kennedy Araújo

kennedy Araújo

n. 1987 BR BR

Um poeta de beira de rio

n. 1987-01-14, Santarém, Pará, Amazônia

Perfil
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Os olhos cegos da noite

A tristeza rompida em lágrimas 
desvanece-se
na morna luz desse luar...

Na porosidade dos instantes,
o edifício caiado da paixão 
ruína-se
em si e para sempre...

Encarei os olhos cegos da noite
e no silêncio abismal desse momento 
tornei-me inteiro com minha dor.

 

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Biografia

Poeta, Filósofo, Professor e Mestre em Educação.

Poemas

15

Poema em pleno voo

Eu te amo
como se o amor fizesse sentido.
Eu te amo
e nem preciso dizer o tanto,
o tanto que imensuravelmente amo,
o amor, 
que como a poesia
nunca exigiu rima,
tampouco sentido.
Eu te amo
tal qual o primeiro voo do passarinho,
que ignorante da vida e da morte,
entrega-se a elas... como eu me entrego a você,
num único e infinito movimento,
rumo ao meio do céu.


Kennedy Araújo
667

Poema de todas as causas perdidas

Um poema
escrito despretensiosamente 
numa noite qualquer de verão,
é o testemunho definitivo 
que a vida
mesmo sendo, quem sabe,
uma causa perdida,
nunca foi em vão.


Kennedy Araújo

677

Deixaste-me na boca o delicado sabor da pitaia

Deixaste-me na boca o delicado sabor da pitaia,
e nos olhos
a luz bonita daquela manhã de dezembro.
Nada pude contra teus feitiços de mulher
que tu me lançaste com teu choro de menina.
De ti quero apenas a certeza (sempre improvável) do amor
acariciando 
o duro cotidiano da minha tácita agonia.


Kennedy Araújo
636

DO FOGO ÉS O AZUL

Na alta lua cheia de junho
tua pele preta resplandece 
por toda extensão da natureza. 

És por inteira,
e comungas, em silêncio,
do mistério da terra.

Do fogo és o azul.

És a sede do mundo,
a transparência da água. 

Tens nos olhos a luz
que decanta a eternidade,
e nas mãos 
a leveza que sustenta o infinito.

 

667

SONETO DA BEIRA DO RIO

Sinto a brisa do beiro do rio, 
Fecho os olhos em lassidão,
Sinto que tudo sempre esteve por um fio,
E que as coisas nunca permanecem como são...

Heráclito, o obscuro, foi quem primeiro viu,
Que a vida é guerra sem fim e não mansidão,
Que tudo que é bom tem sempre o seu lado vil,
E que a fome é que dá sentido ao pão.

Ouço o épico suicídio das ondas infinitas,
Penso na dívida dos homens com Sisifo,
Sei que é preciso ler todos os poetas,

Sinto que no universo não sou nada além de cisco,
Lembro que é preciso abrir os olhos na hora certa,
Para assim ver a face do fim desde o início...

 Kennedy Araújo
762

Comentários (3)

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Luciana

muito linda a poesia ! parabens!!!

Lagaz

Parabéns poeta... é um prazer conhecer os escritos que tem vida

Kaio Gabriel
Kaio Gabriel

Parabéns professor, belos poemas