Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
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MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
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Poemas

74

CHUVA


Estou ouvindo o som da chuva,
por entre as ruas molhadas,
chamando o passado.
 
Reclamo para mim mesmo a culpa eterna da vida,
entre os postes de luz fraca,
pelas lojas fechadas,
pelas lembranças deixadas.
 
Olho aos lados,
vejo que tudo se fechou
menos a última porta:
aquela onde devo estar.
 
Corro até lá.
As lembranças cessaram.
Finalmente eu cai olhando para a chuva.
.
.
.
Massapê (data desconhecida) 

287

VAZIO DE UM SONHO QUALQUER




Adormeço e sinto os sonhos escapando.

Não consigo toca-los.
Não sinto seu cheiro.

Abro os olhos e contemplo o nada.
Corro e chego ao mesmo lugar.

Estou sendo levado pela poeira.
Eu fui a estrelas e daí cai para sempre!

Massapê 04/12/2019
247

FALSOS ÍDOLOS



O que eu vejo são falsos ídolos.
Todos juntam as mãos em reverencias inúteis.
Quando tudo estiver perdido olharemos para nós mesmo.
E seremos amaldiçoados.
 
Vejo que o tempo passou
e a santa hipocrisia ainda mantem
as rédeas sobre seres senis.
Do que adianta palavras de ouro
 se os corações são nebulosos?
 
(Joathã Andrade)
64

Um longo caminho


A estrada é longa,
Pista sem sinalização,
Não tenho para onde voltar,
Apenas marcas no corpo,
Ouvindo uma velha música,
Não tenho lugar,
Meu coração se tornou frio,
Não culpo ninguém,
Nem pretendo,
Os dias não são tão firmes quanto antes,
Meu velho carro ronca com o motor sem óleo,
Minhas lembranças voam junto com as aves,
Uma velha guitarra no banco traseiro,
Notas solitárias em minha mente,
Perdidas além do tempo,
Além das eras,
Como lágrimas numa chuva,
Esquecidas para sempre,
Fecho meus olhos e piso no acelerador,
Não escuto mais nada, não sinto mais nada,
Apenas vazio..................

(Joathã Andrade)
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