Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

n. 1961 PT PT

Que fazer, se assombro tudo que faço de medo e a fracasso ...

n. 1961-07-03, Setúbal

Perfil
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Sombras no nevoeiro




(Sombras no nevoeiro)
Sinto que sou um poeta falhado,
E escrever tornou-se uma tarefa
Balofa, à qual me não dou de todo,
Sinto um receio que m'atabafa,
No que digo, como se fosse eu, Rossio
De vão d'escada, fico-me p'las deixas,
Bem lá no meio duma seara de joio,
Aonde se não diferença vultos e névoa.
Não espero troco nem pago de saldo,
Justo por algo que não tem pra'mim custa
Nem apego, julgo que me sinto dividido,
Entre o que digo e o que dizer me basta,
É como é, o reverso e a medalha,
De um lado, vem algo inscrito,
E do outro nada que o valha,
Apenas o dom e o dia de morto.
Sinto que sou um poeta falhado,
Por todas as razões e d'outras,
Apregoo estas de telhado em telhado,
Mas confesso-me cansado d'inventar desculpas,
Pois nem tenho assim tanto de escritor,
Como um louco
Tem, do cajado dum actor,
Ser o seu sólido especo...
Jorge santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
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Biografia

Poemas

85

Puder-eu-o-ter




Puder-eu-o-ter
Mar que há em mim,
Puder eu o ter não no lugar
Que tem o mundo, mas no peito,
Profundo, perdido e fundo.

O mar que há em mim passei,
Saudarei da margem dele
O mar sem farsas falas, pois
Que hei-de por ele passar,

Eu sei que é o mesmo
Porque me corre nas veias
E é salgado tal e qual o sal
No mar imerso e imenso.

Abraço o nosso e o falar
Que não se distingue
No mar entorno que volta fatal
E eu vou ao ritmo da maré,

O mar que há em mim
É supremo, confesso-me
Imperfeito não me alimenta
A beleza, não compreendo

Os elementos nem o critério
Da natureza, da espuma,
Apesar de fluída e me aperta
O peito, estéril, amiga,

Ouvir o som das águas
E morrer, é como descrever
A própria calma e saltar
Dos ribeiros para o domínio

Que me corre nas veias,
O destino é sentir que vou,
Sem deixar de ser o mar
Que volta e me tem, puder-eu-o-ter,

Confesso-me ...

Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
306

Jaz por terra...





Jaz por terra...




Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,
A ventura que é sorrir e também chorar gelo,
Jaz na terra o trono e um dono senhor de tudo,

Jaz por terra um templo que abandonei e que
Descuido, por não ter uso nem deuses, esses novos,
Infecundos e impostos para mal do homem feudal,
Homens deuses, a quem a calma e o ódio Deo-opus

De-graça, como se fora eu sacrossanto ermitão,
Em "Cristos Bay resort", jazz por terra o meu ego,
De campeão dos detestados feios de braços,
"Sou tido" como demente por sentir tudo,

Até quando chuva quando cai na Terra quente,
O meu coração me desmente e me desdiz,
Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,

A ventura que é sorrir e também chorar gelo,
Jaz na terra o trono de um dono, senhor de tudo,
Apesar de tudo isso sou tido como pouco são,
Por sentir mais que tudo e tod'esta gente,

Quando a chuva cai em meu coração não mente,
"Sou tido" como demente por sentir tudo,
Até granizo quando cai na Terra quente,
No meu coração d'pedra faz frio de geada,

Jaz nele a terra, o céu e o abismo sem fundo,
Jaz na Terra o sossego e a negação do belo,
Jaz por Terra a noite e a ferida em cal-viva,
A ventura que é sorrir e também chorar gelo,

Jaz na terra o trono e um dono senhor de tudo,
Apesar de tudo isso sou tido como louco,
Por sentir mais que tudo e toda a gente,
Quando a chuva cai em meu coração dormente,

Como se fosse real e sentida, credível talvez,
Embora nem sempre...

