Igor Roosevelt

Igor Roosevelt

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OS MORTOS

Em que os mortos pensam, nessa noite

Sem fim em que se deitam e que se perdem?

A quem os mortos amam nos seus sonhos

Isentos de sentido e de sabores?

A morte priva os mortos de carpir

Mas rouba-lhe as mãos de trabalhar.

Se os mortos não tem boca pra sorrir

Também lhes faltam olhos pra chorar.

Os mortos não entendem ontologia

Os mortos não vasculham bibliotecas

E nem recitam versos ao luar

O coração dos mortos é um castelo

Sem hóspedes e sem anfitrião

Onde a saudade nunca pode entrar.

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Poemas

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O TEU AMOR

Para Jociane Macedo

De tantas coisas quantas há no mundo
Ou que sonharam antigos visionários,
De tantos entes quantos há no Empíreo
Ou substantivos que há nos dicionários,

De tantas coisas que, no tédio infindo
De Deus tiveram sua criação,
De tantas coisas que, nos seus esforços
Alcançar possa a imaginação,

De tantas coisas que em mistérios dormem
E as palavras não podem nomear
Somente o teu amor é meu anseio
E em teu abraço posso descansar.

Se tudo isso a mim fosse ofertado
E eu não tivesse o teu amor comigo
De nada serviriam tais agrados
Seria como eu me tornar mendigo

Mas mesmo que eu não tenha nada disso
Se eu tiver ao meu lado o teu amor
Nenhum estoico é mais feliz que eu
E nenhum rei mais rico do que eu sou.
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MADRIGAL III

O teu sorriso é lindo como a aurora
Que fende a noite qual dourada espada,
Como a esperança que eu tivera outrora
Mas que deixei nalgum lugar da estrada.

O teu sorriso é lindo como o Sol
Quando dispersa as sombras de manhã
E espalha as rubras luzes do arrebol
Iluminando a minha vida vã.

O teu sorriso é lindo como a rosa
Que, na clara manhã de primavera
Desata as rubras pétalas, viçosa,
Enchendo de beleza a atmosfera.

O teu sorriso é como a primavera
Cobrindo o mundo de perfume e cores
E por teu riso assim se prolifera
Todas as ânsias de sutis amores.

Quisera eu ser razão de tal sorriso.
Tudo faria por esse troféu.
Eu poderia, sem pesar nem siso,
Descer ao inferno ou escalar o céu.

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SONETO

Tem palavras que são tão carinhosas
Que quase as sinto me tocando a face
Com dedos tímidos e adolescentes
Percorrendo, medrosas, minha tez.

Tem palavras que o vento não carrega
Mas mesmo impressas tem o mesmo efeito
De um lânguido sussurro ao pé do ouvido
Ou de um olhar sincero e imaculado

Tem palavras tão ternas quanto o afago
Da mão, que sequiosa de desejos,
Tem que conter-se em escrever poemas.

Quando pousares teu olhar nas minhas
Quero que as leia como fosse um abraço
Quero que as sinta como fosse um beijo.
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