Teu nome
Teu nome é para mim como uma prece
Chamo-o com uma adoração louca Quando digo, sinto o que me parece Uma carícia ao sair da minha boca
Posto que tu és como Deus
Teu nome não se fala em vão
Apenas sussurrado entre os lábios teus,
Um segredo guardado em meu coração.
À noite um suspiro tremulou no peito meu
Quando o disse em meu sonho – isto só eu sei.
Não me olhes assim... que culpa tenho eu?
Culpado é quem te deu esse nome de rei!
Teu nome que já foi meu mantra sagrado,
Mantive-o em segredo por amor
É o sinônimo de um sonho despedaçado...
Hoje só de ouvi-lo sinto uma pontada de dor!
Lacrimosa
Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti, Deve ser... Tu escolheste desse jeito Quanto a mim? Morro em silêncio Minha boca sufoca os gritos do meu peito. Luto contra meu instinto natural Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?) Mas se te vejo aqui na minha frente, Exaure-se em mim toda a vontade de lutar! As vozes da ópera cantam sobre algo trágico... E nossa tragédia está aqui, querido: Embebedar-se em doce ilusão, Morrer de amor sem dele ter vivido! Por quanto tempo viveremos assim? Sempre que me aproximo, acabo ferida. Mas aceitaria novamente outra chance Nem que esta custasse minha própria vida!
O ramo de flores
Lembras-te ainda aquele dia...
Em que tu trouxeste para mim
Um lindo ramo de crisântemos
Unidos por uma fita de cetim?
E eram tão coloridos e alegres...
Os cor-de-rosa eram teus lábios perfumados
Os brancos eram tua pele macia
E os amarelos, teus cabelos dourados. Eu era leiga nos assuntos do coração
Tão jovem e apaixonada por ti
Aceitei-os de bom grado, Naquele tempo não percebi O quanto o ramo se parecia
Com aquele amor maldito O buquê não passava de flores mortas
Todas juntas num arranjo bonito.
O pássaro
costumava ouvir cantar um pássaro
de melodia que embora dolorosa,
pousava triunfante em meu papel.
mas lhe arrancaram uma fibra nervosa
agora já de voz rouca
não mais em minha boca
vem derramar seu mel.
voz cansada, canção fraca...adoeceu talvez
eu o vi padecer dia após dia
até que de minha folha voou
hoje raramente me lembro de sua melodia.
o que aconteceu, amigo?
o que houve contigo?
acaso a fonte onde bebias secou?