Jorge Santos 07/2018
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373

Eu sou o oposto,



Eu sou o oposto de tudo que é nítido, sonho déjà-vu,
Que não procura factos verídicos no seu conteúdo,
Desejo e Sonho a sequela do sonho que detesto,
Sou aquele que procura semear em terra alheia
A discórdia por deuses que não tiveram seguidores,

Sou o engaço de mim mesmo, margem de rio-
-Meio. Sinto-me um contabilista ilógico
E contar ouro, não sendo importante,
A bem da verdade não conto, faltam-me números,
E os axiomas que afirmo, meus não são

Mas d'outros, assim como a opinião, pouca
Tenho, creio no que conheço por simpatia,
Mas principalmente se tiver "patine" preta,
E um pouco mais que eu, em altura ao peito,
Flutuo sobre cidades e serras ao jeito de um mago.

Acima delas me inspiro ainda que poucos percebam
O sentido que é imperceptível a olho nu, o buraco
Da agulha e o palheiro, não existiriam fábulas
Sem mim, nem lugar pra Aleister Crowley no cais
Dos Infernos. O paradoxo é um sufismo com 4 vias,

Todas elas escolhas adequadas, explicam a criação
Do bem e do mal, do real e do sonhado, do mistério
Ancestral dos anjos terem asas nas costas e voarem
E os homens pés, meias e botas que prendem ao chão,
Cientes das estrelas s'acharem supostamente fora

D'alcance ...

Jorge Santos (07/2018)
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345

Escolho fugir de mim,




Escolho fugir de mim,
Mas se fugir não terei pra onde ir,
Meu destino é solidão,
Escapar é outra coisa,
É o instante e só a sombra bate em retirada,
Quando nos vamos
E abandonamos nós mesmos.

Escolho fugir "na mesma"
E assim só a sombra é que segue viagem
Não a meu lado mas ficando parada
Ficar é ir, ir é ficar, fugir é desertar,
Escolho fugir a amar...
Pra não deixar saudade,
Nem nada de sobra pra que me chorem,

Como fosse doença,
Escolher é também caminho,
Destinos remotos, sem remorsos,
O que efectivamente faço é respirar fundo,
É suspeitar de tudo que da sombra vem,
Respira ao meu ouvido,
Sorrindo quando eu sorrio, por isso fujo,
Escolho outro caminho, é certo...

Jorge Santos 06/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
400

Colossal o Oceano,



De colossal o oceano,
Imortal o sono,
Os sentidos belos
E a magia de todos que me inspiram; inspiraram-me
Inclusive os ventos, as tempestades, as ondas e o iodo,
De verdade minha ânsia é de naufragar no azul do mar,
Colossal o oceano, profundo.

Serei eu o lastro fundido mais fundo deposto
Quando da criação dos inquietos
Mares deste e doutros mundos,
Imortal o sono nos rostos, profano o Mar-Morto.

Jorge Santos (07/2018)
http://namastibetpoems.blogspot.com
343

No bater de duas asas​ ...




No bater de duas asas

Solto, meu coração não bate certo,
Céleres, soltas as borboletas que haviam nele
Pararam de bater asas duras
Ou sou eu que não as ouço,
Ando distraído,

Anda distante minha audição,
Sussurras e não entendo,
Nómada ando eu, meu ouvido
Deserto, lamento não ouvir,
Preciso de ser arranjado

Mais lamento não ver nem falar tampouco,
Sonho é um canteiro que separa
Do mundo imaginário o real que é agora
E o estar longe não é cenário
Que se enrola e desdobra ao contrário,

Tal é a minha facilidade de sentir outro lado
No lado de cá onde meu coração não está,
O celeiro das borboletas sem asas,
Celebro a facilidade de sentir o absoluto,
O armistício sem a salva de balas,

No bater de duas asas o voo
E o azul não é cor nem é dor,
Solto, meu coração; já disse
-Não bate certo - precisa de ser amarrado,
Antes que o roube de mim, a morte e a derrota.

