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Sadomasoquismo cultural

Estamos presos
Em um:
Sadomasoquismo cultural!
Eles nos ensinam gostar de sofrer,
Mas não nos ensinam a gritar.
Eles não gostam de saber
Que estamos vivos
Não querem que façamos barulho,
Escândalo ou lacres
A boca deles
Vive de ataques
"Sai pra lá
Com esse papo de viado!"
A fusfluorescencia de vocês
Já não me causam impacto
Sem medo da morte
Porque por sorte
Descobri que estamos
mortos em vida.
Então viva,
Cada milésimo de segundo
Como se não houvesse amanhã
Porque na verdade
Não tem.
A gente tem o hoje
Agora
O segundo passado
Transbordou o tempo
E infelizmente pra alguns
Já não existe mais.
Então puxa pro peito
Uma vontade de existir
Assuma seu namorado, namorada
Ame a sua travesti.
Sem medo da ignorância,
Do desamor que nos alcança
De toda deselegância
Da pátria ARMADA Brasil!
A cada 16 horas meu sangue jorra
A cada 16 horas meu coração congela
E tudo que se espera
Que se espera mesmo
É que possamos evoluir.
Segura a mão de quem se ama
Não tenha medo de existir
Bi, pan, gay, sapa,
Poli, trans ou travesti,
Que se encaixa na binária
Ou que descobriu o (R)êxistir
E agora se encaixa onde mesmo?
Em si!
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Poemas

48

Sadomasoquismo cultural

Estamos presos
Em um:
Sadomasoquismo cultural!
Eles nos ensinam gostar de sofrer,
Mas não nos ensinam a gritar.
Eles não gostam de saber
Que estamos vivos
Não querem que façamos barulho,
Escândalo ou lacres
A boca deles
Vive de ataques
"Sai pra lá
Com esse papo de viado!"
A fusfluorescencia de vocês
Já não me causam impacto
Sem medo da morte
Porque por sorte
Descobri que estamos
mortos em vida.
Então viva,
Cada milésimo de segundo
Como se não houvesse amanhã
Porque na verdade
Não tem.
A gente tem o hoje
Agora
O segundo passado
Transbordou o tempo
E infelizmente pra alguns
Já não existe mais.
Então puxa pro peito
Uma vontade de existir
Assuma seu namorado, namorada
Ame a sua travesti.
Sem medo da ignorância,
Do desamor que nos alcança
De toda deselegância
Da pátria ARMADA Brasil!
A cada 16 horas meu sangue jorra
A cada 16 horas meu coração congela
E tudo que se espera
Que se espera mesmo
É que possamos evoluir.
Segura a mão de quem se ama
Não tenha medo de existir
Bi, pan, gay, sapa,
Poli, trans ou travesti,
Que se encaixa na binária
Ou que descobriu o (R)êxistir
E agora se encaixa onde mesmo?
Em si!
84

Camila

Então ela me fez
Esculpiu meu rosto em machê.
Então, má cherry
Você faz falta por aqui.
Lembro da nossa última conversa
Que você me disse que eu
Conseguia te fazer sorrir
E era uma espada de dois gumes
Por que eu também sorria por aqui.
A alma ficou abatida
Estou vivendo em stand by
O precisar enfrentar o mundo
Abafa todos os meus ais.
E dói
Dói tanto
Mas sigo forte
Era isso que cê ia querer
Olha que bobeira Camila
Por você parei até pra agradecer.
Olhos cerrados
Fé que tudo vai dar bom
Saudades da sua arte,
Da sua risada e do cheiro bom
Que só você tinha.
Conselhos, trocas
Inspiração..
Então
Foi-se da terra
Muita luz, amor e gratidão.
78

Use Minas

Por aqui a Terra foi tomada
A história foi levada
A memória apagada
Por isso a gente vai lá e relembra
Mostra e desentoca
Tudo aquilo que de nós tomaram
O que eles colonizaram
Pra mim, colonizador nem é gente!
Antes de tudo tudo era livre
Pomar espalhado
Por tudo onde que se é usina
Cimento.
Por um momento achei que tudo se dissolveria em só pura lamento,
Mas os meus passam e repassam conhecimento.
A nossa história não é só memória
É viva e não mais se explora.
74

