jomadosado

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n. 1969 -- --

António J. P. Madeira nasceu em 26 de Abril de 1969 em Setúbal. É Licenciado em Engenharia de Instrumentação e Automação Industrial, tendo nos últimos anos enveredado pelo ramo da Informática, onde sendo autodidacta adquiriu competências em programação e administração de Bases de Dados.

n. 1969-04-26, Setúbal

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MALDITO FRIO

Maldito frio que vadio, vais vadiando nos meus sapatos
Arrefecendo os dedos rotos nas meias andanças
Atrasas-me a mensagem, que trago envolta nos trapos
Que finos um dia, são agora rasgões expostos às lembranças

Maldito frio que vadio, no beco mostras a minha pobreza
Sei que a garrafa que envergo, meia cheia de esquecimento
É também meia cheia de céu cinzento que recordo,
bebendo na certeza de esquecer gentes que amei
quando sem trapos nem rasgões, no sentimento

Maldito frio que vadio, me lembraste de partir
Para pedir moeda quente que te faça fugir
Pois pobreza, meu corpo e alma estás a cobrir
E o bendito sol hoje tarda, por muito dormir

Todos os dias tem sido nublados e opacos
Mas frio assim só hoje que aqui desisti
Das andanças que não eram meias de dedos rotos esfriados

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Biografia
António J. P. Madeira nasceu em 26 de Abril de 1969 em Setúbal. É Licenciado em Engenharia de Instrumentação e Automação Industrial, tendo nos últimos anos enveredado pelo ramo da Informática, onde sendo autodidacta adquiriu competências em programação e administração de Bases de Dados. Trabalhou durante vários anos como consultor e gestor de projectos de TI. Na adolescência, estudou Piano no Conservatório Luísa Todi, em Setúbal, tendo até integrado um Conjunto Musical do género Hard Rock, chamada Guerra Santa. Para além, aprendeu sozinho a tocar guitarra e bateria, tendo durante dois anos sido baterista na Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense. O escrever é uma paixão antiga, que jazia adormecida e que despertou com força renovada em 2014, após ter sido anteriormente diagnosticado Perturbação no Espectro do Autismo ao seu filho, André. Em Fevereiro desse ano, sob o pseudónimo Jomad’o Sado, que adotou para elogiar a terra e o rio que o viu nascer, e sob a chancela da Chiado Editora, publicou o seu primeiro livro de Poesias, “Prisioneiro em Mim”, com o intuito de ser um livro solidário para com a associação APPDA de Setúbal. Em finais de 2014, surge o livro Alva Madrugada, que é o seu primeiro Romance, e que foi escrito em tempo recorde de dois meses, sob o pseudónimo J. P. Madeira. Meses mais tarde, em colaboração com a Ilustrador M. Silma, publica a versão digital do Livro Infantil, “Histórias de Encantar, Escritas a Rimar. Em paralelo, encontram-se vários outros livros a serem criados / escritos versando desde a Poesia como Jomad’o Sado, até o género de Romance, Aventuras, Suspense, Terror e Comédia, como J.P. Madeira. Em paralelo, participou activamente em algumas Antologias de Poetas Contemporâneos. Casado com o seu grande amor da adolescência, Manuela Silva, do qual nasceram dois filhos, elegeu-os aos três como a sua maior fonte de inspiração.
https://www.facebook.com/antonio.madeira.338
[email protected]

Prisioneiro em Mim - Janeiro 2014

Poemas

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O SER

A pedido de muitos partilho este pequeno poeminha gótico que será publicado em breve na sua versão em Inglês, numa revista estrangeira e chama-se simplesmente ....

