J L Silva

J L Silva

n. 1959 BR BR

n. 1959-08-23, Florianópolis

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Ausência

Na manhã que te levou
Na tarde que não se cala
No beijo que não te esquece
No abraço que ainda aquece
Na noite que te esperou
Na cama onde agora dorme o frio
Na tua ausência doída
Num quarto vago e vazio
A saudade deita seu corpo
Junto ao teu corpo macio
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Poemas

18

Quando tu fores

Eu penso a dor que há de ser quanto tu fores
Quando o momento de partir crescer em mim
E o beijo que nunca foi dado rir-se do seu fim
Enquanto a voz grave do adeus cala as flores

As noites hão de ser constantes madrugadas
Caminhantes notívagas num céu adormecido
Por onde anda o vento frio, triste e esquecido
Murmurando passos quiméricos nas estradas

Ah! Quando em teus olhos a cor do céu fugir
Quando o mar em densas brumas me encobrir
E o meu olhar imerso em dor não mais te ver

Que o vento arraste as cinzas nuas da saudade
Para que o meu coração esqueça de te esquecer
E para que este amor faça-se em mim eternidade
1 157

Pra onde vou?

Pra onde vou se agora a vida me trouxe você
E nossos momentos são sonhos que em mim se realizam?
Pra onde vou se te esperar tornou-se a inteira poesia
E os meus beijos aninham-se no teu corpo
Como os versos aninham-se nos poemas?
Pra onde vou se agora tua mão tocou a minha
E os teus dedos, trançados aos meus, disseram tanto amor?
Pra onde vou se agora o dia acorda e dorme em você
E nas minhas noites o perfume do teu corpo embebe o ar da minha imaginação?
Pra onde vou agora que os meus lábios tocaram os teus
E a sede molha a lembrança dos nossos dias e das nossas noites?
Pra onde vou se a tua ausência é tudo que tenho depois do nosso amor
E na minha pele o teu gosto fica como o desejo ainda latente?
Pra onde vou se agora quando apago a luz é o seu toque que sinto na penumbra que me encobre?
Pra onde vou se agora quando o silêncio dormita é a tua voz que ouço?
Pra onde vou se agora meus caminhos, tão distantes, esqueceram os próprios passos?
Pra onde vou se agora tudo que sinto é você
Tudo que sonho é você
Tudo que quero é você
Tudo que amo é você
E tudo que tenho é saudade?
1 066

Distância

Porque dizer desta distância
Se a distância é só saudade
Se há entre nós tantos céus
E tantos rios e tantos mares
Se a saudade de quem falo
é a mesma em todos os lugares
é a mesma que espera ali adiante
Fazendo do longe o mais distante
Apertando o passo pelo mundo afora
Encobrindo as noites com um véu escuro
Fazendo do hoje um tempo antigo
E do passado um tempo que não vai embora
1 081

Afeto

Queria que a tua manhã fosse Divina
Que Deus pusesse a paz entre os teus dedos
E o teu riso franco e doce de menina
Fosse maior e mais forte que teus medos

Queria que a lua acesa que à noite ilumina
Brincasse de esconder com teus segredos
E os teus sonhos, minha doce pequenina,
Brotassem belos como as flores nos rochedos

Queria que o dia fosse espiar na tua janela
Com seus olhinhos de candura, cor de anil
E ao te ver, menina, tão meiga e tão bela

Visse que és mais uma flor que se abriu
E encantado com o amor nos risos teus
Te recitasse em poesias aos pés de Deus
1 206

Amortecedor

A
AMOR
AMORTE
AMORTECE
AMORTECEDOR
1 114

Ausência

Na manhã que te levou
Na tarde que não se cala
No beijo que não te esquece
No abraço que ainda aquece
Na noite que te esperou
Na cama onde agora dorme o frio
Na tua ausência doída
Num quarto vago e vazio
A saudade deita seu corpo
Junto ao teu corpo macio
1 051

Luas antigas

Espero o mar silente preencher o escuro da noite das luas mais antigas, ancestrais
Que em silêncios arrasta-me para o porto dos barcos rumo ao infinito, nada mais
Pelos caminhos de fogo e águas, razão e loucura, abismos inatos do meu céu
Onde as aragens sorvem em goles os meus pensamentos como a um fel
Onde as miragens viram teus olhos irem embora rumo ao oceano
Nos caminhos por onde andam as mágoas, anda o engano
Anda o ventre túrgido das saudades, uma velha amiga
Espero, no mar silente, a noite da lua mais antiga
No achar e me perder sem fim, sem nada ter
Na saudade que ficou retinta em meu ser
E que como um manto em mim cingido
Me agasalha como um traje puído
Como uma velha roupa rota
Como uma palavra solta
Que não serve mais
Espero a noite das luas mais antigas, ancestrais
Para que estes sentimentos opacos e banais
Onde caminham o fim dos meus passos
Possam calar os meus cansaços
Debicar os meus momentos
Confranger os ventos
Ver nascer a flor
Nascer o dia
Nascendo
O dia
...
Me
Encontrar
Amor

1 194

O homem

Se a noite esconder todas as estrelas,
se no céu sobrar somente o breu e a lua,
se a saudade fugir com os nossos sonhos,
se a flor murchar e morrer em plena rua,
se a esperança se desfizer toda em quimera,
se o medo da vida se apodera,
se à amizade a falsidade desvirtua,

Ainda assim, amor,
restará a crença pura no afeto para nos suster enquanto há vida.

Se o vento arrastar nossos momentos,
se as nossas vozes o silêncio apagar,
se parados esperarmos novos tempos,
se a cegueira vier para nos guiar
se as nossas almas chorarem doloridas ,
se a sina vier a reger as nossas vidas,
se o sol ao meio-dia se apagar,

Ainda assim, amor,
restará a fé intacta no amor a nos manter enquanto há vida.

Se o homem a outro homem devorar,
se a guerra for o diálogo dos Senhores,
se a vida de um homem valer pouco,
se o homem para aqui só trouxer dores,
se o homem só evoluir externamente,
se a liberdade for pra um dia lá na frente
se na vida o amor for só rumores

Agora, sim, amor,
nada mais nos restará!
1 021

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