Metamorfose

Tudo mudou tão de repente.
É que agora entra mais luz no quarto,
Me mudei mais pra perto do sol.
É que o sol
Nos deixa de presente coisas azuis
Tipo o céu
Mal se sabe o que se passa entre o céu e a terra
E com toda certeza
São mais coisas que os olhos podem ver.
Tudo é palavra
Verbo de ser, viver e estar.
O mundo gira e eu?
Ainda arranco sorrisos seus.
É que eu me propus a viver
E deixar de lado a armadura de se estar
É que ser, talvez seja a única coisa que realmente faz sentido
Então apagaram de nós a vontade de ser
E nos deixaram a vontade de correr
Correr atrás do cifrão, do dinheiro
Da vida plena que se tem de sobreviver pra estar
E arrancaram de nós também a vontade de estar
Talvez a gente lute pela vontade de viver.
Amo quando cê me diz que sente falta de me ver no violão
Eu sinto falta das nossas mãos.
Foi aí que aprendi a sentir falta e caminhar sozinho!
A rua é mais escura quando se está só.
...
É que pra alguns o besouro é inútil
Só serve pra rolar bosta
Mas tem muita gente se sentindo um bosta
Precisando de um besouro que o role, dê um rolê.
...
Por aqui os dias começaram a competir
E disputar a maratona de São Silvestre
Querendo sempre chegar na frente
E atropelar até às horas
Pra se igualar aos meses
Para que se viva acelerado.
Metade do seu dia vale seu salário?
Metade da sua vida vale?
Eu?
Eu amo tocar violão pra você,
Eu amo você e esse sorriso de verdade.
É que agora talvez eu volte a escrever poesia
Coisa que rima
E o povo diga: isso é poema!
É que agora meu olhar se perde
Quando eu paro de recitar
Antes tinha o que buscar
Agora é vazio
Mas a gente faz do mesmo jeito
Com mais vazio
E três doses a mais de força
Talvez uma de cachaça e outra substância química.
É engraçado,
Mas nunca soube fazer nada sóbrio!
Fobia social que muita gente acha que não existe,
Mas tá cheio de gente aqui em casa
E eu?
No meu quarto, que é ponto de arte
Pensando, rodando e escrevendo
Pro cê vê que chique!
...
É que dizem por aí que as pessoas mudam de opinião muito rápido
Que elas não sabem o que querem.
E eu só estou Raulzito
Na preferência de ser uma metamorfose ambulante
Que manter velhas opiniões já formadas.
77

Gatilho Versado

Tem haver com conquista
Tem haver com beleza
Quase nada de clareza
É que por aqui se enxerga escuro.
Mas não é turvo
É que luz, cega a visão.
D'Grego sabe bem.
Eu tô falando:
Esse encontro pra mim foi de milhão.
Cês nem sabem do peso desse click
Tem história e amor
É que quando nós se ajunta
O qualquer coisa
Vira muita
É que a verdade absoluta
Nós sabemos bem
Que nunca existiu!
Lhes ofereci água pra beber
Cês beberam
Devolveram
E olha onde nós chegou
Onde cês me levou
Ainda bem que pra nós três
O tempo não parou
É que amor tem asas
E ele se sente livre
Por isso que nós avua, avoa
E com amor.
Por aqui, tudo é básico
D'Grego que já me trouxe
Cesta básica
Talvez hoje saiba o porque de ser
Sarau Sexta Básica
Gabriel que é básico como o sopro da flauta
Que se presenteia na praça
Ei parça
Prazer de te chamar de amor
Olha nós três aqui
Olha só
Rolou
Sextou
Só que no domingo
E foi tão lindo
Que dessa vez eu chorei
Não só tremi.
E eu vi
Daqui
De perto
Que pro sonho ser concreto
Tem que se acreditar.
Por fim
Só amores no cês
Como eu amo nós três
E esse ménage intelectual.
79

...

