Jonatan Carlos Reis

Jonatan Carlos Reis

n. 1984 BR BR

Um indivíduo que tomou conhecimento do seu irreversível não pertencimento à sociedade. Um indivíduo que enxerga o mundo com outros filtros, diferente do das pessoas comuns

n. 1984-05-13, São Paulo

Perfil
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Não gosto dos meus textos

Não sei por que ainda insisto em escrever.
Não gosto dos meus textos
Das minhas poesias, dos meus contos.
Fico imaginando quem é que vai gostar de tudo isso
Aliás, estou pouco me lixando para "eles".

Esse negócio de escrever é do diabo
Todo dia prometo pra mim mesmo
Que vou fazer outra coisa
Caminhar, passear, jantar fora, essas coisas.

Mas não é por falta de tentativas
O problema é que todas as vezes que saio
Eu sinto repugnância por tudo
Por tudo que está a minha volta
Por todos que estão a minha volta

Quando eu me dou conta
Estou voltando para o hotel
Embriagado, melancólico e enlouquecido.
Pronto para escrever
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Poemas

32

Mademoiselle

Mademoiselle

Os acordes silenciosos desse ritmo que me silencia
Nas esquinas das ruas vazias da noite
As luzes dos neons me iluminam.

Ando como se estivesse perdido em um labirinto
Mas vou seguindo meu instinto
Refletindo pensamentos vulgares
De repente me encontro em diversas mesas.
Em diversos bares

Perseguindo seus rastros sacanas
Vou caminhando, agora sem pensar.
Vou seguindo suas pistas
Até não mais te encontrar
386

Sorriso em Melodia

Assim como o sopro de Coltrane
Palavras e sorrisos sinceros me encantam
Não me julguem por comparar um sorriso a Coltrane
John desculpe, mas alguns sorrisos são mais belos que suas melodias.
Mas digo apenas os sorrisos belos e sinceros

Sorrisos verdadeiros

Os falsos não têm harmonia, nem ritmo, nem melodia.
Um sorriso belo me faz perder a cabeça
Vou seguindo em direção aos seus lábios

No ritmo da música

No ritmo da música que toca de trilha sonora
Trilha que ouço no fundo da minha mente
Tudo bem, seus sorrisos e seu lábios.
Também estão na minha mente.

Fico sonhando, com esse beijo molhado.
Não os quero em pensamento
Quero-os assim, também no presente.
408

Ego Virtual


Comidas, cachorros, viagens.
Praias, bares, mares.
Segunda, quarta, sexta-feira.
Apenas querem ser vistos
Bebidas, copos na mão, noite.
Parques, praças, hotéis.
De dia, de tarde, de noite.
Café, almoço, jantar.

Quer apenas ver, os que querem ser vistos.

Rindo, chorando, cantando, dançando.
No carro, no ônibus, trabalhando.
No cinema, no baile, bailando.
Os que veem, também querem ser vistos.

Fingem que são não são.
São, mas fingem que não são.
Tudo falso, tudo mentira.
Só querem alimentar o ego
Vivem assim
Para isso, em torno disso.

Está tudo errado, estranho, esquisito.
É o mundo atual, o mundo moderno, vivem disso.
Elas apenas estão vendo e querendo ser vistos
Eu sou estranho, diferente.
Ás vezes, me descuido, participando de tudo isso
Por um impulso, fico iludido, com o falso encanto de tudo isso.
Mas no fundo, não quero ver, nem ser visto.

Só quero fugir de tudo isso
316

Noite

A noite sempre surge em forma de poesia
Como um ritual
O Whisky, o Jazz
Nunca sei o que vou escrever
Mas sei quando vou escrever

À noite

À noite as lembranças surgem, junto, os sentimentos.
Lembrança de quem sempre viveu intensamente
Amou intensamente
Apaixonou se intensamente
Sofreu intensamente

À noite

A solidão bate a porta
O vazio do coração
Também aparece

Ah! Essas noites

Quantas histórias
Quantas paixões
Quantos amores

Se fosse resumir a minha vida, resumiria em uma palavra.

Noite.

417

O grito da alma



Um grito ensurdecedor da alma percorre o cômodo vazio
Angustias e aflições voam junto com ele
Mas ninguém ouve
Só eu sei que ele está ali, aqui.

Eu, o ouço.

O coração e a mente parece não mais aguentar
Os ouvidos parecem a explodir
Com o grito
O grito que ninguém ouve, que ninguém vê

Procuro me esconder dele, entre um gole e outro.
Ele some, mas aparece em outra forma.
Ele vem em forma de tristeza, melancolia, solidão.

