ivchristianmarrs

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Músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Perfil
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Eclipses

Tenho as minhas vontades ligadas
Aos mais pagãos ambientes do céu
Se está escuro, sou como o breu.
Se faz sol? Sou outro eu.
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Biografia
Nascido nos Países Baixos e de ascendência portuguesa, sou músico e licenciado em História, dedicando-me grandemente à criação artística, nomeadamente musical e poética. As viagens e tours com a banda Albaluna proporcionaram uma nova visão sobre a arte, altamente influenciada pelos motivos tradicionais e étnicos de todos vários sítios do Mundo.

Poemas

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Eclipses

Tenho as minhas vontades ligadas
Aos mais pagãos ambientes do céu
Se está escuro, sou como o breu.
Se faz sol? Sou outro eu.
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Ambigrama

Na urbe rugem ideias
Nos campos só gente rude
Porém, em aldeias, vi mentes cheias!
E cidades vácuas de virtude.

Se a silhueta ainda engana
Já o Valor, esse não ilude
Se disto tudo nada entendes
Então, por hoje é tudo!
201

avoN zuL

Hoje acordei no que pressinto
Num dia bastante convicto
Se amanhã for dia novo
Coisas novas logo sinto

Por hoje, se tudo se confirma
E se afirma pelo bem
Sem a força dos que rodeiam
Não sei chamar por ninguém.

Que não faça um novo retalho
Do que prometeu desvanecer
Para que nada de velho faça
Ser eu luz nova a morrer.

7/2019
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A Inveja das Aves

Quem dá verdade?
Se a quiser, quem ma vende?
É uma ave vespertina,
Que num só bater de asas faz do Mundo um sítio só.
Só e duvidoso,
Da janela que é portal sedutor e virtuoso
Para um lugar onde tudo sem nós
Acontece.
Pois nas flores nada se vê
Nem preocupação nem movimento
Nada de dor ou tormento.
E as pedras não nos lamentam
Perpetuam-se na ausência
Acusam falta de cadência.
E o mar não sofre
Por não nos ver descansar o cansaço
Por saber que a caverna nos tem no seu regaço
E as sombras são como pão duro
Que outrora atirámos ao lago
Dos que dançam à volta
Da fogueira do embargo.
Todo o vento sopra
Tudo permanece
Quando para todos anoitece
Mas nem por isso amanhece
Pois Aquele-que-sempre-é-e-domina
Homem-deus refém, em surdina
São meses longo dia sem rotina.
Homem-deus retém, em retina cobiça e devora
Inveja esse pássaro que frivolamente ignora
Que para nós há todo um Mundo…
Lá fora.

Março 2020
204

Ghazal: Shama’

MATLA’

No fim d’um novo acordar, em nós dormência de outra era.
Espaço p’ra nunca mais voltar, morta incandescência de outra era.

SHI’R II

Levita a chama e desvanece, roda filho de Mevlana
Fizemos nossa atmosfera que essência de outra era.

SHI’R III

Entorna-se o vinho na alma, adejar e aí logo arder
Ser cinza e de novo renascer, na existência de outra era.

SHI’R IV

Corpos tingem na sombra quente trejeitos de pantomima
Tal qual astro atingiu esfera que pertinência de outra era.

SHI’R V

Há ventos que roubam às folhas luzes que entre elas espreitam.
Sarāy de onde não volvera era a vivência de outra era.

SHI’R VI

Ver audácia nos lótus: da lama e desespero nascidos.
Da impureza – distinguidos da insipiência de outra era.

MAQTA’

Devolve-me -Corvo- a teu lar. Tu! Que foste um simples homem.
Deveras grande no dom de amar, eterna ardência de outra era?


11/4/2020, ghazal seguindo a tradição medieval persa
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