O SER













Era uma noite estranha e sombria
Nem uma estrela no céu se via
Quando a janela se abriu rangendo
Um arrepio pela espinha foi descendo

Não tinha medo de nada vivo e mortal
Mas os vivos não abrem janelas rangedoras
Nas horas das almas sofredoras
Que nos assombram sem igual

Puxando o lençol acima do olhar
Tentei outra coisa imaginar
De modo a não ter de espreitar
Ver aquilo que vinha a entrar

O horror escorria pela minha face
O ranger voltou a ecoar mais monstruoso
O coração disparou como se voasse
A angústia venceu o senso extremoso

O arranhar era agora constante
Como se algo estivesse expetante
Aguardando pelo meu olhar
Para depois de tudo se apossar

Mas eu resisti, rezando e temendo
O que continuava ameaçador esperando
Pela minha alma, corpo e vida querendo
Mas a coragem ia meu corpo abandonando

Por fim só restou o ser primitivo
Que defende tudo de modo agressivo
Os instintos lutaram por um objetivo
No corpo que se encheu de sangue vivo

A sanidade foi-se com a luz
Que o vento soprando reduz
E aquele arranhar ficou pungente
Oprimindo o quarto simplesmente

Um olho resolveu arriscar
Pediu à mão para o lençol baixar
Quando meio caminho ainda restava
Nada neste terror acordado faltava

Pensava eu gemendo, chorando por mim
Até que o lençol caiu por fim
Deixando exposto o meu destino
A um olhar que recuso sem tino

Devia ser o luar, que forçava o olhar
Mas uma trovoada, mostrou o ser
Que pairava roto, envolto no ar
E outra trovoada fez-me tremer

O que fez esse terrível ser?
zombou de mim, babando veneno
que causticava o chão a sofrer
tornando o momento alvo e pleno

Hipnotizado, rolei o lençol para o lado
Caminhando etéreo em sua direção
Vendo desesperado a foice na mão
Na cadavérica mão manejado

Seria este o momento final
Teria morrido ou estava vivo afinal
Era algo que sempre julgara mal
Nunca pensara nisso por sinal

E quando um metro sobrava
O odor do ser me sufocava
Fechei os olhos rezando calado
Revivendo o meu triste passado

Mas algo o fez recuar
Fugiu de mim a guinchar
Soltando lágrimas de arrepiar
Das carnes podres pelo tempo milenar

E arrisquei abrir as janelas da alma
A tempo de ver o ser com calma
Reconheci algo familiar, até peculiar
Algo que prendia nele o meu olhar

Trazia o teu medalhão enrolado
Na foice de onde o sangue era molhado
E gritei com a voz e a alma finada
Porque soube ali que não restava nada

Ma s o ser de mim se afastava gritando
Como se algo o estivesse mandando
Até que cuspiu cheio de muco azulado
O anel que te tinha dado de noivado

O terror passou e a raiva aumentou
A coragem cresceu pelo quarto
E o meu corpo ficou nela farto
Uma arma, uma arma,
algo me sussurrou

Da cama passei à lareira
E o ser fez-se à minha beira
Fendi-o com o ferro atiçador
Mas eu também senti grande dor

O ser ficou urrando espantado
Até que caiu calado, a meu lado
Um fumo verde dele se esvaia
Pela janela, para a fria ventania

Fechei de novo os olhos, aliviado
Parando de respirar um bocado
Até que senti pressão na mão
E foi ai que descobri a desilusão

A meu lado, jazia a amada
Que tinha sido amaldiçoada
Da cabeça sangrava condenada
E eu nem podia fazer por ela, nada

Nos últimos instantes a sua mão agarrei
Chorando lagrimas que nunca sequei
Até que num sorriso de puro estertor
Ela sucumbiu deixando-me só na dor

Amaldiçoei a minha sorte danada
Pedindo para ser alma condenada
O meu desejo foi correspondido
Por aquele fumo verde esvaído
Que voltou a inundar o quarto
Entrando no meu peito farto

Sou agora eu que assombro a noite
E não há quem sozinho nela se afoite
Pois sabem que o ser anda perto
Escondido, dentro da noite a coberto
Aguardando uma janela rangente
Onde possa entrar de repente
Para aprisionar mais um de nós

Escrevo isto para alguém lembrar
Enquanto algo de humano ainda sobrar
Não sei se são minutos, um mero segundo
Antes do verde pútrido e imundo
o meu corpo totalmente tomar

Cuidado ao falar, amar e matar
Para nunca num destes seres… se tornar!

486

PEQUENO PARDALINHO

PEQUENO PARDALINHO (Menção Honrosa XIX Concurso Poesia da APPACDM - Setúbal)

Escuta-me pequeno pardalinho
que vives triste, quase solitário
nessa tua opaca gaiola onde te procuro,
sem te conseguir de lá libertar

Um dia…
Numa trovoada de esperança, cairão chuvas de libertações,
abrindo a tua gaiola entre outras que à tua são tão iguais

Quê? Que me dizes?
Não gostas de te molhar?
Envergonhas-te por não saberes falar nem cantar?

