kennedy Araújo

kennedy Araújo

n. 1987 BR BR

Um poeta de beira de rio

n. 1987-01-14, Santarém, Pará, Amazônia

Perfil
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Os olhos cegos da noite

A tristeza rompida em lágrimas 
desvanece-se
na morna luz desse luar...

Na porosidade dos instantes,
o edifício caiado da paixão 
ruína-se
em si e para sempre...

Encarei os olhos cegos da noite
e no silêncio abismal desse momento 
tornei-me inteiro com minha dor.

 

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Biografia

Poeta, Filósofo, Professor e Mestre em Educação.

Poemas

11

Da ataraxia

No reino do silêncio
só uma palavra é bem-vinda:

Shhh...
(e bem baixinho...) 


Kennedy Araújo 
441

Sobre o menino que queria ser poeta

O menino inevitavelmente cresceu...
Contra a própria vontade,
mas cresceu...
Tornou-se grande?
Não!
Tornou-se triste...
Fez-se poeta. 

Kennedy Araújo
441

O HORIZONTE DOS NOSSOS DIAS É VERMELHO

Frente à absoluta indiferença do capital
marcham
ainda perdidos e sem direção
aqueles
a quem chamo de irmãos e camaradas,
e que pela sua força de trabalho,
enquanto classe social,
produzem
a ferro, fogo e sangue
toda possibilidade
real e concreta
de igualdade, liberdade
e poesia.
O horizonte dos nossos dias
é vermelho.
E na boca daqueles que sustentam,
apesar de todas as barbáries cotidianas,
o valor imensurável das utopias,
o medo não é outra coisa
senão
palavra maldita.

Kennedy Araújo
414

Meditação

O cigarro depois do almoço é sagrado,
apesar de toda ciência...
              o duro mesmo
é morrer de amor mal tragado,
e viver em eterno flerte com a demência...

              o cigarro é o prazer possível,
              o momento silenciado,
              o grito no peito contido,
              é a mão, o gesto, e o gasto...

              o amor
              é o desejo invencível,
a dor jamais dita,
a esperança irremediável,
              o próprio colo do inimigo...



Kennedy Araújo
493

Poema para a mulher que agora espero

A mulher que agora espero,
É a mulher por quem sempre esperei...
E essa espera tão doída,
E ao mesmo tempo tão bonita,
É a espera que me quebra 
E me fascina.
É a espera que me sufoca,
Me liberta, me alucina...
É a espera que me invade,
Me conquista, me edifica...
Por ela espero a espera que for.
E mesmo que essa espera 
Faça meu peito transbordar em dor:
Eu espero, eu espero, eu espero...


Kennedy Araújo
506

Na vastidão convexa do teu olhar

Mesmo em manhãs de abandono,
borboletas 
voarão ao teu encontro,
caso entendas, minha pequena,
que cada manhã 
é um jardim suspenso no tempo 
à espera 
do nosso impreterível encontro.

E mesmo nas tardes de vazios imensos 
e de tristezas infindas,
uma nuvem
cairá 
sobre a planície abstrata do teu dia,
e te revelará, minha amiga,
o perplexo horizonte 
da minha indelével poesia.

E mesmo nas noites mais turvas,
quando o amor se deixa exasperar,
ainda
há de haver estrelas,
amada minha,
e a perspectiva implícita do amanhã
despontando a claridade 
na vastidão convexa do teu olhar.


Kennedy Araújo
626

Poema em pleno voo

Eu te amo
como se o amor fizesse sentido.
Eu te amo
e nem preciso dizer o tanto,
o tanto que imensuravelmente amo,
o amor, 
que como a poesia
nunca exigiu rima,
tampouco sentido.
Eu te amo
tal qual o primeiro voo do passarinho,
que ignorante da vida e da morte,
entrega-se a elas... como eu me entrego a você,
num único e infinito movimento,
rumo ao meio do céu.


Kennedy Araújo
667

Poema de todas as causas perdidas

Um poema
escrito despretensiosamente 
numa noite qualquer de verão,
é o testemunho definitivo 
que a vida
mesmo sendo, quem sabe,
uma causa perdida,
nunca foi em vão.


Kennedy Araújo

677

Deixaste-me na boca o delicado sabor da pitaia

Deixaste-me na boca o delicado sabor da pitaia,
e nos olhos
a luz bonita daquela manhã de dezembro.
Nada pude contra teus feitiços de mulher
que tu me lançaste com teu choro de menina.
De ti quero apenas a certeza (sempre improvável) do amor
acariciando 
o duro cotidiano da minha tácita agonia.


Kennedy Araújo
636

DO FOGO ÉS O AZUL

Na alta lua cheia de junho
tua pele preta resplandece 
por toda extensão da natureza. 

És por inteira,
e comungas, em silêncio,
do mistério da terra.

Do fogo és o azul.

És a sede do mundo,
a transparência da água. 

Tens nos olhos a luz
que decanta a eternidade,
e nas mãos 
a leveza que sustenta o infinito.

 

667

Comentários (3)

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Luciana

muito linda a poesia ! parabens!!!

Lagaz

Parabéns poeta... é um prazer conhecer os escritos que tem vida

Kaio Gabriel
Kaio Gabriel

Parabéns professor, belos poemas