joaquim_ribeiro

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Parado

Parado no tempo
um tanto isolado,
enquanto me sento
numa paragem de autocarro.
Contemplo a arena,
contemplo o templo
de uma simples praça
em que rezas são como vento.
Ninguém se move,
ninguém pára.
Jaulas em comboios,
carros e tascas.
Um polícia na esquina,
agente de autoridade
complicada vida,
odiado pela sociedade.
Um motorista bêbado que urina
cerveja a mais.
Último serviço
depois é pinga,
será que finda?
Uma miúda que se pinta,
por uns padrões abstractos
quer ser mais uma uma.
Com um pincel aplica tinta,
torna-se igual, qual básica tela
E eu,
eu estou parado,
isolado no tempo
enquanto penso
que sou diferente.
(Serei mesmo?)
Tudo parado com a sua máquina
na paragem de autocarro
Vou para o trabalho,
sou mais um escravo
não sei o que faça.
Sou mais um polícia
um alcoólico motorista.
No fundo não sou tão diferente,
daquela simples, inocente rapariga.
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Poemas

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Sexta-feira

Uma noite de sexta-feira no meu bar habitual. Sento-me, peço um whisky para lavar a minha alma. Lavar ou perturbá-la? Bem, não interessa, sinto que a estou a lavar. Duas pedras de gelo para esfriar o coração que ferve. Sento-me na mesa usual, a do canto onde vejo o meu redor. Tanta gente entra e sai, cada grupo mais barulhento que o anterior. O álcool alimenta o grito e a extroversão humana. Vou no meu terceiro cardhu, que classe... Nunca a tive, um primitivo animalesco de vontades primitivas. Comer, beber, desfazer-me, morrer. Aí vejo-a a entrar, metro e meio de curvas estonteantes que me fazem ficar cego. Nada vejo à minha volta. Acabo a minha bebida de um trago ao levantar. Ela reparou em mim. Vejo-a a ler-me, olha para mim de alto a baixo. Quer comer-me. Vampiresca. Uma tez pálida, toda vestida de preto e com uma franja castanha-avermelhada que faz lembrar o tom aveludado da mais bela lingerie. Um piercing a meio do lábio inferior torna o seu sorriso ainda mais sedutor. Meto conversa simples para a cativar. Não se cativa... Foda-se, vou ter de gastar dinheiro. Pergunto-lhe se quer uma bebida, responde-me que sim. Diz que quer um gin, ainda tenta aparentar mais classe do que eu. Estou lixado com esta. Gasto tanto, o fim do mês vai ser penoso. Rimo-nos, mentimos um ao outro pois nenhum quer mostrar o ser frustrado que é. Sabemos os dois onde isto vai dar, a pergunta é em minha ou na dela. Leva-me ela. Vive numas águas furtados de um velho apartamento já centenário. Que memórias ancestrais, amorosas ou macabras, teram passado naquele quarto? Ela estica duas, espevitada, marada, gosto tanto. Fazemos amor a noite inteira (ou será apenas sexo?). Dou tudo de mim, não consigo não o fazer. Mais do que eu, gosto de presentear a fêmea com o êxtase. Nada melhor do que as costas a escorrerem sangue para sentir que o trabalho foi bem feito. Faço dela o que quero, petiz e maleável que nem uma ginasta. Tem um, dois, três orgasmos em poucas horas. Suga-me, como um vampiro à sua presa, e eu venho-me. Depois do coito diz que me ama. Eu? Eu amei a noite minha querida, mas aquele fantasma do passado não me deixa apaixonar. Mas eu fico, pode ser que sinta esse calor que envolve, aquele que nem um sem-abrigo deixaria morrer de frio. Vou experimentar isto outra vez. Será morte certa? Será que me vou arrepender? A cópula é incrível, vou deixar o tempo passar. Se um dia o meu corpo for encontrado sem energia, a razão foi por demais amar os pecaminosos prazeres da vida.
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Parado

Parado no tempo
um tanto isolado,
enquanto me sento
numa paragem de autocarro.
Contemplo a arena,
contemplo o templo
de uma simples praça
em que rezas são como vento.
Ninguém se move,
ninguém pára.
Jaulas em comboios,
carros e tascas.
Um polícia na esquina,
agente de autoridade
complicada vida,
odiado pela sociedade.
Um motorista bêbado que urina
cerveja a mais.
Último serviço
depois é pinga,
será que finda?
Uma miúda que se pinta,
por uns padrões abstractos
quer ser mais uma uma.
Com um pincel aplica tinta,
torna-se igual, qual básica tela
E eu,
eu estou parado,
isolado no tempo
enquanto penso
que sou diferente.
(Serei mesmo?)
Tudo parado com a sua máquina
na paragem de autocarro
Vou para o trabalho,
sou mais um escravo
não sei o que faça.
Sou mais um polícia
um alcoólico motorista.
No fundo não sou tão diferente,
daquela simples, inocente rapariga.
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