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AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

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Biografia
'' Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma breve lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.'' _ Itamar FS

Poemas

47

INCÓGNITA IRONIA

⁠Amar é a mais incógnita ironia da vida:
É querer sempre liberdade pra sentir,
Estando sempre preso por querer.

Itamar FS
570

MONOFOBIA

O terror de estar só é apenas ausência
de alguém
para registrar a experiência,
o que sobrar é solidão.

Itamar FS

623

DÓI...

Dói...

Quando seus olhos contemplam a ida do motivo de sua felicidade, 
e você se vê acorrentado, obrigado a ter que suportar o erro opcional 
de ter que deixa-la ir, sozinho.

Dói...

Procurar uma desculpa para se castigar 
em busca de igualar a maldade de te-la deixado partir, é tão comum...
Nos jogamos a um exorcismo de emoções, 
presente, passado, futuro. Futuro... Futuro... Sem ela...

Dói...

Esperamos que o tempo nos faça renascer das cinzas que nós mesmos idolatramos, achando que ela também venha renascer. 
Mas ela não vem. Não vem! Ela já foi!
Ela partiu e não achou uma mão que a impedisse de se ir.

Ela está com frio, com medo, com febre.
Ela está vazia, preenchida, transbordada.
Água, vinho, sangue.
Rosa, espinho, lágrima.

Ela chora por não encontra-lo e
Por saber exatamente onde ele está.

Dói...

Itamar FS


566

FILHO ÓRFÃO

Nasce o Filho! De qual pai é esta criatura
Que chora como um cão estrangulado, faminto,
Esperneando como larvas, moscas n'absinto;
- De que úlcera escorreu essa injúria?

Vem das Miríades - deidades prostitutas?!
Qual agonia essa praga vil reclama,
Logo ao nascer? Em qual seio qu'ela mama,
Nessa amálgama orgia entre putas? 

É só estorvo, monstro nu - feto infeliz!
O teu umbigo sangra, tem pus em teu nariz...
SER abortado, em teu ventre não há Órgão!

Ninguém jamais irá fechar-te a cicatriz,
Nem vais achar irmão algum, nem meretriz
Pra te criar, porque, aqui, és Filho órfão!

Itamar FS

578

O JUÍZO DAS FERAS

Na febre acre dos meus dias de agonia
Meu corpo sofre amargurado, contristente
Entre o pecado, ao pé de muita magoa ardente
Todo o terror em meu suor se esvaia.

Estando longe do prelúdio dos meus dias,
Prevejo o céu ou o inferno encontrar
No fim das horas, no soturno ou no algar:
Seria os anjos ou diabos meus vigias?!

Já o Senhor - este que a todos cala -
Espera ouvir de mim um grito, uma palavra
Que seja posta a pagar-lhe a vivência.

Creio que embora seja eu, um ser insano,
Não bastaria a ele eu ter que ser humano
E ter-lhe pago meu perdão na existência?!

Itamar FS


 
606

DOCE ILUSÃO!


Eu te tinha, mas, por querer demais,
Perdi o Às da minha pequena mão...
Pois nela não cabia segurar-te, de tão grande,
Amor; e em mim guardaste uma solidão.

Eu queria mais, sem querer demais,
Pra não perder-te, em parte - riso do meu coração.
Só restaram palavras de conforto, quando,
Em minha mão ficou teu rosto...Doce ilusão!

Itamar FS

623

ASTROS

Astros de brilho e cor, oriundo
Dos olhos almos dos deuses;
Essas luzes, na noite, por vezes,
Colorem os pecados do mundo.

Num rio de sonhos, em rútilo 
Percorrem os nossos desejos...
Poetas, astrônomos, gregos;
Se doam ao seu âmago bruto.

E agora, vendo-as assim, cristalinas
A pulsar nesse cosmo, incólumes, fiel
A regência das cousas divinas -

Passo a imaginar: que pecado cruel
Produziu nossas carnes actinas,
Para ter nos tirado do céu?

Itamar FS

595

SER FORTE

⁠Ser forte é mais que segurar o próprio corpo,
é ser capaz de abraçar a si mesmo,
mesmo sem sua camisa de força.


Itamar FS

597

ALMA CULPADA

Alma minha, que no empalo da maldade
Tem seu carrasco a própria chama.
Clamas ao Deus de tua angustia torpe
Para que finde a dor que a ti inflama.

Prostra-te no alto cimo de tuas turbas sorte,
Para que aches, à mercê, empíreo atino
Na Epigênese, que rutila à dor do exílio
Da decadência natural de tua prole.

Oh! Minh'alma, que na divina solidão atribuíste
Toda a verdade nua e crua, que, atenua
A oscilação de crer que o céu ainda existe.

Não vês que a febre da angustia consumiste,
E dela pôs-se a alimentar a sua culpa,
Desde o altar, que, sobre laudas, sucumbiste. 

Itamar FS

860

AMOR ONÍRICO

Em pequenas palavras exponho meu mundo,
Transbordado de graça, ao ver-te chegar.
Com efêmero riso em sal me inundo,
Ouvindo a porta, ao teu ir, se fechar.

Recorro aos meus sonhos pra te reencontrar,
E no onírico ponto eu quero estancar;
Pois não quero, jamais, que teu único amante
Pereça de enfado a te esperar.

Itamar F S

874

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