Um indivíduo que tomou conhecimento do seu irreversível não pertencimento à sociedade.
Um indivíduo que enxerga o mundo com outros filtros, diferente do das pessoas comuns
Não sei por que ainda insisto em escrever. Não gosto dos meus textos Das minhas poesias, dos meus contos. Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso Aliás, estou pouco me lixando para "eles".
Esse negócio de escrever é do diabo Todo dia prometo pra mim mesmo Que vou fazer outra coisa Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.
Mas não é por falta de tentativas O problema é que todas as vezes que saio Eu sinto repugnância por tudo Por tudo que está a minha volta Por todos que estão a minha volta
Quando eu me dou conta Estou voltando para o hotel Embriagado, melancólico e enlouquecido. Pronto para escrever
A Baby? Ela não me quer mais A outra disse nunca mais A loira abastada? Uma noite apenas, nada mais. A de sorriso estonteante e olhos penetrantes? Fraquejei, e por medo, a abandonei. Medo de gostar, de amar, de me machucar.
Decepções e ilusões endureceram esse coração Agora, coração de pedra. Sem amor, paixão, ou emoção. Como companhia, Whisky e Jazz E melancolia... Junto com a Noite e a solidão.
Mas mesmo assim, carrego todas elas. Em pensamento, em mente. Nostalgia e emoção. Cada uma delas, dentro do meu coração. Nossos encontros, nossos romances. Para mim, nunca foram em vão.
349
Ausência e devaneio
Sem objetivo ou motivo A bebida vai acabando O cigarro vai queimando Infinitamente Em um ciclo, vicioso.
Como esse nossos desejo Um pelo outro Eufórico e ansioso
Na sua ausência, o meu desejo. Na sua presença, o meu anseio. Amo-te e te odeio
Na primeira estrofe, nos primeiros versos. É onde me encontro Nesse mundo vazio Cheios de devaneios
332
Mademoiselle
Mademoiselle
Os acordes silenciosos desse ritmo que me silencia Nas esquinas das ruas vazias da noite As luzes dos neons me iluminam.
Ando como se estivesse perdido em um labirinto Mas vou seguindo meu instinto Refletindo pensamentos vulgares De repente me encontro em diversas mesas. Em diversos bares
Perseguindo seus rastros sacanas Vou caminhando, agora sem pensar. Vou seguindo suas pistas Até não mais te encontrar
386
Sorriso em Melodia
Assim como o sopro de Coltrane Palavras e sorrisos sinceros me encantam Não me julguem por comparar um sorriso a Coltrane John desculpe, mas alguns sorrisos são mais belos que suas melodias. Mas digo apenas os sorrisos belos e sinceros
Sorrisos verdadeiros
Os falsos não têm harmonia, nem ritmo, nem melodia. Um sorriso belo me faz perder a cabeça Vou seguindo em direção aos seus lábios
No ritmo da música
No ritmo da música que toca de trilha sonora Trilha que ouço no fundo da minha mente Tudo bem, seus sorrisos e seu lábios. Também estão na minha mente.
Fico sonhando, com esse beijo molhado. Não os quero em pensamento Quero-os assim, também no presente.
408
Ego Virtual
Comidas, cachorros, viagens. Praias, bares, mares. Segunda, quarta, sexta-feira. Apenas querem ser vistos Bebidas, copos na mão, noite. Parques, praças, hotéis. De dia, de tarde, de noite. Café, almoço, jantar.
Quer apenas ver, os que querem ser vistos.
Rindo, chorando, cantando, dançando. No carro, no ônibus, trabalhando. No cinema, no baile, bailando. Os que veem, também querem ser vistos.
Fingem que são não são. São, mas fingem que não são. Tudo falso, tudo mentira. Só querem alimentar o ego Vivem assim Para isso, em torno disso.
Está tudo errado, estranho, esquisito. É o mundo atual, o mundo moderno, vivem disso. Elas apenas estão vendo e querendo ser vistos Eu sou estranho, diferente. Ás vezes, me descuido, participando de tudo isso Por um impulso, fico iludido, com o falso encanto de tudo isso. Mas no fundo, não quero ver, nem ser visto.
Só quero fugir de tudo isso
316
Noite
A noite sempre surge em forma de poesia Como um ritual O Whisky, o Jazz Nunca sei o que vou escrever Mas sei quando vou escrever
À noite
À noite as lembranças surgem, junto, os sentimentos. Lembrança de quem sempre viveu intensamente Amou intensamente Apaixonou se intensamente Sofreu intensamente
À noite
A solidão bate a porta O vazio do coração Também aparece
Ah! Essas noites
Quantas histórias Quantas paixões Quantos amores
Se fosse resumir a minha vida, resumiria em uma palavra.
Noite.
417
O grito da alma
Um grito ensurdecedor da alma percorre o cômodo vazio Angustias e aflições voam junto com ele Mas ninguém ouve Só eu sei que ele está ali, aqui.
Eu, o ouço.
O coração e a mente parece não mais aguentar Os ouvidos parecem a explodir Com o grito O grito que ninguém ouve, que ninguém vê
Procuro me esconder dele, entre um gole e outro. Ele some, mas aparece em outra forma. Ele vem em forma de tristeza, melancolia, solidão.
O que fazer então, para fugir?
Deixar de existir? Ou escrever? Resolvi escrever
O som das palavras o mantem longe daqui
359
Da mente ao pó
No grito incessante da alma ela sai Percorrendo as linhas no fundo branco Ao apoio de Fante
Despejo palavras fora de ordem Na forma de poesia
Aos olhares das mulheres O louco vai agarrando as inspirações Procurando palavras A mente cansada De quem carrega uma vida dura
Sem pensar, desfiro desenfreadamente palavras Para que a vida não se transforme em tortura
Não há continuidade, nem encerramentos Há apenas os momentos
323
O gozo do verso final
Transpiro paixões e forma de poesias Percorro as linhas do caderno Como se percorresse o seu corpo. Envolvido em maldades, os pensamentos, em você.
À noite
Escrevo todos os prazeres que desejo Escrevo em seu corpo Poesias nuas e cruas E versos ousados.
Despindo o seu corpo com palavras Deixo o desejo mais oculto deixa para verso final. Sem dizer nada.
Você, por favor, não me diga nada. Apenas me sinta.
E nos seus olhos, me devore.
325
Poema de um perturbado
Não gosto de perfeição Onde tudo são flores e arco íris Onde tudo é felicidade
Se é que felicidade existe Ou se é algo que foi criado [Criado para cegar nossos anseios] Nossas angustias, nossos vazios
Não sei
Gosto de estar no meio dos desajustados Dos perturbados Dos que assumem o não pertencimento a sociedade São verdadeiros Gosto deles
Andarilhos, moradores de rua, bêbados. Eles sempre têm algo para nos dizer, nos ensinar Cheio de palavras sábias, verdadeiras. Os que não procuram em outra pessoa, felicidade. Esses sim são os verdadeiros, os que enxergam a verdade, a realidade.
Eles sabem.
Sabem que nós mesmos, somos nossas melhores companhias.