Nada importa!
Eu canto e falo por ti e cubro-te da chuva em mim
Faço esse Um dia ser já amanhã, mas tens de me ajudar

Sabes…
embora tenha penas, já não servem para voar
pela vida fora, deixei de as saber usar
foram as mágoas e o receio de as magoar

Mas faço de tudo para te ver bem alto,
todo emplumado, feliz no Céu de nosso mundo,
por ti e por mim,
tal normal anjo a voar


405

No meu tempo

No meu tempo era melhor
Os risos não tinham pedras chapinhadas
O cinismo era curável e a vergonha era vermelha
No corado que nos prendia ao som do desculpe

No meu tempo brincávamos
Na pobreza de calças rotas
Que chutava pés descalços
Em bolas de papeis e sacos
Sem logotipos degradáveis

O leite trazia cheiro de vacas em bilhas
Em motas velhas como o condutor
e sempre se fervia o humor dele
para a doença não nos pasteurizar

Tudo tinha cheiro e eu gostava de falar
Pois não tinha computador para hibernar
Tinha pessoas que me tocavam e amavam
Sem cliques nem “likes” pois era Português
e na escola, aprendia-se mesmo a respeitar

Depois cresci, amadureci e muito perdi
Nunca mais os cheiros felizes voltaram
Nem o barulho das motas em bilhas
nem o tocar só por gostar, o terno olhar
Dos que tentavam comigo falar, educar

Tudo desapareceu num estrondo de evolução
Que fez de mim, mais máquina que humano
Onde penso cliques e anseio por bits sem parar
Mas algo comigo ficou, acompanha-me sem hesitar
A pobreza e o olhar menino, que nas rugas teima
Em sorrir e por vezes das recordações chorar

Pena que os novos não possam o puro respirar
Que o passado não lhes possa para o telemóvel ligar
Nem possam imaginar que a felicidade não é postar
Nem online jogar, nem no youtube ser popular

Um dia, talvez amanhã, vou-lhes mostrar
Vou ser como meu pai e avó e vou recuar
Em passos de estórias familiares e aí vão saber
Que o tanto que hoje se tem nem é metade
Do que pouco era mas tanto era na vida
De quem ansiava por na noite escura
Ter um beijo na face e um sorriso de mãe
Para até a próxima alvorada sonhar
Esperando as motas velhas como o condutor
Que trazia e traz as recordações que são corações
Espíritos de um viver
Que no meu tempo era melhor

Antónimo Madeira
476

(PRE)CATIVOS

Cativamos num olhar
Noutro libertamos o nosso amar
Depois de libertado nunca quer regressar...
Prende-se no tempo, mergulhado nas ilusões
De nosso cativo que cativou o nosso gostar

Cativamos numa fala
Noutra falamos sem nos calar
Atropelando peões na passadeira
Na língua atrasada do pensamento a brotar
Ser cativo não é mera brincadeira por falar

Cativamos o tempo
Mas ele não nos liga, foge sem parar
Anda sessenta léguas rodadas num minuto
Para em segundos, anos de nós separar
Quando escrevi isto era um mero “puto”

Desde que deixei o relógio a embolorar
O tempo parece estagnar, o sol e lua ignorar
Mas vivo atrasado de tudo… quem sabe se a morte
Não me deixa por ela passar… sem ter de a cativar

544

OXALÁ EU TOMARA (do meu livro de Imaginar)

Oxalá fosse mar para nas areias brancas finas me [entranhar e acordar] (acabar)

