João

João

n. 0000-00-00

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Cidade.

Só quero respirar.
Quero partir e não voltar.
No meu ou no teu ar,
o ar é o que eu quero.

No nublado acinzentado,
quando o sol acorda,
ainda vejo a lua
que à volta da terra roda.

Solta um adeus timido
e rápido se esconde,
rápido adormece
e no sol se encobre.

O fraco sol que no dia,
pouco aquece
dá lugar uma lua viva
que aclara as almas frias
no meio da noite e da pressa.

E enquanto todos dormem,
romanticos o sol e a lua,
vão amar os seus corpos,
deixando a cidade nua.
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Poemas

13

M de França

Tenho a tua letra num papel
num papel velho e rugoso
onde vejo o que senti
numa noite em estava ofegoso

o vento que me arrepiava
o teu sussuro que me excitava
com as velhas botas que usavas
encadeavas-me enquanto te observava

levava-me com a tua boca
as palavras eram mais leves
sorrias e abraçavas-me
e eu sentia o calor das nossas peles

o meu corpo ainda te sente
ainda mais do que antes
o antes foi bom
as horas eram instigantes

tanta coisa para te escrever
tanta coisa para descrever
e quando eu vejo a tua letra
tenho medo de me esquecer.






247

A mentira tem coragem

Ouve o que sempre te quis dizer
agora que tenho coragem
enquanto brinco com a mentira
as palavras voam com a aragem

Rompem o azul dos ceús
andam sobre o azul do mar
com o teu verde vem o silêncio
e sei que o silêncio também pode falar.
174

Pelo Mar

pelo mar viajas,
mas pelas ondas te enganas,
como um capitão que não sabe as marés
vives atado até aos pés

Num barco que não conheces
perto está a dor
sentes o prazer
sem saber o sabor

Não páras para sentir
e avanças sem parar
o mar está-se a rir
e a terra a dançar

Mas a vida segue
e cega anda
siga quem quer
e cega quem quiser.


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