Jorge Santos 06/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
363

JOEL MATOS



JOEL MATOS
por
Jorge Santos
Capítulo 1



Conhecemo-nos numa certa tarde de outono, no caminho do Liceu de Oeiras/Paço de Arcos, chamava-se Sebastião "Silva e mais qualquer-coisa", perto de Lisboa ou seja entre Cascais e Lisboa, sou muito mau a fixar nomes de sítios, pessoas e coisas; creio que foi numa área de residências de luxo muito antigas, típicas casas senhoriais do antigo regime, pintadas de amarelo e branco; lembro-me que não era muito longe do quartel militar onde Joel Matos, como mais tarde vim a saber o nome; disse que cumpria serviço militar, nessa altura de 1982, em outubro, era um dia já tardio, igual a outro dia qualquer, realizávamos a pé, desde Paço de Arcos a Oeiras, o mesmo trajeto, já nos tínhamos avistado noutras alturas mas nunca tínhamos começado conversa; aparentou-se-me despretensioso e tímido, vestia farda verde seco demasiado larga e ainda maiores as botas, davam um ar cómico de pinguim andante ou Charlie Chaplin sem bengala nem bigode, a boina mal ajeitada e o sentimento de haver sido deslocado no espaço e no tempo que quase todos os soldados do serviço militar obrigatório aparentavam por mais que o tentassem esconder quando perseguiam com olhar e mãos, as raparigas da terra, fartas de soldadinhos imberbes mas atrevidos dentro das cómicas fatiotas esverdeadas, vazias.
Lembro-me particularmente desse ano por uma situação singular, foi aquando da visita do Papa que nessa época era João Paulo II a 12 de maio no Santuário de Fátima, dia em que foi vítima de tentativa de atentado por membro de uma outra religião; saiu ileso dizia-se na altura - por milagre "divino". O papa perdoou-o em visita à prisão onde se encontrava detido, poucos dias depois do inconveniente episódio.
Assemelhou-se a algo assim estranho também aquele encontro, mas prefiro usar a palavra invulgar como adjetivo para uma ligação que ainda dura mais de vinte anos depois e para alguém tão pouco comum tal como o Joel Matos, surreal até.
Germinámos parceiros e parecidos no mesmo ano de 1961, temos a mesma idade, embora Joel tenha surgido em mês e dia par e eu em impares ambas as datas, dia e mês.
Nessa noite as aulas passaram tão rapidamente que nem dei por terem acabado, tão determinado estava em desenhar o mistério deste personagem que parecia conhecer irmãmente ou assim como a mim próprio, mas que, por algum motivo de desassemelhava em tantos e importantes aspetos comigo.
Era sombria a áurea que nos rodeava, quase esquisita, e o Joe, pensativo dava aquela aparência de quem não quer receber visitas fosse a que horas fosse, de dia ou de noite. Falámos sem trocar palavras e entendíamo-nos como os mudos se entendem, sem dizer palavra, diminuindo as sílabas vocais.
Corrosivo e caustico, acabava sempre por pedir desculpa apesar de conscientemente sentir que usufruía como certas as opiniões que tinha além das oportunidades mais honestas deste mundo.
Os dias passaram e nós dois também passámos mais ou menos discretamente de afeiçoados um ao outro a confidentes íntimos, inseparáveis até ao osso e à medula óssea.
Eu podia ter parado, sentia que deveria parar este influenciar mutuo, tive a sensação de proximidade com Joel por diversas vezes antes desse dia e ao longo dos anos embora sempre rejeitasse e repelisse semelhante ideia pois a achava sintomática de esquizofrenia ou loucura, mas ali estava ele finalmente; nós frente um ao outro como irmãos apenas separados por hélio e formas diferentes de ler o nosso próprio conteúdo.

