Lista de Poemas
AMOR DESNUDA-ME
No silêncio desta noite
No arrepio da espinha
De gemidos ofegantes
De tantos carinhos.

FALÁCIAS DE AÇAFRÃO
Desfeita em nó, maldito este círculo tão apertado
Perfumado de mortos, oh morte que estiveste só
Por horas, dias, meses e anos
Cama de pés gelados, braços esticados
Com mil demónios, falácias brotam no sangue
Coração de renúncia e inquietação
Asas decepadas num sonho, para impedir
O voo no falatório, excesso de vozes repetidas
Na alma, na mente, no corpo doente
Vagam pelo espaço, desfeito no tempo sugam
O mel do feitiço, sonhos de fogo coberto de sangue
Afrontando os nossos anjos
Na calada da noite, no próprio abandono
Sente-se as garras de dor o rufar dos tambores
Clamor de uma poesia feita de esquecimento
Oh ânsia que despertas o açafrão acorrentado "Geleia do nosso ouro"

NÓS AS MULHERES
Nós as mulheres somos, esposas
E companheiras, amantes, mães e avós
Assumimos tantos papéis na vida
Merecemos ser sempre lembradas
Dia após dia, amamos, cuidamos, renunciamos
Cada uma de nós, merece ser chamada de heroína!
HÁ MEL E FEL
Há dores com e sem dignidade
Há sentimentos já sem amor
Há nostalgias realizadas com a lua
Há memórias com negro luto
Há amores perdidos, esquecidos
Há desejos que são fogo em chamas
Há marcas dos teus lábios na minha pele
Há lágrimas que caiem levando sal
Há deceções difíceis de esquecer
Há experiências que correm sangue
Há cicatrizes difíceis de apagar na alma
Há uma forte loucura no viver de hoje
Há quem prefira a mentira à verdade
Há vidas presas no tempo da saudade
Há sentimentos que são mel ou fel
Há amor que não é correspondido
Há feridas que não se conseguem curar
Há vidas que sem amor é preferível a morte.
OLHARES CÚMPLICES
Falámos muito, mas talvez
Não me recorde do quê, senti o teu olhar
Como o calor dos nossos corpos
Onde crescia o desejo, desejo natural
Tornámo-nos murmurantes
Nos silêncios, nos gestos, nos sentimentos
Sentados no escuro do quarto
Olhámos-nos sem maldade
Recordámos-nos onde que nos conhecemos
São ermos os nossos caminhos, com luar, com rosas
Noites silenciosas com calor
Apesar de tudo, estávamos vivos e apaixonados.

DIÁRIO
A quem eu chamei de amor
Ferido, congelando, guardei
Trancado numa caixinha de dor
Está o diário sonhador

ENQUANTO SANGRAS FLORESCES
O sal das lágrimas não secarão
A raiz deixará de sentir saudades
E os meus olhos não conseguirão fechar
Retratos da minha alma esquecida
Macieira em flor, pomar de retalhos
No meio do nevoeiro em cinzentas águas
Solta a âncora para atracar nos abraços
Que bailam nas palavras, ventania de triste vida
Para bater no fundo da esperança despida
E ao longe vejo-te como as flores desejam luz
Tecendo o perfume dos dias que nada dizem
Nas pedras que sagram dos beijos já dados
Enquanto sangras floresces em sentimento
Nas velhas primaveras das almas que lavras.

Comentários (9)
A Sra. Izabel morais. parabéns pelo seu aniversário... felicidades - . e parabéns pelo textos seus. abraços. no coração. Ademir domingos zanotelli.
Minha cara poetisa....Isabel Morais... escreves divinamente ... lamento pelo que passou em tua vida.... mas como dizem... tudo se suporta , menos o amor por si mesmo. e teus textos como este são (parcialmente) perdi-me de ti entre as pedras soltas das ruas. parabens.me visite. quando puderes ... pois tenho a lido de quando em vez. mais por falta de tempo. não por que eu assim o deseje. abraços. Ademir.
maria andrade
Em cada palavra escrita emergem emoções!
Maravilhosos poemas! Obrigada por compartilhar.



O amor soa alto e abrangente. Conserve-o altaneiro. A ti somente bênçãos.
Parabéns pela beleza da sua escrita!
Estou apaixonado pelos teus poemas Parabéns poetisa Abraço
Uns versos bem amados. No amor da nossa cumplicidade.