Suspiro de realidade Conto-me em paixão Plena fico Em cada contradição. Essa é a minha hora: Tema sem exatidão, Esse é o meu título: Tempo sem previsão. Tic-tac soam meus passos No chão: Donos do compasso eles são. Tic-tac: ouço dos meus pés A estação Com a minha noção de tempo: Caminho eles são.
Ela anda em seu jardim, O cemitério, Da terra um dia ela fez Nascer flor, mas terra ela colocou Por cima, e depois mais terra Ela fez a cobrir. Ela anda em seu jardim, O cemitério, No que antes camadas via, De camadas era feito, No que vida jazia, Agora jazigos imutáveis, Ela anda sem diamantes ou minerais. Não, não morra em vida, Não converta em pó o rosto, Não aceite o pálido sobre a cabeça. É um apelo de vida essa morte, É a vida que se vai dos corpos Que não mais a comportam, Aos que ainda caminham em passos Concretos e pulsantes Clamando ser inserida, reinserida. Ela anda por seu jardim, De flores esvanecidas, Tanta vida desconfigurada, Vida resetada, vida em marco zero. Não morras em vida, Não permaneça pálida, Vidas inteiras sopraram em suas veias, Odeie as caixas de madeiras, imensas, Quebre a lascas uma por uma, Destrua, desaceite, desconstrua A morte, sua caixa de madeira, Odeie a morte em vida. Não morra um poema pálido.
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Eu faço poesia porque não sei não fazer
Eu faço poesia porque não sei não fazer eu vivo cantando porque não sei não cantar tudo que eu faço eu faço de qualquer jeito porque não tenho jeito pra nada na vida estudar. eu ando torta e caio na rua brinco de casa e faço meu pensar em roda de lua. tudo de qualquer jeito sem jeito de começar nem final pra me apurar. no cair do dia minha façanha é sonhar de qualquer jeito de manhã me ponho o que o mundo estranha a aprumar. feito música que ninguém grava feito propaganda que ninguém entende. minha festa nem tem gente meu banquete nem tem nada de comer. meu jeito é andar pra frente. e que outro jeito a vida há de ter?
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Partícula Sóbria dos Perigos Constantes
Ao perigo de ficar Conto de como é partir Para os perigos de buscar, A casa é um perigo De paredes concretas E travesseiros sufocados. Dos perigos eu quis Os das asas quebradas A partir de mim A minha partida Por parte vezes inteira Por parte vezes sonhada, Partiram-se os perigos De lá e cá, Minhas fronteiras Tomando partido Da minha obra inteira. Nem distante Nem errante, Partícula sóbria Dos perigos constantes. É perigoso ficar e partir-se. É perigoso partir e encontrar-se.
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Gira a Alma Com Passos Maiores
É o que vem a desenhar o compasso Num passo a passo dos traços nossos, agora Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se É o nos fazer girar esse compasso Que de agora os passos nada de antes se classifica É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir Não há redores dele a passar-nos No que é nossa forma e nosso conteúdo. Alguns passos outros e passamos a girar Nele, tempo nosso, escalas menores No que d’alma atributos maiores Os passos eu não conto no desenho Passo os traços no agora Venho e faço descompasso A girar vida afora Roda grande que fecha Roda de dentro se abre Passa o tempo a ser nosso Gira a alma com passos maiores
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Plena Fico em Cada Contradição
Suspiro de realidade Conto-me em paixão Plena fico Em cada contradição. Essa é a minha hora: Tema sem exatidão, Esse é o meu título: Tempo sem previsão. Tic-tac soam meus passos No chão: Donos do compasso eles são. Tic-tac: ouço dos meus pés A estação Com a minha noção de tempo: Caminho eles são.