O que fazer então, para fugir?

Deixar de existir?
Ou escrever?
Resolvi escrever

O som das palavras o mantem longe daqui

359

Da mente ao pó


No grito incessante da alma ela sai
Percorrendo as linhas no fundo branco
Ao apoio de Fante

Despejo palavras fora de ordem
Na forma de poesia

Aos olhares das mulheres
O louco vai agarrando as inspirações
Procurando palavras
A mente cansada
De quem carrega uma vida dura

Sem pensar, desfiro desenfreadamente palavras
Para que a vida não se transforme em tortura

Não há continuidade, nem encerramentos
Há apenas os momentos
323

O gozo do verso final

Transpiro paixões e forma de poesias
Percorro as linhas do caderno
Como se percorresse o seu corpo.
Envolvido em maldades, os pensamentos, em você.

À noite

Escrevo todos os prazeres que desejo
Escrevo em seu corpo
Poesias nuas e cruas
E versos ousados.

Despindo o seu corpo com palavras
Deixo o desejo mais oculto deixa para verso final.
Sem dizer nada.

Você, por favor, não me diga nada.
Apenas me sinta.

E nos seus olhos, me devore.
325

Poema de um perturbado


Não gosto de perfeição
Onde tudo são flores e arco íris
Onde tudo é felicidade

Se é que felicidade existe
Ou se é algo que foi criado
[Criado para cegar nossos anseios]
Nossas angustias, nossos vazios

Não sei

Gosto de estar no meio dos desajustados
Dos perturbados
Dos que assumem o não pertencimento a sociedade
São verdadeiros
Gosto deles

Andarilhos, moradores de rua, bêbados.
Eles sempre têm algo para nos dizer, nos ensinar
Cheio de palavras sábias, verdadeiras.
Os que não procuram em outra pessoa, felicidade.
Esses sim são os verdadeiros, os que enxergam a verdade, a realidade.

Eles sabem.

Sabem que nós mesmos, somos nossas melhores companhias.







306

Arievilo, o Bartender

Vivia uma ótima fase com as mulheres. Estava em plena forma. Os treinos de boxe eram quase que diários. Meus trajes eram sempre os mesmos. Regata branca, camisa havaiana entreaberta, ou aberta por completo e calça.

No bar, fazia sucesso atrás do balcão, entre um drink e outro que eu servia, ganhava caricias nas mãos na hora de entregar a bebida, olhares sedutores também eram constantes.

Certo dia retribui a investida de uma garota que havia pedido para eu preparar uma caipirinha. Ela não tirava os olhos de mim enquanto preparava seu drink.

- Aqui está o seu drink, Simone, eu disse.

- Como sabe meu nome? Perguntou surpresa.

- Você tem cara de Simone, Simone é um nome lindo, assim como seu sorriso (Mentira! havia olhado o nome dela na comanda).

Simone, que mulher espetacular. Morena, tinha em torno de 1,75. Daria uma bela briga ela com seus 1,75 e eu com meus 1,87. Cabelos cacheados, longos, até a altura da cintura. Um par de peitos que ficava saltando do decote lateral usava uma camiseta branca cortada nas laterais, também usava uma calça preta de vinil. E que lábios, que boca. Fiquei excitado na hora, quando vi aquela boca carnuda no batom vermelho.

- O próximo drink, é por minha conta, qualquer um que escolher, disse.

- Só se você beber comigo, disse ela.

- Não costumo beber em serviço, mas vou abrir uma exceção. Venha buscar seu drink daqui 40 minutos, até lá vou desenrolando para dar uma escapada.

- Ok, ela disse. Vou para a pista, dançar um pouco.

Deu um sorriso, uma piscada e saiu, mexendo seus cabelos cacheados e rebolando aquele bundão que parecia estar me dizendo, até daqui a pouco.

Foram os 40 minutos mais atrapalhados, só pensava nela. Errei drinks, derrubei cerveja. Fui preparar um drink na coqueteleira e não fechei direito, a coqueteleira abriu. A bebida voou toda na cara do cliente, o cara ficou com uma folha de hortelã grudada na testa. Ficou furioso, veio pra cima, os seguranças estavam próximos, apartaram.

Um tempo depois, Simone apareceu, escolheu o drink, uma Vodka, a mais cara do cardápio. Podia ter pegado algo mais simples, né, baby, pensei.

