Jonatan Carlos Reis

Jonatan Carlos Reis

n. 1984 BR BR

Um indivíduo que tomou conhecimento do seu irreversível não pertencimento à sociedade. Um indivíduo que enxerga o mundo com outros filtros, diferente do das pessoas comuns

n. 1984-05-13, São Paulo

Perfil
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Não gosto dos meus textos

Não sei por que ainda insisto em escrever.
Não gosto dos meus textos
Das minhas poesias, dos meus contos.
Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso
Aliás, estou pouco me lixando para "eles".

Esse negócio de escrever é do diabo
Todo dia prometo pra mim mesmo
Que vou fazer outra coisa
Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.

Mas não é por falta de tentativas
O problema é que todas as vezes que saio
Eu sinto repugnância por tudo
Por tudo que está a minha volta
Por todos que estão a minha volta

Quando eu me dou conta
Estou voltando para o hotel
Embriagado, melancólico e enlouquecido.
Pronto para escrever
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Poemas

32

Você ficava linda, ali, apoiada no balcão

Você ficava linda, ali, apoiada no balcão.
Um drink atrás de outro
Sirvo e você fica ali, na espreita.
Observando

Acabo me apaixonando
Por você, pelo seu olhar.
Sua conversa      
Por você eu me encanto

Mas cabeça dura, como eu sou.
Acabei desperdiçando
Essa oportunidade

Você cansou de esperar
Foi embora
Nunca mais voltou

Mas meu encanto por você
Nunca partiu
Ficou aqui, nas lembranças.

201

Hoje foi um dia duro

Hoje foi um dia duro
Um dia difícil
Quebrar concreto
Passei dois dias
Quebrando concreto
Estou com as mãos calejadas

Mas isso não se compara
A quebrar o concreto
Que a vida colocou
Em volta do meu coração
Isso sim é uma barra
Abrir um espaço
Nesse coração calejado

 

242

Adorava quando você levantava sua blusa

Enquanto eu dirigia na estrada
Você levantava sua blusa
E mostrava seus peitos
Você adorava fazer isso
Sabia que me excitava

Diversas vezes
Quase bati o carro
Enquanto seguia
Loucamente para a casa

Quando a gente chegava
Ficávamos ali mesmo
Na escada
Sem pudor algum
Não dava para esperar
Não aguentávamos esperar

 

245

Verdades

Pensamentos ininterruptos
Do cotidiano e de sua situação
Levam-nos a beira da loucura

Pensamentos ininterruptos
Levam-nos a outros pensamentos
Ininterruptos
Na busca de amenizar
Todo o pensamento anterior

A fuga é a forma mais covarde
Porém, a mais eficaz.
Seja na bebida, na boêmia, na noite.
Ou nos pensamentos, anulando pensamentos.

Mas não considero um ato covarde
Fugir de algo assim
A não ser que sejam verdades
Verdades incomodam

194

Vermelho Mulher

Vermelho mulher

Seu vermelho me domina
Cada vez que você me ignora
Cada vez que você me nega
Mesmo sabendo do seu desejo
Do meu desejo
Dos nossos desejos

Você é a companhia ideal
E você sabe disso
Já te disse isso
E é recíproco
Sei disso

Mas algo te bloqueia
Sabendo do meu passado
Do meu presente
Da minha vida
Dos meus romances

Talvez eu esteja errado
Por me envolver demais
Com mulheres banais
Sentimentos banais

Queria apenas poder
Continuar nossas conversas
Em uma mesa de bar
Com sempre fizemos

Sinceramente
Acabei me apaixonando por você
Eu que prometi a mim mesmo
Que não iria mais me apaixonar
Mas não teve como
Pois você é demais
191

Covarde dos sentimentos

Não tem como se permitir
Tornei aquilo que me feriu
Ando fugindo de tudo
Que me faz passar
Novamente
Por aquilo tudo

Eu que sempre encarei
Tudo de frente
Fujo de sentimentos
Maravilhosos como estes

Você tem toda a razão
Preciso me permitir
Dar uma chance para nós
Seguir em frente

Viver a vida e deixar de ser
Esse corajoso covarde
Covarde dos sentimentos







254

Olha o que você me fez

Como pode odiar alguém
E ao mesmo tempo
Se perder em pensamentos
Imaginando se perdendo em seu corpo
Como nos velhos tempos

O sexo era demais, incrível.
Acho que é isso que faz
Lembrar-se de nossos momentos
E não tirar você dos meus pensamentos

Pois você era uma Diaba
Na cama e no dia a dia
Escravizava-me e me privava
De tocar a minha vida





216

Arte, o desconserto da discórdia

Se escrever é uma arte
A arte da minha escrita
é a arte do desconserto
De toda essa sociedade

O desconserto da arte
é o desconcerto
Da discórdia
A arte é uma discórdia
259

Da vida não se leva nada

Da vida não se leva nada

A não ser a vida vivida

De quem arriscou um dia

E deixou para trás

Todos os medos e receios

De não dar certo na vida
285

Vida dura

Estava há semanas
Comendo salsichas
E macarrão instantâneo

Era uma fase difícil
Poupava cada centavo
Para no final
Ter o dinheiro do meu filho

Muitas vezes surtei
Não dormia há noites
Pensando na situação
Situação em que eu cheguei

Mas não me arrependo
Por tudo que passei
Ás vezes é preciso
Chegar ao fundo do poço

A vida nos ensina muita coisa
Mas apenas lá
Aprendemos
O que não nos ensinam
Em qualquer lugar
197

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