Capítulo II
Incomoda-me ainda hoje, decorridos tantos anos, o nome que atribui a si mesmo esta personagem que sempre e esporadicamente me povoou e se desenvolveu em mim, perante mim e se desenrola agora na minha expressão dramática sem ser necessariamente distinto ou distinta, mas seguindo um instinto separado, não paralelo. Incomoda-me a facilidade de argumentos e o "dark soul", o modo impulsivo explosivo e compulsivo com que raciocina e a compreensibilidade lógica subjacente e independente, par.
Disse-me um dia Joel em nome de um grande homem que admira "Basta existir-se para ser completo" tomando como princípio que existe ele mesmo e ao qual eu respondi olhando-o nos olhos verdes, lembro-me tão bem, sentados na guarita da Arrábida no Sírio de Maio,
"Tod'a fraqueza é possível quanto dura for a pele, tu não és fraco, és puro Joel, nada te coíbe de ser inteiro"

(cont)

Jorge Santos (Namastibet)
422

Sinto




"Atravessa-me o vento, meu sonho de ser paisagem voltou, sinto-o dentro"

J.S.
352

“From above to below”





"From above to below"


(Dali por mim)



Quando a facilidade de escrever se insubordina, escrevo e escrevo e escrevo; transformo-me em caudilho do que digo, converso conversas sem contexto quando a ocasião não me facilita a escrita, como agora de certeza, nada me ocorre que valha a pena ser escrito ou conversado, nem me convenço do que afirmo ter uma ordem certa, alfabética.
O labirinto é o fauno e uma única tarefa imortal só na alma e na do poeta o fio da meada.
A fome e a sede são circunstâncias.
Defino-me como a excepção intuitiva, não entendo os outros nem pretendo ser entendido por todos, não ajo nem ando como a maioria das pessoas.
Não me sinto culpado por não me fazer entender, é uma questão de consciência, não uma tragédia.
A fome e a sede são insignificâncias perante a existência de cada um, mas concorrem e especializaram-se, cada uma à sua forma para o triunfo da mente humana e para que as palavras falem às vezes connosco e as entendamos.
A noção simples de existência é esmagada pela sede e pela fome mais que pela miséria insana, embora sejam uma trindade, uma trilogia, outra palavra em voga e em moda; Já o que me costuma manter vivo é um desejo de comer e beber, absurdo para alguns, para outros, compreensível ou a regra "Sine qua non".
Defino-me como a excepção não pela inteligência ou habilidade, mas pela simplicidade e pela intuição, como água de uma fonte ou um pedaço de pão na mão de um miserável esfomeado mas autêntico, assim sou eu e sempre, serão a sede e a fome também autênticas quanto o Jonas e a Baleia.
Basta-me ver rosas, beber vinho e uma conversa com a cabeça ou o estulto projecto de a manear assim como um mundo.
O vinho ajuda a reparar injustiças e o esplendor da beleza feminina, uma dádiva da natureza, um requinte, uma arte, um conforto.
Quando a finalidade ao escrever é de desvendar territórios remotos temos que contar com a nossa competência de aventureiros mas também com a capacidade das lanças hostis, a disciplina de falanges nómadas ou do açoite do deserto na lona das caravanas, a bigorna do sol-rei nas têmporas das hostes guerreiras, os pórticos inúteis no coração da Mongólia guardados por fiéis disciplinados e profecias que a história nega aos de hoje.
Quando a facilidade de escrever se insurge da rotina dos meus hábitos, surgem-me pensamentos nos nós dos dedos e nos actos mais tacanhos ou mesquinhos, sendo a distracção um contraponto, a abstracção uma costureira e a teia, forma o que penso, o fio da meada ou reverso da moeda.
A bebedeira é um profundo bem-estar e podemos encontrar a nosso carácter atrás dele, em longas taças, em pequenos goles.
Para mim a vista é o julgar que se vê, o crer que se vê sem ver; o paladar, um ritual degustativo, quando chega ao palato o sabor do chocolate derretido na língua assim como o café junto com o açúcar, inseparáveis quanto o charuto dispendioso e o fumador rico, anafado, o sultão de Constantinopla com o séquito do harém, todas com longas tranças e a fumaça das mil e uma noites.
O excesso de recordações é uma contrariedade infinita, torna-me suspeito de incompetência e incapaz de viver "do novo", sem encontrar soluções no "atrasado", "From above to below" sujeito apagado e cerimonial do que assumi como sendo igual ou equiparado a genial, sendo absurdo isto tudo, esta ida "non Stop"nesta ideia de vida.



