Kissyan Castro

Kissyan Castro

n. 1979 BR BR

Kissyan Castro (Barra do Corda/MA). Poeta e pesquisador maranhense. Formado em Teologia com extensão em línguas clássicas, é professor de grego, servidor público, membro efetivo da Academia Barra-Cordense de Letras e membro correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes

n. 1979-12-23, Maranhão

Perfil
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centauro

a noite do sangue ascende um deus
à palma da mão, e o silêncio ganha peso.

a sombra veste a glândula
e o sexo é um desenho a parafina:
multiplica livros e espoletas.

no molde que acende o barro
vaga um soneto de barro,

espaço onde cresce o homem de novembro
com seus animais revolucionários.
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Biografia
Kissyan Castro (Barra do Corda/MA - Brasil, 1979). Poeta e pesquisador maranhense. Formado em Teologia com extensão em línguas clássicas, é professor de grego, servidor público, membro efetivo da Academia Barra-Cordense de Letras e membro correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA. Publicou os seguintes livros: Vau do Jaboque (CBJE, 2005), Bodas de Pedra (Chiado Editora, 2013), Maranhão Sobrinho – Poesia Esparsa (360º, 2015), Rio Conjugal (Ética, 2016), O Estreito de Éden (Penalux, 2017) e Maranhão Sobrinho – O poeta maldito de Atenas (Penalux, 2019). Tem poemas publicados na Amaité Poesias & Cia, Mallarmargens – Revista de poesia & arte contemporânea, Recanto das Letras, Quatetê, Germina, Caqui – Revista Brasileira de Haicai, Literatura & Fechadura e Portal de Poesia Ibero-Americana, Poesia dos Brasis, de Antonio Miranda, todas em formato digital. Participou ainda das antologias “Caleidoscópio” (São Paulo: Andross, 2006), “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos” (Rio de Janeiro: CBJE, 2011), “Os 50 Melhores Sonetos do Ano” (Academia Jacarehyense de Letras, 2012), da “Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea – Além da Terra Além do Céu” (Lisboa: Chiado, 2017) e da antologia Babaçu lâmina - 39 poemas (São Paulo: Patuá, 2019).

Poemas

3

centauro

a noite do sangue ascende um deus
à palma da mão, e o silêncio ganha peso.

a sombra veste a glândula
e o sexo é um desenho a parafina:
multiplica livros e espoletas.

no molde que acende o barro
vaga um soneto de barro,

espaço onde cresce o homem de novembro
com seus animais revolucionários.
190

cabeçalho

há dias em que é difícil carregar o sangue
tanta mobília e nenhum alarido.

 a vida mais parece uma debulha
a inibir o cômputo de pássaros.

 (o chão nos acompanha
como uma matilha aturdida
na garganta

 o cadáver e os passos
sobre a grama depois.)

 o olhar mudo das cifras
arranha a eternidade cotidiana
com sua hierarquia líquida.

 há dias e dias e nenhum deles dura
uma braça, um fluxo, um cigarro.
os búfalos da pele esbarram na noite mínima.
214

faca

cuspo o escrúpulo da manhã
com meu coice de água
a esvair-se dos poros.

 (manhã em manhã tropeça
em minha pedra do existir)

do sangue sobe uma ave
batida de ambição. vocábulo

 : caibro de minha arcada
e rastro do meu pão.

 a pupila perde o gume
: o sol prossegue sol
no poleiro dos pósteros.

 eu – com mãos mínimas –
pleiteio o azul.

 eu – opúsculo de ventos –,
ofídico à Manhã.
228

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