Jorge Franco

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Emigração (1/3)

Ando azarado
Após ter lançado o dado
Ter ganhado
E passado a oportunidade

Sem ser sensato
Foi tudo sem querer
Já estou tão cansado
Só estou sentado a ver

Pensas que é a l'agarder
Mas não tem nada a ver
Pensas que és o super-homem
Como sem h de haver?

Só para inglês ver, a capa
Como um K há-de ser
Também o S no peito
E esse griffe do avesso

Ás vezes
É como se o mundo eu pudesse ter
E troco tudo por um peito
E um ass com o fio a ver-se

Fico tão verde
Fico tão azedo
Juro, não esperava
Que expirasse tão cedo

Perdi o que aspirava ser
E o que me inspirava mesmo
A procura do nome
A procura do nemo

O nemo lá se pirou
Acho que a dory lá tava
E eu a ver se não pirava
Pirata do mar de nada

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Poemas

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Emigração (1/3)

Ando azarado
Após ter lançado o dado
Ter ganhado
E passado a oportunidade

Sem ser sensato
Foi tudo sem querer
Já estou tão cansado
Só estou sentado a ver

Pensas que é a l'agarder
Mas não tem nada a ver
Pensas que és o super-homem
Como sem h de haver?

Só para inglês ver, a capa
Como um K há-de ser
Também o S no peito
E esse griffe do avesso

Ás vezes
É como se o mundo eu pudesse ter
E troco tudo por um peito
E um ass com o fio a ver-se

Fico tão verde
Fico tão azedo
Juro, não esperava
Que expirasse tão cedo

Perdi o que aspirava ser
E o que me inspirava mesmo
A procura do nome
A procura do nemo

O nemo lá se pirou
Acho que a dory lá tava
E eu a ver se não pirava
Pirata do mar de nada

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Emigração (2/3)

Foram-se os conhecidos
Os amigos e a família
Que não só me acolhia
Mas assim o escolhia

E minha terra
Que tens pisado o meu passado
Teu solo me enterra
Quando deixar de ser cruzado

Ás vezes tou tão bad
Quase a ficar tombado
E ouço o som do nosso rap
Misturado com o nosso fado

O que eu não dava agora
Por um arroz de pato
Eu tenho coração de cão
Embora tenha rosto de gato

Imagino a liza
Vista do miradouro
Olho com o tique de midas
Vira a liza de ouro

Vão-se os ses e os ous
Vão-se os ifs e os ors
Vão-se os sith lords
Quando eu sinto a force

Da nelly furtado
Made in 2004
Quatro anos de vida
Só a via de quatro

Quatro anos de lástima
Jamais perder a fé
De joelhos vou a fátima
Não meto cá mais os pés

1

Emigração (3/3)

Fui para liverpool
A escalar em barcelona
Sem guita no aeroporto
Virei o barceloner

Excedi na carga
Cabra nem um gajo poupa
Esvaziou-me a mala
Foi-se o pitéu e a roupa

Erro meu
Devia ter visto o limite antes
Pensei eu
E quanto chilava com o tom hanks

E enquanto esperava
Contemplava ir a penantes
Mas como é que aguentava
Se me tiraram o lanche

De mala aviada
No fim da maldita viagem
Deixaram-me agarrado
Broda, obrigada

A escalar o evareste
Se o tempo está agreste
A norte, sul, este e oeste
Mais vale subir o resto

1

Energia

Não me chocas com um tesla
Nem como o atestas
Carregas as minhas células
Com um beijo na testa

Eu vou para a festa
Ou para a pesca
No fim de semana
Só para me sentir fixe
Ao fim
De cinco dias de cana

É o sol, a verdura
A maresia, o ar livre
Que abole a censura
A heresia do pensar livre

É a impressionante sabedoria
Não imprimida nos livros
Não há abafos de gaffes
Nem agrafos em griffes

Páginas eu rasgo, achas?
Eu parto o cacifo
Lá no churraaco é só asas
E cogumelos sem beef

É o alentejo sem lei
Hierarquias ou sheriffes
Tou no tejo sem beira
Lá no fundo e com recifes

Diz-me se tens ressonado
Ou tem ressonado
O que eu recito
Ou se andas todo suado
Ressabiado por recibos

Diz-me se te tens assuado
Ao som do fado
Sim, porque
Quando amas a vida
O sentimento é recíproce

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