Joel Matos
396

Convenço, convencei, convençai…




Convenço, convencei, convençai...

A catarse da vida é tudo o que há de mais puro nas ilusões, a perca de ilusões é o cataclismo simbólico, a catástrofe, o fim de tudo que, inconscientemente nos anima, nos dá alma e brilho ao espírito, o cenário, o quarto da Alice brilhando no escuro, no breu.
"A ida", na viagem, é uma desses enganos magníficos, maravilhosos, em que a nossa inteligência nos cede endomórficas estaminas, tal como numa aventura a dois, de recém- apaixonados ou casados, ainda com a tinta fresca e as latas a arrastar ruidosos, no asfalto, traços descontínuos a perder de vista, um "Buick" branco conversível, nas estradas do Arizona, regressado à estrada, como novo, depois do casal fazer 60 anos de casados, incutida a genial ideia de que isso era a felicidade conjugal suprema, há muito tempo perdida e a depois miraculosamente redescoberta; coisas da publicidade comercial de "Cable- TV" , que tanto pode vender cigarros para um infeliz cowboy, sentados na garupa de um cavalo malhado no meio do deserto de Sonora (apesar de ter morrido de câncer no pulmão, alguns anos depois) assim o medo por tubarão de filme, nas séries da Net-Flix, sem enredos, apenas medo e mais medo das águas cálidas, pacíficas do meio oceânico.
Vendem-nos Pepsodent-herbal, para a cárie nos dentes tal como a cabeleira de Donald-Trump despenteada, quão admirável presença na sala oval, não fosse gato-morto, fedorento ou escalpe/ troféu de cinturão de índio, no Far-West Americano ou ainda quando se vende como autêntica necessidade, uma chaleira de água quente com apito, a um beduíno no deserto, sem corrente eléctrica nem luz na tenda, música anti-stress, a um monge dos Himalaia, em recolhimento por 120 anos, numa gruta a mais de 5.150 metros de altura, apesar deste viver-nas-nuvens.
O fígado e os rins são excepções, não consigo e acho que ninguém consegue, fazê-los mudar de funções, mas penso que funciona no marketing e em quase todas as nossas acções.
As nossas escolhas não são monólitos negros, estruturas decanas, ancestrais, mas sim espuma, plasticina-plástica, matérias mutáveis, alteráveis, estranhas simbióticas e tacanhas as nossas mentes, pois acreditam em tudo quanto lhes impingimos, quer seja banha de cobra ou sabonete de ervas para a celulite e para a tinha-seborreica.
Usada benevolentemente, a nossa capacidade de convencer pode, pela persistência, dignificar a esterilidade ou dar importância a um individuo nulo, de olhar fixo e lentes graduadas, tornar pertinaz o filosofo e metafisico algo ou alguém cuja importância e existência, seja pouco mais que física e que se reconhece ele próprio como ser meramente decente e próprio para uma digestão monogástrica, mono-fágica. Uma tragedia, a decadência humana, se não ousarmos sonhar, sonhemos, acreditemos, convençamos alguém que a lua é feita de vidro verde e o homem objecto de porcelana da China, nada é o que parece mas tudo o que parece pode ser e é, cabe-nos acreditar.
O mecanismo da inteligência dá-nos clarividências que podem ser genéticas, apesar da nitidez maior ou menor com que as possamos usar ou usufruir, pode ser sublimada, alavancada por peças exteriores a ela e estas, se usadas da forma mais generosa, podem fazer conquistar muitos e nobres propósitos ao ser humano em geral e à humanidade, como se fossemos um cardume de anchovas livres e felizes, num mar sem redes ou tramas menores, convençai...conversai ...

Joel matos 07/2018
http://joel-matos.blogspot.com
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Comentários (5)

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nilza_azzi

É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.

obrigado a todos que me leram

ricardoc

Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.

131992

muito intenso seus poemas, adorei.

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Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja a ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! Raimundo Correia -Raimundo Correia