Servi uma dose generosa para ela, peguei um Bourbon para mim e pedi para o outro bartender segurar as pontas. Sem cerimonias, discretamente, levei ela para a varanda. No caminho, ela pediu para que não fossemos juntos, disse que iria me seguindo. Disse que estava com algumas amigas e que elas iriam achar ruim por ter abandonado elas. Tudo bem, sem problemas. Subi para o andar de cima e ela veio atrás. Entrei, ela entrou na sequencia meio desconfiada, olhando para os lados. Achei esquisito, mas tudo bem.

Fechei a porta e começamos a nos beijar, sem cerimonias ela botou aqueles peitões pra fora, tinha um piercing em cada mamilo. Comecei a chupar, parecia que estava chupando uma manga, lambuzando, esfregando na cara toda. Fiquei de joelhos na sua frente, comece a acariciar sua xoxota por fora da calça, baixei a calça dela e fui de boca. Fiquei ali, ajoelhado aos seus pés. Levantei, a virei de costas, terminei de baixar a calcinha dela, botei o boneco pra fora e pimba! Uma, duas, três, quatro. Ela gritava, gemia, pedia pra eu foder mais. Foi quando reparei que dava pra ver a gente da área de fumantes, que havia do lado de fora, no andar debaixo. Do quintal, enxergava a varanda, parcialmente. Tinha uma meia dúzia de espectadores nos assistindo. Tudo be. De repente, a porta da varanda se abre, olho para a porta e vejo o cara da folha de hortelã, parado, parecia estar tomado pelo capeta.

Gritou, SIMONE! Guardei o boneco, fechei a calça. Simone ficou sem reação, tremendo, tentando se explicar enquanto colocava a calça. O gigantão empurrou Simone de lado, tirando a de sua frente e veio em minha direção.

O Cara era um brutamonte, não tinha notado isso quando joguei Rum e hortelã em sua cara, parecia um desses lutadores de MMA. Veio desenfreadamente em minha direção, parecia um gorila enfurecido, porém, um pouco desengonçado.

Imediatamente peguei o meu copo de Whiskey e joguei na cara dele. Começamos a sair na mão. Ele acertou alguns socos em mim, desviei de alguns quando na melhor oportunidade dei um cruzado de esquerda e um direto. Ele tentou se defender, mas consegui encaixar todos. Voltei com outro cruzado de esquerda e finalizei com um upper, acabei finalizando o rapaz. Os seguranças chegaram e botaram o casal para fora. Não sei o que aconteceu depois, entre eles.

E eu? Trinta e três anos de vivência e nem percebi que ela era noiva, a diaba usava aliança.





