knightofcelestialblue

knightofcelestialblue

n. , Nilopolis, RJ

Perfil
917 Visualizações

Conversa com a rocha

O que há em ti, rocha?
Um composto de minerias,
uma façanha da geologia,
ou um projeto perfeito?

Se eu te delivoro um golpe de espada,
refletes, e com um embalo, repulsas,
minhas pernas e braços em movimento.

Minha lança não te perfuras,
meu martelo não te quebras.
Tu se mantém firme, rocha,
sóbrio, velho e sadio.

Assim como tu são meus pensamentos,
rocha, minério de ferro, hematita.
Por mais que o mundo me abale,
apenas eu mudo sua composição.

Mas, ora, assim diz o ditado:
Que água mole em pedra dura,
tanto bate, até que fura;
e o que não falta nesse mundo é água.

Eles perambulam por aí,
reclamando que o amor é líquido,
mas, ao ver um simples tijolo,
já tratam de retorna-lo ao pó.

Ai! O que seria de mim?
Como minha simples mente formou rocha?
A torrente estava a ponto de afogar-me!

Entretanto, a pressão exercida,
com o intuito de destruir-me,
acabou por me transformar em rocha.

Hoje, protestam contra mim, dizendo:
"Não se pode viver numa bolha."
Mas, eu respondo:
"Não é uma bolha em que vivo, é sobre uma rocha."

Rocha, eu não me importo em ser uma ribanceira,
esta corrente já tentou matar-me!
Que eu sirva, então, como rocha de tropeço,
para que essa corrente, enfim, se acabe.
Ler poema completo

Poemas

2

O Professor Molotov 1/7

O Professor Molotov,
entra na sala com o nariz empinado.
Bufa, respira, da uma boa olhada,
qual aluno eu irei destruir hoje?

O Professor Molotov,
prepara o seu slide.
Bufa, respira, da outra olhada,
essa é só a primeira aula.

Liga o slide.
Geografia!
Que matéria mais linda!

E procede...
cede cede cede...
!O assunto mudou repentinamente!

O Professor Molotov,
quando era pequeno,
mandou o próprio pai,
ir para o inferno.

"Viva!Viva!" Exclama a sala.
"Grande herói de nossa escola!
A ti as maiores honras,
ao inferno também dou a minha alma!"

E sorri o Molotov.
Das almas ele consome,
dos inocentes se alimenta.

Assim,
na primeira aula,
orgulho.
197

Discurso para Nicéia

Aonde está a Púrpura?
Nos dias de hoje não se encontra.
Aonde está Nicéia?
Chorando sobre as fontes dos rios.

Ai!Ai!AI!
Dói meu coração ao saber,
que a nobreza no mundo morta está,
junto a tantas outras virtudes.

Quando o soldado ergue a espada,
é para derramar sangue inocente.
Quando o guarda baixa a lança,
é para salvar os assassinos.

Matam matam e matam!
Ó Nicéia, onde está a beleza dos rios?
Eu ergo minha voz ao olhar,
a profunda dor em teus olhos.

O que pode fazer um bardo como eu?
Na taverna, querem que eu cante,
louvores à bebida e torpezas mais.

O que deve fazer um trovador como eu?
Nos fóruns querem que eu louve,
homens que oprimem o povo.

Ai de mim, Nicéia, ai de mim!
Olhe os trapos que eu visto!
Teus lábios são doces,
teu sorriso são águas,
mas persisto no erro,
mas insisto no pecado.

Quem sou eu? Oh! Quem sou eu?
Para erguer dessas ruínas um templo,
tão forte quanto um grande terremoto,
para o povo poder enfim salvar.

Quem sou eu? Oh! Quem sou eu?
Para dizer, olhem, eu sou púrpura,
sigam esse caminho,
salvem agora suas almas.

Nicéia Nicéia!
Não chores em pranto ardente!
Meu peito queima em fúria,
quando vejo essas lágrimas suas!

Nicéia Nicéia!
Não vires teus olhos!
Não me olhes neste estado,
estado deplorável em que estou.

O mal se ergue,
quando me deito,
mas quando sai o sol,
eu continuo deitado.

Se eu pudesse, oh Nicéia!,
pelo menos ter um pouco de vontade,
não ficaria sobre a relva o dia todo,
enquanto o mundo a minha volta se esvae.

Mas oh! Oh, Nicéia!
Essas vontades dentro de mim me arrastam!
Dia e noite me Arrastam!
UGHHHHHH, oh! Nicéia!

Clamo ao Espírito e ele me puxa!
Mas eu me deixo arrastar!
AAAAGGHHHH!

Será que é verdade, oh Nicéia!,
que o homem não tem salvação?
Nos primórdios eu pelejava contra ele,
aquela coisa imunda!

Minha alma não aceitava,
meu corpo se estremecia!
Eu era o nobre,
abaixo ao pretendente!

Lutar lutar, erguer a espada!
Rasguem-se minhas vestes,
movam-se as montanhas!
Este grão está prestes a nascer!

Eu caio, eu caio, mas aaaaaaaaaaaagh!
Eu me levanto!
Tragam denovo o estandarte,
sobre minha cabeça só existe um!

Como um gafanhoto,
eu consumo os frutos da minha coleita!
Como um louco,
eu semeio até mesmo no inverno!

Ai, Nicéia, eles me jogam pedras,
dizem que Deus largou esse mundo,
dizem que lutar contra o mal é juntar poeira.

Miserável homem que sou!
Como ainda não engoli a terra?
Como ainda não deitei o pó sobre minha cabeça?

Me acalme, agora, Nicéia,
respingue sobre mim,
água pura.
195

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.