jaiamiranda

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Do sertão. Em constante andança.

n. 0000-02-07, Guajeru Bahia

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Para além de fantasias


Não acho!
Não ardo.
No árduo pio
Do mentiroso
Não rebaixo, coisa alguma.
Não acho!
Procuro, faço
Me arrisco pelo que é
Justo e
Real em demasia.

Fantasias
Ensinam aos poucos
O segredo das sangrias
De concreto, olhos e névoas tardias.

Não acho!
Não ardo.
árdua
Me arrisco
Pelo que é justo e
Real em demasia.
Pela sangria desatinada dos
Ossos.
Não posso
Não acho.
Procuro
Faço
Confio
E passo
O caso para você.
Vê.
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Poemas

2

Esconderijos

algumas poltronas me intimidam,
algumas noites me iluminam,
algumas danças me aquecem,
alguns soníferos me acordam
e eu me preocupo com o que é real. 

algumas palavras me decepcionam
alguma me dá razão suficiente 
para a determinação 
e viver.

algumas páginas me empurram 
contra a parede
algumas sombras me entorpecem 
e eu me perco num labirinto de palavras.

algumas vezes não me sinto segura nos dias
nem nas noites 
e meus sonhos são uma mostra real
do exaspero 
do suspiro
do desejo 
de me enturmar com a realidade presente.

algumas olhadelas me deixam 
erguida num fundo infindo
dum vale de desconhecidos sentimentos
dentro de mim.

algumas vezes por dia
não me conheço, não me abalo, 
não me esqueço
e me acalmo.

o passar dos dias me faz crer
que sou real, sou concreta
sou existência,
sou espiral de muitas de mim reunidas
geometricamente,
enlouquecidamente
desejando ser menos tímida.
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Palavra é espelho


Escrevo para não esquecer-me das coisas!
Não é medo,
Escrever é um porto
No meio do
seio
De um oceano azul gigante
colossal.
 
Escrevo para lembrar
Que não há fim,
Que não se procura
A perder-se em agonia:
Onde só há imensidão
Entrega-se.
Dá.
 
Dispõe-se à vida:
Das cóleras às vésperas,
Ao que se sonha
Às ásperas esperas,
Às horas esfomeadas de gente
De mala e coragem. 
 
Por isso escrevo
Porque sei que assim
A vida não se encarcera
Não se circunscreve
Não se desaquece e passa frio
Pela ausência da flor-es(s)cência das palavras.

O que elas transportam
Em suas asas
No mar despedem.
Velejam e ancoram
 Ancoram e velejam
Na sombra e na luz 
do mar (a) mar incomensurável 
da coragem, da essência do que se conhece profundo,
do que se é. 
É o encontro da alma com a vida!

Esqueço para me lembrar
Que tenho de escrever
E não é medo!
É que eu balbucio
As ideias mais trêmulas
Que me arrancam da cama
Entregam-me à trama estonteante
da caçada pela imensidão da mulher-lida.

Escrevo quando vejo o sol,
Ele é um espelho cortinado
de sombra penetrante, raios
tocando a pele dos olhos
e a pele da pele
de tudo o que vive, tudo
 existe.
O sol é um espelho,
Seus raios são mulheres sonoras
Apelidando pássaros-pessoas.

 O sol é um espelho. `
Mágico-real.
Admirável realeza sem condecorações
Sem excessos, sem ausências. 
Minhas palavras podem dizê-lo agora.

Escrevo para guardar comigo
As labaredas solares,
Mulheres-aves de toda a química do ar.
Escrevo para lembrar-me de coisas
- Que não sei o nome –
Escrevo para guardar-me com elas
Para correr distâncias delas
E depois...

...Perto dum sangrador de águas
Debaixo de uma aroeira e um vendaval
Encontrar-nos
Veementes.
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Comentários (2)

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joaoeuzebio

LINDO POEMA MOVENDO SE EM PALAVRAS INFINITAS UM ABRAÇO GOSTEI MUITO

Kennedu
Kennedu

Muito bom!