Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
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MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
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Poemas

74

CAOS




Gosto do não sentido que as coisas têm.
Do caos eterno dos seres.
Olhar para alguém e logo perceber seu universo interior,
repleto de angustias e tristezas.
 
Olho para os animais e vejo seu caos bestial,
tão primitivos quanto antigos cometas estrelares.
                      
Gosto do caos e dele me alimento,
pois sou caminhante das estradas sombrias.
Sinto o gosto do orvalho da manhã.
 
Me alimento de tudo e ao mesmo tempo de nada.
Sou tudo que não quiseram ser.
Sou tudo o que não foram.
Sou o final.
 
(Joathã Andrade)
232

TEMOR


Eu temo
 e temo tudo.
 e nem sei por que eu temo.
 
Perco-me pelas trevas sem fim.
Tenebrosa escuridão do céu de meio dia.
 
Amedrontado em plena terra de homens bons.
Se a contemplo por muito tempo, eu temo.
Que mistério é esse do bom cidadão?
Não sei por que padeço de horror! Pois é algo cotidiano.
 
Um náufrago da vida.
Eu sou um navio sem mastros,
pois o mesmo se perdeu na tempestade de ilusões.
 
 
(Joathã Andrade)
252

FALSOS ÍDOLOS



O que eu vejo são falsos ídolos.
Todos juntam as mãos em reverencias inúteis.
Quando tudo estiver perdido olharemos para nós mesmo.
E seremos amaldiçoados.
 
Vejo que o tempo passou
e a santa hipocrisia ainda mantem
as rédeas sobre seres senis.
Do que adianta palavras de ouro
 se os corações são nebulosos?
 
(Joathã Andrade)
69

Um longo caminho


A estrada é longa,
Pista sem sinalização,
Não tenho para onde voltar,
Apenas marcas no corpo,
Ouvindo uma velha música,
Não tenho lugar,
Meu coração se tornou frio,
Não culpo ninguém,
Nem pretendo,
Os dias não são tão firmes quanto antes,
Meu velho carro ronca com o motor sem óleo,
Minhas lembranças voam junto com as aves,
Uma velha guitarra no banco traseiro,
Notas solitárias em minha mente,
Perdidas além do tempo,
Além das eras,
Como lágrimas numa chuva,
Esquecidas para sempre,
Fecho meus olhos e piso no acelerador,
Não escuto mais nada, não sinto mais nada,
Apenas vazio..................

(Joathã Andrade)
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