Mistério
adorava te observar
via em você um mistério
dífcil de decifrar
mas que fazia cada vez mais
meu coração pulsar e querer te amar
Recomeçar não é esquecer a dor.
É olhar para ela sem se abandonar.
É saber segurar a própria mão.
O amor próprio nasce assim:
pequeno no início,
quase tímido,
como uma flor crescendo entre ruínas.
Então um dia você se escolhe.
Sem culpa.
Sem medo.
Sem diminuir a própria luz para caber em alguém.
E percebe que recomeçar
talvez seja isso:
voltar para si mesma
e, finalmente, sentir-se lar.
Eu queria tanto dizer que eu te amo
com todas as letras, sem medo,
em vez de dizer um tímido “te adoro”.
Você dizia que um dia falaria,
que guardava as três palavras
para algo especial,
como se o sentimento precisasse de cenário.
Mas o tempo passou —
e o tal momento nunca chegou.
Faltaram palavras,
faltou atitude.
Estranhamente, foi só quando eu fui embora
que você encontrou coragem.
Foi só no término que o "eu te amo" apareceu.
E eu me pergunto —
por que precisou me perder para dizer que me amava?
Eu me recuso a voltar para o lugar onde eu me perdia aos poucos,
Que me fazia me sentir sobrecarregada,
onde eu já não cabia inteira.
Havia nós
e havia um terceiro sempre presente:
os problemas, os pesos, ocupando uma relação que era pra ser leve.
E eu fiquei cansada.
Cansada de tentar equilibrar o que não era só meu,
de esperar um amadurecimento emocional que não veio;
cansada de terminar todas as discussões falando sozinha;
de me diminuir para caber no que não me acolhia.
Hoje eu entendo:
amor não deve ser exaustão,
e eu sinto que mereço mais;
Mereço um amor leve;
mereço alguém que pergunte sobre os meus problemas e não só os dele;
mereço ser lembrada todos os dias;
E, acima de tudo,
hoje eu sei:
eu nunca pedi demais.
Eu só precisava entender que o amor também deve me fazer bem.
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