Larissa Rocha

Larissa Rocha

n. 1995 BR BR

"Cantando a vida, como o cisne a morte". (Bocage)

n. 1995-05-08, Bahia

Perfil
62 007 Visualizações

Morrer

Tenho no corpo jovem

a beleza que Afrodite me deu

mas pra quê servem encantos

se minha alma já morreu?



juventude, força, vitalidade...

para mim de nada valerão!

já que neste peito necrosado

há muito não bate um coração.



deixarei a dor da existência

suavemente...num só suspiro

pois sem ti a vida é um vazio

e eu não vivo, só respiro.



oh! e minha pobre mãe!

por me ver padecer tão nova

que desgosto ela teria, tão cedo,

em mandar cavar minha cova!
Ler poema completo

Poemas

21

Os versos que te beijam


Eis o que mais me entristece: 
Amo-te tanto e nunca te beijei!
Ainda guardo em meus lábios 
Todos os beijos que não te dei

Por isso ainda te mando versos
Como quem manda beijos
Para que eles te alcancem suaves
E deixem claros meus desejos

Minhas palavras viajam muito
Só para beijar-te a boca
Este é meu único intuito.

São palavras sem muita importância,
Mas aceita estes versos meus
Que te beijam à distância!
989

Volta pra mim


Volta pra mim, amor... Sinto tanta saudade!
Talvez não passe de um sonho intangível 
Mas não quero viver nessa realidade
Sem ti, viver já se tornou impossível!

Se ainda resta algo do nosso amor
Volta... Não consigo te esquecer.
Ainda te amo... Volta, por favor!
Tu bem sabes que não quero te perder

Tenho ainda algumas coisas para te falar
Do nosso amor eu nunca desisti,
Essa distancia não pode acabar
Com o amor que sinto por ti

Eu não me acostumo com a tua ausência
Por isso ainda te espero e te procuro
Simplesmente tu és já minha essência 
Só quero fazer parte do teu futuro

Ainda te quero de qualquer jeito
As coisas não precisam ser assim
Sei que nada mais será perfeito
Não importa como, apenas volta pra mim!

1 865

Meu maior martírio


Meu maior martírio é não saber
Quando ou se tu voltarás um dia
É isso que enche minhas noites
De uma insuportável agonia

A angústia que castiga meu peito
É quando a noite chega, mas tu não.
É quando dá a nossa hora
E ela só traz frio e solidão

Perdoa, mas não consigo conter o choro.
As constelações, mal posso esperar para vê-las
Pois meu único consolo é ver
O brilho dos teus olhos na luz das estrelas
.
880

A louca


Desde o dia que te vi partir
Ando feito louca na rua
Vivo quase sem existir
E tudo isso é culpa tua!

Enlouqueci ainda na flor da idade
Sei que não foi tua intenção me magoar
Mas me diz como manter a sanidade 
Se não posso mais te amar?

Ando com a alma atormentada
E ainda escuto tua voz na minha cabeça
Não me deixes aqui abandonada
Se não queres que eu enlouqueça

Passo o dia encolhida pelos cantos
E ouço dizer: “pobrezinha, enlouqueceu!”
Quando os outros me veem aos prantos
Entre soluços a chamar o nome teu

Lagrimas inundam os olhos meus
Quando sozinha na escuridão
Lembro-me do teu último “adeus”
Aquele que me fez perder a razão!
908

Persistência


Luto contra o tempo aliado à distância
Pois o tempo sem ti passa impiedoso
E para tornar tudo mais doloroso
Ainda há tua habitual inconstância

E porque teu amor me é essencial
Prefiro acreditar que tudo vai dar certo 
Que um dia vou te ter por perto
Luto porque te amo de um jeito visceral

Esta luta incansável simplesmente me assusta
Tuas palavras me deixam hesitante
E não acho a luta nem um pouco justa

Luto contra o risco iminente de te perder
Tenho medo de que me esqueças
Pois sei que nunca vou te esquecer.
915

Um minuto


Hoje durante um minuto olhei para ele,
Fazia tanto tempo que não o via...
Muito tempo, não encontrava aqueles olhos
Relembrei o jeito que ele falava e sorria

Lembrei-me quando ele passava por mim de manhã
E me mandava aquele sorriso sempre educado
Então depois levava ao chão o olhar tímido
Toda vez que passava ao meu lado.

