita assim!
195
Agonia e folia
Colombinas, Pierrôs e Arlequins, fantasias vestindo a realidade, enuviando o coração da cidade com um festival de amores, um enxoval de luzes e cores...
Explosão de alegrias, exaltação de emoções de pessoas e intensões, de mundos e rotinas, na ilusão de novas vidas.
Com um sorriso brejeiro, aproveita seu dia, a bela passista, marcando seu passo guerreiro, no compasso de um samba enredo, puxado na voz rouca do jovem parceiro.
Abafados pelo murmúrio do surdo ou pelo repenicar ligeiro do tamborim folheiro. gritos e sussurros reprimidos, afloram em amores aguerridos.
Tamanha tensão e agonia represando tanta loucura que extravasa em extrema folia nos quatro dias de carnaval ou num carnaval de qualquer dia.
183
Lamento a jusante
Incomodados com minhas curvas retificaram minhas margens, canalizaram o meu leito e tornaram as minhas águas turvas.
Enquanto corria livre no meu vale, alternando minhas voltas, construíram uma cidade sobre a minha várzea sem nenhuma piedade.
Cercearam meu bailar maroto, interromperam meu respirar, me empurram seu esgoto e ainda dizem me amar.
Quando me revolto, minhas águas eu não controlo... Transbordo! Portanto, qualquer chuva apertada vira, logo, enxurrada.
Então, me xingam, querem me aterrar, esquecendo que um dia em minhas águas foram nadar...
182
Decisão no milharal
No continente do norte, em um condado do sul, no milharal encravado, reúnem-se em dia ensolarado.
Confraternizam em churrasco com molho, milho e melaço e veem as eleições presidenciais segundo suas certezas regionais.
Deliberam o destino de uma nação e de um mundo em desatino com tal situação.
Mais que reacionários são orgulhosos retrógrados que se intitulam conservadores, mas são apenas hipócritas.
Portando a cruz sulista no braço tatuada e, na mão, uma espingarda, sempre carregada.
Rednecks decidem as eleições, convictos do desígnio divino que os tornam guardiões de sua pseudodemocracia.