Kátia Surreal

Kátia Surreal

escrevendo obscuridades da alma e do mundo.

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quem vai pelo bosque

busca-se 
quem se deixa 
vai-se pelas folhas
perde-se quando
é chegada a hora
a noite tem o tempo que quiser 
os dias são escuros
tudo que brilha
escapa-se por frestas
o bosque é perdição
devaneios por entre trilhas
mas sua intuição insiste
quem vai pelo bosque
busca-se
em estado triste
depara-se com uma fonte
o instante anuncia o retorno
o rio transborda 
a trilha é desfeita
tudo começa de novo
(kátia surreal: 22/9/2026)

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Poemas

67

seja

só há meia cerveja 
uma boca que beija
raul seixas 
incerteza
que à mesma maneira
rasteja 
a noite inteira
beleza
(kátia surreal: 11/9/2026)

15

se você

se sentir mais ou menos livre
entenda 
você é livre
hoje o dia não será como ontem
nem os dias persistentes de desespero
compreenda 
este é o estreito momento para atravessar
não uma alegria infinita 
"ilusosa"
mas é quando terá que arriscar
e o que vier
aceita
esta é a partícula do tempo 
em que todo fragmento torna-se amor
ou saudade...
(kátia surreal: 11/9/2026)

15

delírio encapsulado

presa estou pela manhã a recolher as lágrimas
livre sou à noite ao te recolher em minha cápsula
quando me transbordar
a tez partida será uma saída
quem se importa com a morte de uma flor
que só aprisiona um hiperbólico sentimento?
(kátia surreal: 9/9/2026)

19

zumbilésbia

ela foge e a cidade está tomada
o camarada surge em sua mente
qual mestre dos magos
orientando-lhe na fuga
que a situação é de luta
todos se transmutam
ela se refuta
mantendo-se única

uma zumbi abraça-a sob uma árvore
vontade abraçada
não se escapa fácil de um forte abraço
zumbis que nem existem persistem

seguindo a rota do mestre
agora está diante do banheiro
isso já diz tanto
outra zumbi vem fixamente
despertando o mais vívido de si
ela corre ela trava ela luta
salta a latrina escapa na curva

súbito se esvai na conduta
derrapa na vontade e desperta
zumbi
         afrodite
                      eros recomeça...
(kátia surreal: 9/9/2026)

ps.: pretendo escrever um conto a partir desse poema, pois também sou ficcionista.
acompanhem mais: blog fugere ad fictem e @katiasurreal_

16

as músicas que escolho

posto poucas
não há segredos
só pretextos
uma falsa trilha sonora
regendo o percurso do dia

hoje então me descubro
quase um segundo
quem aprecia herbert vianna
provavelmente nem ama
anemoia paranoia cavalo de troia
a dispneia é real e o soldado da razão
não dá tréguas sinfônicas
aos desconcertos das ondas de rádio
e das arritmias da vida comum
sem cortinas.
(kátia surreal: 9/9/2026)



20

sombras na lua

eu queria tocar mais a fundo
onde está tudo tão escuro
muito além do que é

eu queria galgar este muro
porque meu mundo
avulta-se como eu quiser

como flutuar livre por entre
as trevosas nuvens
da minha imaginação

sou hiperbólica sou dupla
neste céu mal tenho não
como em mim há a lua

sou kátia sou hékate yabá obá
que a morosidade do tempo
conduzir-me-á.
(kátia surreal: 9/9/2026)



18

amar é

uma desobediência 
a tudo que foi consagrado
pode até ser tudo

o que já se tenha feito ou pensado
e só para contrariar o que agora afirmei

amar é um espírito sem lei

amar não é bem estar isolado
mas por que amar conforme as regras
ter alguém ao seu lado

amar de modo universal é muito pouco
cada um fica com uma migalha
amar a si é uma mentira descarada

da contemporaneidade

já disseram que amor é ar fogo e água
só concordo pela inconstância
amor em terra é tão parado 

prefiro o disparate

amar é coisa que não sei
mas acontece ou então se persegue

amar é o que for preciso no tempo do agora
e continua se tecendo por aí sem conclusões

amar não precisa de definições
amar é parnasiano
pinta-se o vaso sob medida
na frieza da perfeição em mármore

amar não tem verdades
é satânico
com aroma de sândalo
amar é uma sandice
porque nem sequer existe

amar é uma maré
amar é...
(em construção)
(kátia surreal: 13/9/2026)

40

meu inimigo

pisa sorrateiro pela minha sombra
com a sola desgastada em cacos de vidros
qual andarilho por milênios até me encontrar

meu inimigo
caminha comigo
compartilha vinho e degustamos vidro
rangidos com o ódio construído no tempo

meu inimigo é-me tão unido que merece um livro
um crivo um risco o ritmo violento
pensamentos arranhados
na vitrola e na rota
de uma canção que nunca termina.

meu inimigo
é a sina
(Kátia Surreal)

19

a cor do poema

quando o pneu do ônibus estoura
a porta da van escapa no ar
desperto de chofre
ainda me lembro dos preto e branco em xadrez
certos homens estampados
mulheres sóbrias
eu estava lá
isso não foi num único dia
só não te contei antes
assim invento as relações
algum sentido ou semelhança
a cor do instante é azul
em noites pretas
condenso fatos
uma questão de gosto.
(Kátia Surreal)


20

hoje a tristeza não é passageira...

não tive febre
nem calafrios
não fiquei chorando baixinho
e quando chegar a noite
todas as metáforas serão desfeitas
sem magia sem sinestesia
o mundo vai ser do jeito que é
é o fim da poesia
a labuta será tão perfeita
que o patrão supondo que eu só queira o básico
antecipa-me à sarjeta
dois cigarros
a pinga
e a anjo a me tentar.
(Kátia Surreal)

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Comentários (2)

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Se tiveres um tempinho me visite ... com tuas reflexões sobre meu pequenos e humildes textos. obrigado. ademir o poeta.

Olá ...amiga ... se assim posso dizer... li todos 08 textos e posso lhes dizer que são muitos concretos - realistas - parabéns - este é o meu modo de entende-los. ademir o poeta.