Da nada
Nunca deu
Tanto faz
Quem sou eu?
Não sei!
78

N u a n c e s

Eu
Me perco nas maravilhas
Que são as penas
E eu
Me travei
Quando me perdi
Em suas pernas
...
Hoje acompanho com o olhar
Os passos largos
Que se caminham
As pernas
E viajo
No vôo da ave
Que bate suas penas,
Asas
E faz com que tudo
Plane.
Acredite,
A terra não é plana
É que não trouxeram bons
Alienígenas
Pra poder fazer
Terraplanagem
Então deixaram tudo cheio de
N u a n c e s
E bem dedondinho
Pra poder rodar e transladar
Ah
Me perdi nas suas pernas
E bem que eu
Queria ter penas
Pra poder voar e ficar no alto
Só observando
Por onde é que você
Vai caminhar.
83

Cabelos brancos

Eu achei uns cabelos brancos
Talvez o espanto não seja nem pela cor
Ou algo do tipo
E sim a idade chegando
Dizendo que tô ficando sem tempo
E que meus lamentos deveriam ser deixados de lado.
Hoje achei mais um fio branco na minha cabeça
E talvez eu esqueça de tudo amanhã cedo
Mas por hoje?
Tô remoendo.
Hoje achei um cabelo branco
Sentei no banco e só tive tempo de me sentir pra baixo
Pensar que corpos mais novos
Tem de ser manter mais excitados.
Achei um cabelo branco surgindo da mente
E às vezes a gente mente
E se sente confortável com isso
Pior é quando a mentira é pra gente
E a gente acredita.
Hoje achei mais um fiozinho branco
Talvez seja preocupação
Coisa de quem ama demais
E sente com o coração.
O dia se estende 
Tudo se clareia
A mente tá valente.
Hoje achei um fio branco na cabeça
Achei incertezas
Uma vontade de chorar
Mas ninguém sabe
Ninguém sente o que eu sinto.
Eu olhei no espelho
Vi o frio branco
Poderia ser mais brando 
Só que não foi.
Voltei
Deitei
Chorei de novo.
Fios brancos na cabeça 
Causam uma espécie de enjôo
E nem tô enjoado fisicamente
Só que não achei legal o espelho hoje.
Sabe porque?
Hoje achei um frio branco por aqui
Eu não me sinto aí
Mas tá tudo bem
É só a mente que é surtada.
88

Krenaks

Não tem-se o que comemorar
A perseguição atual
Aos povos originários tem de acabar
São os que são da terra antes
Respeito tem de ficar
É que é muito prédio e pouca oca
Cocar, ensinamento ancestral a se passar.
É muito carro na rua e pouco espaço e lar.
Já pensou que o indígena não tem terra, local, pomar?
É que antes do cês
Tinha o povo que sabia plantar
Cuidar
Do seu povo direitin
Cada um com seu lugar.
O arco e a flecha
Òkê Arô
É que vem e desperta
A força dos 'antecessor'
Que com a força da terra,
A pureza da mata,
A vivência com os bicho
E a fluência da água
Mostra como deveria ser nossa estrada
Caminhada
Caminho de casa
Plantar, caçar, cuidar
Cura ancestral através das ervas
Cultivar
Elos, laços e cultura
Magia, sabedoria, agricultura
Familiar
Nada de agrotóxico
Nada de tóxico
Sem multinacional ou agronegócio
Só a essência do que é nosso.
Ipatinga
Terra Krenak
Pouso de água limpa
Onde se abriga Cariru.
Ipanemão e Ipaneminha
Não é só um lugar comum
É cultura
É história
Em fabri, cê passa Caladinho
Porque homi branco não pisa em terra de 'indio'
Sobe no cocais pra ver
Muita história pro cê
Só que veio as empresas
Pra estragar todo viver
Foi-se história, lenda
Pra que fique na memória
Pra que não se esqueça
Pra que nos mantenham vivos
E nunca mais se esclareça
As ideias que são de um povo
De origem vermelha!
80

...

É que você sabe bem
Que tudo um rebuliço
E é tão tranquilo
Saber que cê tá por aqui!
78

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