422

Apenas mais um conto de amor de um cotidiano violento

Vou apresentar a vocês, a história de um casal, Abel e Maria.
Maria era uma mulher espetacular, pernas grossas, seios fartos, cabelos negros e longos, até a altura da cintura. Olhos penetrantes, apaixonantes, tinha uma boca deliciosamente desenhada. Era uma mulher alta, em torno dos seus um metro e setenta, um espetáculo, porém, era uma mulher muito tímida, não usava uma saia acima do joelho, sentia vergonha.
Estava sempre acompanhado de seu fiel marido, Abel.
Abel era um senhor, 17 anos mais velho que Maria. Abel era daqueles caras a moda antiga, sempre impecável em suas vestes, sempre de social. Usava um bigode volumoso, negro, que contrastava com seus fios de cabelos brancos que restavam nas laterais de sua cabeça. Eles haviam se conhecido em uma festa de casamento, onde ambos foram padrinhos. Na época, Maria com 18 e Abel com 35.
Aos olhos da sociedade, formavam um casal ideal, de dar inveja. Tinham uma filha de 05 anos, Isabelle. Também tinham uma ótima casa, daquelas casas com quintal grande, grama bem aparada, algumas roseiras e outras flores. Eles Tinham um bom carro, cachorros, gatos, pássaros em gaiolas. Uma típica família cafona, dessas de seriado de tv.
Mas o que para a sociedade parecia ser o casamento ideal, para Maria, era um pesadelo. Sempre rodeada de ciúmes, preconceitos, vindo do marido. Abel era um cristão, rígido e autoritário. Ela não podia passar um batom com uma cor um pouco mais forte, ou usar uma roupa um pouco que deixava o seu corpo um pouco mais amostra, que Abel já surtava, e às vezes, chegava a agredir Maria, fisicamente. As agressões psicológicas eram constantes, quase que diariamente. As únicas horas em que Maria se via livre da estupidez e ignorância do marido era enquanto ele trabalhava, na hora de dormir e na Igreja, nos cultos.
Maria tinha um corpo escultural, mesmo debaixo daqueles vestidos longos e folgados, você via uma beleza esplêndida, Sem falar da simpatia que a moça era, uma mulher de uma beleza exterior e interior de dar inveja a muitas outras. Seu marido saia cedo para trabalhar, em tordo das seis da manhã. E chegava tarde, principalmente depois de ter recebido uma promoção, havia subido de cargo, chegava sempre depois das vinte horas. Enquanto isso, Maria ficava em casa, cuidando de sua filha, das roupas pra lavar, a maioria, roupas de Abel, que tinham que estar sempre impecáveis. Maria passava a maior parte do dia lavando e passando as roupas de seu marido. Além disso, também tinha a obrigação de cuidar de seus animais domésticos, de suas flores, de sua casa. Só esquecia-se de cuidar de si mesma
Certa noite, ela resolveu fazer uma surpresa para o marido, Maria estava louca de tesão, queria transar, fazer amor. Fazia pelo menos dois anos que o casal não mantinha relações sexuais. Ela já não aguentava mais aquela situação, mas não queria magoar o marido. Então ela teve uma grande ideia. Maria foi às compras, foi até uma loja de lingerie, entre vários modelos, escolheu a peça mais bonita da loja, também a mais cara. Era um Baby Doll, de cor vinho, todo feito em seda. Saiu da loja e foi a perfumaria, comprou perfume, batom, maquiagem, tudo novo, estava ansiosa para a surpresa que faria a Abel. Maria pediu para a sua Mãe cuidar da neta, naquela noite. Para que pudesse ficar a sós com o marido e aproveitar aquela noite.
Maria se arrumou esplendidamente, estava impecável. Seu baton combinando com o Baby doll cor de vinho. Seus seios quase salvavam da peça. A polpa da bunda aparecendo sutilmente debaixo daquele lingerie excitava qualquer marmanjo. Estava linda, cheirosa, gostosa, pronta para se entregar para Abel. Deu oito horas, horário em que Abel costuma a chegar a casa, porem, não chegou. Quarenta minutos se passaram e nada do marido, Maria começou a ficar preocupada, pois Abel era pontual, como um inglês.
Maria resolveu pegar um taxi e dar uma volta pela cidade, atrás do marido. Quando depois de 20 minutos rodando, viu seu marido no portão de uma casa, em um bairro afastado. Eles estavam aos beijos e abraços com outra mulher, pareciam já ter bastante intimidade. Abel bolinava sua amante, pegava em seus peitos, em sua bunda, em plena calçada. Maria não reconhecia mais o marido. Eu um surto de ódio, tristeza, frustração, Maria entrou no Taxi e voltou para a casa.
Chagando em casa, pediu para que o taxista esperasse um pouco, pois precisaria buscar sua filha na casa da mãe.
Ela entrou se olhou no espelho, viu sua maquiagem borrada. Começou a se maquiar, novamente, olhou para o Baby Doll que havia tirado, resolveu colocar, finalizou com um perfume e foi em direção ao taxi.
O taxista, sem reação ao ver aquele mulherão de baby doll vindo em sua direção, perguntou se ela ainda iria buscar a filha ou ele estava dispensado. Maria não respondeu, simplesmente deu um beijo longo e molhado no taxista, do lado de fora da janela, segurou em seu pau e começou a acariciar. Puxou o taxista pra fora e em uma questão de segundos, eles estavam em cima da cama de Maria e de Abel.
Maria trepava com o taxista, pulava em cima dele como se estivesse sem sexo a anos, e estava. O taxista, um rapaz jovem, simples e de boa aparência, começou a dar a Maria àquilo que ela tanto queria. Os dois estavam trepando, loucamente, um chupando o outro, gozando junto o momento. Maria estava de quatro, o taxista, bombando com toda força por traz, quando de repente, um disparo, um estampido.
O taxista cai ao lado de Maria, com seu crânio estourado, Maria vira se e olha, vê seu marido, de pé, com uma arma na mão. Sem chance de defesa, Abe dera 3 tiros em Maria. A Bela Maria morreu na hora.
Abel ficou ali, parado, olhando para os corpos. Aproximou até Maria, deu lhe um beijo na boca e um tapa no rosto e um tirou em sua própria cabeça.

FIM
388

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