Oxalá fosse homem para uma família e preocupações parentais arranjar

Tomara ser humano para os extra terrestres caírem na Janela do meu sótão

Tomara ser maior para poder os remédios adoentar nas minhas mãos de anão

Mas nem o oxalá nem o tomara fazem por ser o que fosse

Nem no mar se fez o homem que apenas humano sonha maior

Mas uma paixão transforma uma nação, como chuva na monção

Um pequeno homem move mundos sem de força precisar

Basta esperança numa mão de amor para o coração animar

O mar também poderiaajudar…

Oxalá consiga um sótão comprar que a Janela é fácil de arranjar,

Pois sou anão no arriscar e consigo nela escapar

Vou mais coisas destas ansiar no meu livro de imaginar

Onde as estações são dimensões de uma quarta meia da semana

Onde eu tomara ser sempre Primavera num oxalá nunca nevar

Vou onde a família que me fez homem deixar

Rasgando o Universo, entre portas de um lar

Onde filhos são irmãos, gato e rato a brincar

Mas não os deixo ir ao sótão…isso, nem pensar

411

Forças da Natureza

Quando me procuro inspirar

Oiço o distante marejar

Sob o por do sol a chegar

Preso numa flor a despontar

E perco-me no teu olhar

São estas coisas; as forças da natureza

De que gosto realmente de falar.

524

Filosofar... Humanidade

Se a humanidade fosse compreendida

O desemprego era psicólogo

Mas se a vida fosse entendida

Nunca nasciam filósofos

Porém,

se o desemprego fosse psicólogo

E nunca nascessem filósofos

A humanidade estaria da vida perdida

447

A brincar e a criticar

Tinha amigos aos milhares
Até que minha pobreza chegou
Agora nos seus gestos e olhares
vejo do que a pobreza me livrou

Não as querendo criticar
Nunca as mulheres me assediaram
Mas depois de um dia casar
Nem da minha porta se afastavam

Até chegar a infeliz separação
que caiu na vida com pesar
não sei se foi essa a razão
de nunca mais nenhuma avistar

Restava-me meu trabalho ideal
Que me dava longas horas de azia
O que ganhava, era tão pouco, irreal
Quando as faturas a pagar, conferia

Mas não conseguia aprender a roubar
Embora visse os mestres em ação
Que na televisão e governo, ao falar
Roubavam-me até a minha visão

Fui para pedinte, carros arrumar
Mas a concorrência era brutal
Até a um deles tive de pagar
para não me por em tribunal

Fui acusado de o caluniar
Ao chamar-lhe de malandro
Ainda tive de advogado pagar
E com pulseira eletrónica ando

Não posso dele me aproximar
Por causa duma injunção cautelar
Raio de filho que me havia de nascer
Que até do Pai goza, a bel-prazer

Quase que conseguia de tudo chorar
Se não tivesse de meus olhos hipotecar
Para pagar a minha pequena cirurgia
Depois de ver as contas de oftalmologia

É que nem cego por cá se pode ser
Muito menos deficiente aqui nascer
Pois para dinheiro eu conseguir arranjar
Tenho de cegamente em linha reta andar
e caso deficiente, ter de a Universidade completar

Mas se numa bola um chute ao acaso acertar
Sou um português que o estado irá ajudar
Mas sou apenas deficiente com medalhas a nadar
Dizem; vais a nado que tens bom “corpinho” para pagar

A de cima era da frustração a falar
Por ver por ai, tanto herói exemplar
E ver sempre os mesmos a ganhar
O que para todos devia chegar

Desculpem por me enervar
E por tanto me alongar…
Por favor não me façam disto pagar
Que não tenho mais nada para empenhar!
496

Assassinaram um poema, coitado!

Assassinaram um poema, coitado!
com três golpes, na estrofe caiu fulminado
sangrou no papel que o embalou numa rima
até não ser mais que palavras sem significado

Assassinaram um poema, coitado!
Eram três prosas e um haikai mal-encarado
Apenas para lhe roubarem um predicado
Para fazerem trova dele, que era pequeno e delicado

Nunca os autores apanharam
Que nas palavras traiçoeiras fugiram
Num cinco três, meio encadeado
De cor azul escrito e declamado

As testemunhas que liam o Poema
Dizem que ele era inovador, ousado
Não merecia tal destino… assassinado
618

Coisas e multidões

As coisas patéticas são as mais embaraçosas
As coisas poéticas são as mais dolorosas
A poesia por vezes torna-se patética
Na dor de um quase silêncio embaraçoso

Uma multidão não são muitos
Apenas alguns “multi” que tudo de si “dão”
Mas são esses “Multi” facetados que a cor “dão”
O melhor que há em nós, tornando-nos numa multidão

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