Aqui no deserto...
... minhas terras estão secas
Meus filhos foram embora
Para as terras atrás dos altos montes
Vento Sul, a nuvem no céu traz para mim
Venenosas são as águas
Que as serpentes rastejam, até a minha casa
No fundo do poço, disseram-me vampiras de almas
"Eis este espelho de carne, contemple-o!"
Pois eu peço
À estrela iluminada, que traga meus filhos de volta!
E se o Senhor não existe
Nada é permitido
A consciência, criadora da realidade,
Torna intrínseca a moral humana
Que sei eu de moral humana? Pergunto-me,
Mas eu sei apenas que
Não faz mal o pai ao filho
Nem faz mal o filho ao pai,
Dizendo que a vida é uma mentira
E que a morte é apenas um céu vermelho
E a memória clareando o céu
Me fez matar este andarilho
E eu que, agora, fui sete vezes maldito
Ouvi o suspiro final: "Amei o meu irmão!"
Ainda bem que minha lógica se sustenta
Pois hoje é igual ao ontem
E o ontem foi igual ao hoje.
dia quinze
vivendo nesse alcoolismo de pensamentos
quando penso A, falo B;
falo B, e escrevo C;
mas continuo me imaginando em D.
e mesmo assim eu sigo a vida
meio nada com nada
meio blasé
Escravo
Não acredito mais em solidão
Ninguém nunca nasceu sozinho
E jamais morrerá; mesmo que há de morrer consigo mesmo
A verdade é que somos
Escravos de sensações, iludidos pela máquina
E pelo fim do mundo, a corrupção humana
A memória imaculada e irrestrita criando realidades,
Todos são artífices e peões da consciência
Continuo andando
Pensando em tudo, não olho para o caminho que segue
Meus olhos fitam o chão, procurando degraus
Para eu não tropeçar
Pois eu Sou O Senhor
O qual ajoelham perante tamanho poder
De transformar palavras em sensações
Irreais azul
Eu Sou O Senhor Azul
Que formas euclidianas te limitam a entender
Acorde, e não perpetue o sonho
Pois o sonho, em algum, momento tornar-se-á real