João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

n. 2000 BR BR

A quem interessar: https://www.chiadobooks.com/livraria/um-cenario-causado-por-terriveis-escolhas

n. 2000-09-26, Ouro Preto

Perfil
23 881 Visualizações

castanheira

quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
Ler poema completo

Poemas

5

O lugar onde estou agora

Se agora estou perdido
É porque não há estrelas nessa noite
Mas lá longe eu ouço o latido
De um cão sofrendo do açoite 

De olhos fechados vou percorrendo
Num caminho cada vez mais escuro
Ouvindo o barulho de quem está sofrendo 
Para encontrar o caminho que tanto procuro

De frente para uma árvore percebo que voltei
Para o mesmo lugar de onde parti
O meu caminho nunca mais encontrei
E os ganidos do cão eu nunca mais ouvi

Foi sobre um céu que deveria ser estrelado
Em meio às árvores e à escuridão 
Jamais poderia ser encontrado
Jamais poderia encontrar uma solução

E sentado, esperando que algo aconteça
Milagrosos latidos começo a ouvir 
E por mais surreal que pareça
Desta escuridão não pretendo mais sair

Nesse lugar que já não me traz apatia
Sinto um fresco vento do Norte 
E como tudo está em perfeita sintonia
Espero tranquilo a chegada da morte
248

megera

as asas que me perseguem, furiosas
clamam sobre mim o poder de decisão
mas ainda que deleguem,por outrora
não têm poder sobre essa divisão
feita pelo som, que arde para proteger
o pouco domínio que tem sobre mim
mas um dia será tarde para conter
a fúria das asas que caem sem fim


246

Verso

Perguntaram-me de maneira despretensiosa
E me deram uma carga onerosa
Queriam saber se sou a favor do verso
Respondi, em tom perverso

Que sou a favor
do verso
mas
na











verdade
e                                                   u


ñ 








































to nem aí























































































199

Não verás nenhuma cor

Se te digo a cor azul
Que entendes sobre o céu ou sobre o mar?
Pois não pensas no abstrato
Como folhas e sangue e areia
Pois se te digo a cor azul
Não te recordas de sentir-se
Tal como alguém que está sufocado
E atirado aos cães e pedindo perdão?
Por que não pensas na alegria que sentiu?
Na paixão que viveu, na morte que chorou?
Não entendes por hora
Que se lhe digo a cor azul
Pensas em um som que ouviu
Há vários e vários anos atrás
Lembra daquele cheiro doce
Que era tão azul quanto o gosto
Daquela fruta barulhenta que comeu
Mas a fruta não era azul, pois era a cor vermelha
E se te digo cor vermelha
Lembras de um dia que o céu era azul
E da cor azul pôde concluir que naquele dia
O céu de fato era vermelho
Pergunto-lhe então
Qual é a cor do sal na ferida?
Disso nada entendes uma vez que o sal
Já não é tão branco quanto o céu
Nem tão quente, nem tão frio
Se te digo a cor azul
Tenha certeza que não irá sentir
Nada além de incerteza
240

som

sabe o som?
não me és estranho
bate na minha porta
carrega uma cruz
sofre todos os dias mas não pede
nem um sorriso em troca
e quer saber de uma coisa?
ele realmente não merece
239

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
CORASSIS

Parabéns pela tua poesia !

Thaís Fontenele

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?