John_Silva

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Poeta amador, vocalista e guitarrista de uma banda de rock alternativo nas horas vagas.

Perfil
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Poema ao pai ausente

Caro pai,
os fogos de artifício
explodem no céu
iluminando a cidade
e a luz invade o quarto
onde sozinho eu assisto
um novo ano começar.

Outro natal
chega e rapidamente
se vai e sua ausência
ainda é uma ferida aberta
em minha vida,
mas saiba que não
o culpo por não ter
sido forte o suficiente
por não ter amado o
suficiente para ficar.

Caro pai
completarei dentro em breve
22 anos mas eu
não espero
mais o telefone
tocar
não espero mais
ouvir a batida na
porta, e também
deixei de mentir sobre
a falta que eu julgava
não sentir.

Creio que me tornei
uma boa pessoa
apesar de você
ter me dado todos
os motivos para seguir
o caminho inverso.

Pai, espero que
não tenha se afogado
nas garrafas de whisky,
e que também não
tenha perdido os pulmões
depois de tantos cigarros
acesos durante anos.

A essa altura você
deve estar sentindo
pena de si mesmo por
por não ter nenhum dos
seus filhos ao seu redor
enquanto você apaga as velas
do bolo.

Em minha vida,
você é a sombra que
desaparece na escuridão e
eu sou a sua imagem
e semelhança, pai:
um acumulador
de fracassos.

Caro pai,
adeus.

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Biografia
Jhonatan Ferreira da Silva, 22 anos natural de Belo Horizonte-MG Poeta amador, vocalista e guitarrista de uma banda de rock alternativo nas horas vagas. Estudo Marketing e pretendo me formar ainda esse ano(2015) se possível( risos) Meus escritores preferidos são: Charles Bukowski; Jack Kerouc, Chuck Palahniuk, Sidney Sheldon, Vinicius de Moraes, Douglas Adams, Oscar Wilde, entre outros. Obs: Sou péssimo em escrever auto biografias.

Poemas

12

Historieta

Há nesta cidade camas
onde jamais tornarei
a me deitar.

Há nesta cidade
moças de lábios avermelhados
que jamais tornarei a beijar.

Há nesta cidade
faces encharcadas
que minhas mãos nunca mais
irão enxugar.

Vozes que irão
sussurrar segredos
aos ouvidos de um
outro alguém.

Peles que irão
se arrepiar ao
toque de outras
mãos.

Minha imagem
se torna um borrão
insignificante
na mente dessas moças
que hoje sorriem,
e é um riso verdadeiro,
puro,
e feliz-
sem o peso em
seus calcanhares.

Há nesta cidade
alguém que caminha fitando
o chão,
de semblante triste,
pensando em moças
que um dia foram
tudo em sua vida-

e que hoje são a razão
deste poema,
de todos que vieram.

Que virão.

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Depressão

Eu penso em
onde estarei
amanhã;
daqui a uma semana
um mês
um ano.

O tempo que
mutável sendo,
nos muda
dia após dia e
deixamos de ser
pouco a pouco o que
éramos-
nunca mais seremos
os mesmos.

Olho para
o rosto refletido
no espelho e o
reflexo é outro,
desconhecido e estranho.

Distante
distante.

E eu que já fui
tão esperançoso
e cheio de energia,
hoje me vejo preso
na inércia do meu
quarto sexta-feira
à noite,

e a única
coisa que se move
é a fumaça do cigarro
queimando esquecido
no cinzeiro.

E lá fora há uma
multidão que urge
como leões e todos
estão desesperados
para viver a vida ao
máximo.

Eu me pergunto
o que houve comigo
nesses últimos anos,
para onde foi a minha
sede por vida?

Mas de alguma
forma eu sinto ter
vencido toda essa
agonizante,
louca e inútil
depressão.

Eu não a sinto
mais,
ela é agora
apenas algo que vejo
passando de relance
pelo canto dos olhos,
como um vulto sem forma.

Algo que só existe
se eu parar
para olhar.


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