kennedy Araújo

kennedy Araújo

n. 1987 BR BR

Um poeta de beira de rio

n. 1987-01-14, Santarém, Pará, Amazônia

Perfil
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Espelho d'água

No renitente assobio da coruja, 
a madrugada declina 
               impassível 
à minha dor...

               o céu 
é um vasto rio negro
de densidade fina 
e de profundas ilusões 
onde dispõem-se
                       estrelas,
          planetas,
satélites,
                       distâncias infindas,
além de vazios incontornáveis...

o céu é então 
espelho dos teus olhos de cigana,
                     olhos
de anseios repentinos,
                     olhos
de mistérios insondáveis,
                     olhos donde emergem
confissões impossíveis,
além de poemas indecifráveis...

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Biografia

Poeta, Filósofo, Professor e Mestre em Educação.

Poemas

4

A volta do gato

O mais singular dos animais é o gato.
Mais que qualquer mamífero,
qualquer réptil,
ave
ou anfíbio,
mais que qualquer peixe
seja de rio
seja de mar,
mais que o ornitorrinco, eu diria.

O gato é o mais misterioso dos bichos.

Quanto mais gatos,
mais mistérios,
e quanto mais mistérios,
mais poesia.

Baudelaire, Borges, Neruda, Vinícius
exaltaram a sublime existência dos gatos,
como é próprio de todo poeta.

Poeta sem gato
é casa sem mistério,
e casa sem mistério 
é túmulo.

O gato vem do antigo Egito, 
e com a sua felina vadiagem
atravessa sem pressa 
os muros e telhados erguidos sobre o tempo,
seguindo, assim, livre e esguio,
o seu flexível e obstinado caminho
de volta para casa. 


 

434

Os olhos cegos da noite

A tristeza rompida em lágrimas 
desvanece-se
na morna luz desse luar...

Na porosidade dos instantes,
o edifício caiado da paixão 
ruína-se
em si e para sempre...

Encarei os olhos cegos da noite
e no silêncio abismal desse momento 
tornei-me inteiro com minha dor.

 

384

Espelho d'água

No renitente assobio da coruja, 
a madrugada declina 
               impassível 
à minha dor...

               o céu 
é um vasto rio negro
de densidade fina 
e de profundas ilusões 
onde dispõem-se
                       estrelas,
          planetas,
satélites,
                       distâncias infindas,
além de vazios incontornáveis...

o céu é então 
espelho dos teus olhos de cigana,
                     olhos
de anseios repentinos,
                     olhos
de mistérios insondáveis,
                     olhos donde emergem
confissões impossíveis,
além de poemas indecifráveis...

426

Poema da desesperança

Depois de acimentada a última praia,
o horizonte se encolherá
até o ponto de não mais existir.
No lugar do antigo sol,
apenas o fogo de uma estranha estrela morta 
aquecerá
os corpos 
mutilados de sonhos e sentidos...

Quando a iminência do adeus,
que tomou conta de todas as coisas,
que um dia nos engendraram de imagens e sons,
se converter em vazio e esquecimento,
então, os deuses
deixar-se-ão eternamente ocultos 
no ventre da terra
e da escuridão,
apenas mais escuridão brotará...

No dia em que as florestas e mananciais
resumirem-se 
a vastos cemitérios 
assombrados pelos espectros da nossa ignorância,
então, a vida humana
ter-se-á reduzida,
como num ato trágico de puro engano
à fria consumação de todo mal.



 

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Comentários (3)

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Luciana

muito linda a poesia ! parabens!!!

Lagaz

Parabéns poeta... é um prazer conhecer os escritos que tem vida

Kaio Gabriel
Kaio Gabriel

Parabéns professor, belos poemas