João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

n. 2000 BR BR

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n. 2000-09-26, Ouro Preto

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castanheira

quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
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Poemas

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Noite de calafrios

quando nos atacam em nossas próprias casas
mandando na nossa vida e na nossa morte
dizem que dois e dois são quatro
quando na verdade todos sabemos que são cinco
negamos até a morte qualquer verdade
saída da boca imunda desses triviais
agentes do futuro e qual passado vemos
nos vemos na mesma posição de carrasco de nós mesmo
mas no futuro pois somos nós mesmos no futuro
eis a verdade; não queres olhar no espelho pois o que é visto é 
uma imagem de um ser violento e com uma raiva interna
capaz de matar qualquer um que pergunta
"como foi seu dia", não dormiu bem e desconta
essa raiva nos outros que não têm nada a ver com os seus problemas
não reconhecem a natureza e negam portanto a violência que és
violento por essência por essência no fim irá matar para poder
simplesmente viver e morrer em nome de Deus meu deus
por que me deu a morte tão longe de mim e me fez 
ouvir o som da tormenta?

A minha visão leva para cima
o olhar de todo o mundo que eu percebo
torna-se difícil de entender
nessa noite em que sinto numerosos calafrios
causados pelas drogas e pensamentos
sinto que o ser humano precisa deixar
de ser humano se quiser continuar a escrever
uma história marcado por indecisões e erros e 
ideias que deram errado e falsos mensageiros
de uma nova era que está por vir
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morte e vida se explicam sim eu estava errado

apareceu para mim um tal de allen ginsberg
então eu tive um insight e percebi
que bêbado eu era melhor apesar de tudo
contemplei o jazz
e resolvi fazer análise com psicólogos
mas no fim eu já sabia que era louco
que nada nesse mundo me salvaria
que já tentatara cortar os pulsos
que escrevia pra ninguém ler
que não sabia amar
que morria de fome
que tinha erros de digitação
e que já não aguentava mais
que quando eu disse
"me deram três dias
mas vivi três décadas de sorte'
eu vivia o remorso de ter mandado pra puta que o pariu
e tentei suicídio alguns dias atrás
que os homens tem culpa
que eu sou só mais um
que eu não pedi pra nascer
que aprendi a ser sozinho
que eu não me conformo em ser sozinho
que eu não gosto de pessoas
que eu preciso de pessoas para não enlouquecer
que os músicos morrem de fome
e que precisam pagar uma pensão de 15 reais para fumar crack
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castanheira

quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
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setas e flechas

vivi para voar e ver do céu as hostes romanas
marchando sobre rios e rios, montanhas e céus distintos
senti no peito a dor de um flecha certeira
e todos os dias essa ferida sangra um pouco mais
morro ainda em janeiro não chego em fevereiro
mais um ano é impossivél, vivi para sonhar com a marcha
infinita dos homens que vão trabalhar e chegam em casa
mais famintos do que saíram
se tiver que sonhar, não sonhe com as cores do dia
o mundo antigo era mais belo pois não enxergavam aqueles
mortos de fome que tentam entender todos os dias
por quê os dias estão demorando tanto para passar
mas quando passam acabam sendo iguais aos anteriores
e depois de amanhã, vou saber da verdade
e se a verdade não me satisfazer
depois de depois de amanhã
morro ainda em dezembro, da ferida da flecha
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o mar torna a areia inútil

cansaram-se os homens já disseram que foi o fim
cansaram cansaram cansaram 
cansaram de esperar a canção vinda do som
que lhes prometeria enxergar para sempre todas as cores
e partiram a perguntar para qualquer um que
ousasse lhes responder
que entendes por azul? meu amigo
eu não sei de mais nada
se agrada a sua pessoa
sinta-se livre para me matar
aí está o meu corpo, que não sou dono
está aí para todos tomarem posse
mandam e desmandam
e depois que se cansam os homens
fazem de tudo para procurar mais um
para saciar a vontade de matar alguém
é de longe que observo
de perto me vejo perdendo, me aproximo cada vez mais
e já não quero me encontrar
começo a atribuir lugar para os pensamentos
mas não encontro uma estante para guardar
aquilo que entendo por azul
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Comentários (3)

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CORASSIS

Parabéns pela tua poesia !

Thaís Fontenele

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?