Na manhã que te levou Na tarde que não se cala No beijo que não te esquece No abraço que ainda aquece Na noite que te esperou Na cama onde agora dorme o frio Na tua ausência doída Num quarto vago e vazio A saudade deita seu corpo Junto ao teu corpo macio
na noite onde o silêncio é o postigo antigo de um sentimento ouço teus passos a andarem em mim ficam, em mim, as marcas dos teus pés como se areia eu fosse ficam as gotas salgadas a escorrer como se mar houvesse entranho-me numa concha como se ondas ouvisse ficam na noite teus olhos de estrelas a derramar as fragrâncias de uma primavera a soluçar os medos da noite inditosa a arder a lembrança do que um dia foi Amor ficam os nãos versejados e a morrer da morte mais intensa que em fumos se desfaz morrem os não quando eles já não nos servem mais a voz ouvida ao longo do vento sibilando por entre as frestas de um passado envelhecido entontece a flor que brota no seio da solidão o vento vagando na noite é uma réplica do que foi meu coração quando a noite espargia o silêncio nas várias faces do vento e guardava a minha Alma na renuncia rútila dos astros guardava, na pálpebra do sonho, o que de mim ainda sou... ...e o que eu ainda sou é crepúsculo de barco a deriva a vagar pelas ilhas inescrutáveis dos meus sentimentos a deslizar sigiloso na transparência dos ventos errantes desvelando a aragem silente do que de mim restou
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Correnteza
Há nas minhas noites o cálido sabor de você O ardente e molhado gosto do nosso beijo O gesto intenso e macio do nosso toque Há nossos corpos lúbricos, tão quentes, Há o desejo fremente fito na tua boca Existe o querer dos meus olhos no Sim azul dos teus olhos sequiosos E no ar, roçando a nossa pele nua, Há uma volúpia, um sutil calafrio, Que nos molha a pele em gozos E escorre pelos nossos corpos Como a eterna e intensa Correnteza lasciva De um rio
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Carinhos
Hei de me perder em teus instantes Quando a noite vestir-se de carinhos Desnudar-nos em beijos de amantes Guiar-me ávido pelos teus caminhos
Hei de sorver teu corpo em desalinho Na madrugada nua e clara da aurora Beijar tua flor lentamente, gostosinho Bebendo o teu gosto ébrio que aflora
Na minha boca tu bebes o teu sabor No beijo que eu te trago ternamente Nossos corpos ainda falam de amor Enquanto o dia nos espia docemente
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Versos insones
Um tempo infindo trouxe você pra mim Um tempo sem hora, sem dia, sem mês Um tempo onde só havia o soar Longo do vento na noite imensurável Dizendo ao meu coração teus sonhos Lançando fora os véus que o encobriam E onde o amor se perdera em fugas Esquecendo a ternura do beijo alvo da alma Disse a ti as palavras que em mim morriam Disse do meu medo e da minha dor Falei da noite que me esconde A noite onde o meu ser se dissolve Em rotas de um labirinto inescrutável Pousastes a mão sobre os meus lábios Para que o silencio deles não partisse Para que o gesto pudesse se expressar E na palavra contida nos teus gestos Ouvi o bem dizer da ilusão do alento Onde tuas mãos bebendo do meu corpo Sussurravam os versos insones que te fiz Na esteira das luzes que apagaram a madrugada
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Adeus
Entre as palavras não ditas Há muitas flores formosas Há orquídeas, lírios e rosas Há flores que nem acreditas
Entre o silêncio que esquece De dizer as palavras inteiras Há vozes, sutis brincadeiras Que a tua razão desconhece
Entre o sentimento que fica Como se fosse a lua e o sol Como a tarde lilás do arrebol Há o tempo etéreo que purifica
Entre as minhas mãos e as tuas Ficaram a emoção e o carinho Que mesmo eu estando sozinho Há o calor das lembranças suas
Entre os meus lábios e os teus Há a dor da palavra que chora Que foi dita quando fui embora A interminável palavra do adeus
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Queria ser teu amor
Queria ser teu amor Ainda que por um dia Cantar, rir-se da alegria Sentindo o teu coração Sussurrando junto ao meu peito A nossa doce canção Ah! Meu amor, como eu queria Trançar minhas pernas nas tuas Beijar tuas costas nuas E com os dedos, sutis Ir acariciando a tua pele Com meus sonhos pueris Beijar-te o ventre e o colo Fazendo o tempo parar Te acolher em meus braços Te dar beijinhos, abraços Quando o cansaço chegar Quando o cansaço surgir Me aninho em teu corpo quente E entre beijinhos frementes Me deito em ti pra dormir.
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Quando tu fores
Eu penso a dor que há de ser quanto tu fores Quando o momento de partir crescer em mim E o beijo que nunca foi dado rir-se do seu fim Enquanto a voz grave do adeus cala as flores
As noites hão de ser constantes madrugadas Caminhantes notívagas num céu adormecido Por onde anda o vento frio, triste e esquecido Murmurando passos quiméricos nas estradas
Ah! Quando em teus olhos a cor do céu fugir Quando o mar em densas brumas me encobrir E o meu olhar imerso em dor não mais te ver
Que o vento arraste as cinzas nuas da saudade Para que o meu coração esqueça de te esquecer E para que este amor faça-se em mim eternidade
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Pra onde vou?
Pra onde vou se agora a vida me trouxe você E nossos momentos são sonhos que em mim se realizam? Pra onde vou se te esperar tornou-se a inteira poesia E os meus beijos aninham-se no teu corpo Como os versos aninham-se nos poemas? Pra onde vou se agora tua mão tocou a minha E os teus dedos, trançados aos meus, disseram tanto amor? Pra onde vou se agora o dia acorda e dorme em você E nas minhas noites o perfume do teu corpo embebe o ar da minha imaginação? Pra onde vou agora que os meus lábios tocaram os teus E a sede molha a lembrança dos nossos dias e das nossas noites? Pra onde vou se a tua ausência é tudo que tenho depois do nosso amor E na minha pele o teu gosto fica como o desejo ainda latente? Pra onde vou se agora quando apago a luz é o seu toque que sinto na penumbra que me encobre? Pra onde vou se agora quando o silêncio dormita é a tua voz que ouço? Pra onde vou se agora meus caminhos, tão distantes, esqueceram os próprios passos? Pra onde vou se agora tudo que sinto é você Tudo que sonho é você Tudo que quero é você Tudo que amo é você E tudo que tenho é saudade?
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Distância
Porque dizer desta distância Se a distância é só saudade Se há entre nós tantos céus E tantos rios e tantos mares Se a saudade de quem falo é a mesma em todos os lugares é a mesma que espera ali adiante Fazendo do longe o mais distante Apertando o passo pelo mundo afora Encobrindo as noites com um véu escuro Fazendo do hoje um tempo antigo E do passado um tempo que não vai embora
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Afeto
Queria que a tua manhã fosse Divina Que Deus pusesse a paz entre os teus dedos E o teu riso franco e doce de menina Fosse maior e mais forte que teus medos
Queria que a lua acesa que à noite ilumina Brincasse de esconder com teus segredos E os teus sonhos, minha doce pequenina, Brotassem belos como as flores nos rochedos
Queria que o dia fosse espiar na tua janela Com seus olhinhos de candura, cor de anil E ao te ver, menina, tão meiga e tão bela
Visse que és mais uma flor que se abriu E encantado com o amor nos risos teus Te recitasse em poesias aos pés de Deus