E nunca escrevi para ele, que pecado!
Mas sempre que ele passava
Eu me perguntava se ele percebia
Que o meu coração frágil disparava.

E hoje, durante um minuto olhei para ele
De um jeito quase obsessivo, mas ele não percebeu
Sua boca se contorcia num sorriso divertido
Eu vi o seu sorriso, mas ele não viu o meu.
1 010

Obituário



Causa da morte: Melancolia profunda

Devido a um grave trauma de amor

Congelando todo sangue que o coração inunda

Levando embora tudo, exceto a dor!



Assim quero escrito em meu papel de morte:

Que por amor fui tirada da vida

Até me foi negada a sorte

De um beijo de despedida.



Preparem os documentos de antemão

Pois faz tempo que só o corpo me restou

Primeiro foi-se a calma, o riso e então,

Por fim a alma me abandonou...



Quando te vi, tive como certeza,

Desde aquele dia enlouqueci

E não pude mais enxergar com clareza...

Data da morte: dia em que te conheci !
913

Teu nome





Teu nome é para mim como uma prece

Chamo-o com uma adoração louca

Quando digo, sinto o que me parece

Uma carícia ao sair da minha boca



Posto que tu és como Deus

Teu nome não se fala em vão

Apenas sussurrado entre os lábios teus,

Um segredo guardado em meu coração.



À noite um suspiro tremulou no peito meu

Quando o disse em meu sonho – isto só eu sei.

Não me olhes assim... que culpa tenho eu?

Culpado é quem te deu esse nome de rei!



Teu nome que já foi meu mantra sagrado,

Mantive-o em segredo por amor

É o sinônimo de um sonho despedaçado...

Hoje só de ouvi-lo sinto uma pontada de dor!




978

Lacrimosa



Se for pra ser assim, que seja o melhor pra ti,

Deve ser... Tu escolheste desse jeito

Quanto a mim? Morro em silêncio

Minha boca sufoca os gritos do meu peito.



Luto contra meu instinto natural

Não quero voltar a ver-te (a quem tento enganar?)

Mas se te vejo aqui na minha frente,

Exaure-se em mim toda a vontade de lutar!



As vozes da ópera cantam sobre algo trágico...

E nossa tragédia está aqui, querido:

Embebedar-se em doce ilusão,

Morrer de amor sem dele ter vivido!



Por quanto tempo viveremos assim?

Sempre que me aproximo, acabo ferida.

Mas aceitaria novamente outra chance

Nem que esta custasse minha própria vida! 

889

O ramo de flores

Lembras-te ainda aquele dia...

Em que tu trouxeste para mim

Um lindo ramo de crisântemos

Unidos por uma fita de cetim?



E eram tão coloridos e alegres...

Os cor-de-rosa eram teus lábios perfumados

Os brancos eram tua pele macia

E os amarelos, teus cabelos dourados.



Eu era leiga nos assuntos do coração

Tão jovem e apaixonada por ti

Aceitei-os de bom grado,

Naquele tempo não percebi



O quanto o ramo se parecia

Com aquele amor maldito

O buquê não passava de flores mortas

Todas juntas num arranjo bonito.
898

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Darlan Torres

Que profundo! É verdade, sem amor de nada vale tudo.

miguel_damas

Oh Larissa, meu Deus, não acredito que tu tens um gosto pelo Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, esse poeta maravilhosamente corajoso, livre... Sou novo aqui, claro...tenho 4 dias nem isso e dei de caras logo contigo, uma linda senhora de ocolos tão elegante a gostar do Bocage. UM ABRAÇO DE PORTUGAL :D ESPERO QUE AINDA ESTEJA POR AQUI...

Janio Lima

Muito bela realmente!