Primeiro, Paula, tu vens com o vento, repentina tal quem cala e desperta, tira do plumo, ou dá direção certa. Sabe ser temporal! Também alento!... A cor da tua áurea em movimento. Enquanto tua essência cala e aperta, e qualquer decisão se torna incerta. Esvai-se o que não é avivamento.
Segundo você chega como as brumas, e ocupa sem esforço o olhar faminto sopro de entusiasmo tão excitante.
Súdito fiel deste labirinto. Vontade louca em ser teu doce amante; e nossos corpos leves feito plumas.
Primeiro, Paula, tu vens com o vento, repentina tal quem cala e desperta, tira do plumo, ou dá direção certa. Sabe ser temporal! Também alento!... A cor da tua áurea em movimento. Enquanto tua essência cala e aperta, e qualquer decisão se torna incerta. Esvai-se o que não é avivamento.
Segundo você chega como as brumas, e ocupa sem esforço o olhar faminto sopro de entusiasmo tão excitante.
Súdito fiel deste labirinto. Vontade louca em ser teu doce amante; e nossos corpos leves feito plumas.
93
Amar é fé em ação
Neste mundo em que tudo é rebuliço em que a maldade aparece como inço, amar cada dia mais se faz preciso... E se achar que não tem nada haver com isso, amar se faz conciso, e então abre o teu sorriso! Quanto mais dura parecer a jornada da vida, amar é a moeda de troca mais valorosa! Amar é manifestar Deus em bênção harmoniosa, empatia silenciosa, renova a alma exaurida, e a torna brisa ungida; é pedra preciosa... Amar é fé em ação, é portal de esperança, é pura confiança de jamais estar só! Só por amar o coração não conhece nó e vive a palpitar na mais afinada dança, pois, quem ama descansa, com Deus estar a sós...
89
Ode ao amar
Afaga-me nas fontes caudalosas sob o julgo dos lábios sedentos. Emana o vale fértil de rebentos envolto a calda de amoras sedosas, revolto mar de rosas, sopra-me avivamentos. Afaga-me no suspiro amoroso, ó flor silvestre, cólera de ardores! As estrelas soam ternos tenores, banha a alma num abraço sedoso, louco mar furioso dê-me falsos pudores. Renda-me no mar da delicadeza no silvestre fogo de chão forjada, ser sólida e voraz, porém alada, de palpitar feroz, ar de nobreza, dê-me tua alma acesa faz-me sua morada.
98
Substância da fé
Ah meu olhar! Tão breve quanto profundo; Albergue que se abre todas as noites como uma sala de estar das estrelas, e contente por tê-las; já sou dono de tudo...
Aqui deitado sob o universo desnudo, como se o ‘eu’ fosse o todo e o todo somente o ‘meu eu’, como uma floreira que se espalha no alpendre numa beleza tão simples formosa ao natural... De repente sinto-me filho do universo, onde Deus é o todo e o todo é o puro Deus que se manifesta pela infinidade ‘de eus’; única composição de todas as coisas, e nada existe além... Como imenso espelho posto diante Dele, e todas estrelas que estão a brilhar lá fora em sublime verdade, brilham dentro de mim... No olhar lágrimas de jubilo natural em que o seu limite é não reter limite. Então meus olhos de universo, decompondo-se em puro verso; brilha no escuro...