Lavínia Mendes

Lavínia Mendes

n. 1997 BR BR

Escritora, artista, revisora e educadora.De Utinga - Bahia, residente em Aparecida de Goiânia - Goiás (Brasil).Licenciada em História/IFG.Especialista em Uso Educacional da Internet/UFLA.Mestranda em Ensino-Aprendizagem em Geografia/UFG.

n. 1997-04-23, Utinga - Bahia

Perfil
62 140 Visualizações

Dois risos-rios-sóis

Do meu rio escorre o teu ritmo
Ritmo da límpida água
Água que abriga tuas pedras


Esbarro na areia do teu fundo
Fundo sensivelmente molhado
Molhado graças ao meu sísmico rio


Nascente no nordestino sertão
Sertão que resolveu desembocar
Desembocar no teu cerrado

Primeiro poema do livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera, em 2023.
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Biografia
Lavínia Mendes, nascida em Utinga-BA no ano de 1997, reside em Aparecida de Goiânia-GO, é mulher cisgênero, negra, lésbica e periférica.
Licenciou-se em História pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) e cursou especialização em Uso Educacional da Internet pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Compõe Conselho Fiscal da Colettiva Preta, Pretas de Angola e coordena Cria Gueto Cria (iniciativa voltada para divulgar literatura produzida por escritoras negras).
Atua como escritora, artista, revisora e educadora.
Publicou os livros poéticos:

-> “Rascunhos de minh’alma” (Editora Feminas, 2021), vencedor do Prêmio Dandaras de Literatura;
-> “Sexualidade à flor da língua” (Editora Pedregulho, 2022);
-> “Riacho me chama de chão” (Editora Arpillera, 2023);
-> “Fruta mordida, perfume da mata” (2023), vencedor do II Prêmio Variações LGBTQIA.

Escrita é respiro.

Contatos: IG @myliveblack, linkedin Lavínia Mendes e e-mail [email protected]

Poemas

17

Sem título

pele-fogo num escape
surgido d’um descuido
um arranhão
estômago preso
em bolhas soltas
visão-distância-coração
as grades nos cercavam
as placas rugiam: perigo
amor de preto no branco
aceito: um padrão

Poema em parceria de Lavínia Mendes e Hang Ferrero
3 378

Atlântica nunca mais

Referência: MENDES, Lavínia. Poema Atlântica nunca mais. Rascunhos de minh'alma. 1 ed. São Paulo: Editora Feminas, 2021.

A Atlântica do litoral dá adeus
Primeiro o Pau-Brasil
Depois a cana e o café
É o que conta a narrativa tradicional

O desmatamento em massa
Foi acompanhado pela escravidão brutal
Fauna, flora e humanidade
Nas mãos do homem branco.
3 385

Bahia

De Santo Amaro Bethânia
Rara como orquídea pingo de ouro
A Bahia de Caetano
Ninguém ensinou a esquecer
Na paisagem de Gal Costa
As estrelas vulgares acalmam
Segue no ritmo de Bell Marques
Onde já se viu axé com uma guitarra daquelas
Num samba de roda com Mariene de Castro
Toda confusão se harmoniza com o agogô
A árvore da qual fala Edson Gomes
Tem raízes rastafári em memória de Bob Marley
É de arrepiar a negritude de Gilberto Gil
Na folia ao som da Patuscada de Gandhi
Minha memória revive Raul Seixas
Na resistência necessária nos tempos passados
E escutando Luedji Luna...
Desejo tomar um banho de folhas
Saudades da brisa da Bahia
Do azul do céu casando com o do mar
Daquela mistura insana
Seca selvagem ao lado do litoral
Esse vendaval de lembranças me bagunça.

Referência: MENDES, Lavínia. Poema Bahia. Rascunhos de minh'alma. 1 Ed. São Paulo: Editora Feminas, 2021.
3 423

Ser gente-mulher

Semente

Coisa de pele
Calor
Calor de pele

Coisa de pele
Pêlo
Pêlo calor de pele

Pelo calor de pele!

Semente

Referência: Livro Riacho me chama de chão. Bahia: Editora Arpillera, 2023.
3 382

Dois risos-rios-sóis

Do meu rio escorre o teu ritmo
Ritmo da límpida água
Água que abriga tuas pedras


Esbarro na areia do teu fundo
Fundo sensivelmente molhado
Molhado graças ao meu sísmico rio


Nascente no nordestino sertão
Sertão que resolveu desembocar
Desembocar no teu cerrado

Primeiro poema do livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera, em 2023.
3 663

Elas em mim

Publicado no Caderno territorial (2020), no link: http://m.cadernoterritorial.com/news/elas-em-mim-lavinia-de-sousa-almeida-mendes/

Meu corpo moldável
Nas mãos dos olhos das mulheres
Em profundidade me alcançam
Deitam sobre a minha vida-pele 

Todas com suas singularidades
Não acompanho cada dedo
Infinitos particulares
Em digitais desesperadas

Areia movediça de sangue
Beijam o piso de casa
Gritam nas esquinas
Escorre medo pelos esgotos

Por outro lado,

Chuviscos de prazer e gozo
Belezas e desafios múltiplos
Não determinadas pela natureza
Flutuando em raízes voláteis

Não as conheço
Mas me entrego
Não as conheço
Mas elas estão em mim.
3 436

Negritude

Publicado na Revista Inversos, Volume 4, Número 11, Feira de Santana – BA, 2020.

A escuridão do meu passado
A negridão do meu corpo
O vermelho do sangue
O imprevisível da revolta
O desejo incontrolável pela liberdade

Sinto-me em devaneio
A minha emoção se dispersa
Toda minha carne treme
Numa paixão vibrante
Por todo preto que há em mim

As raízes cobriram minha pele
Esvoaçaram meus cabelos crespos
Escureceram a minha mente
Encorajaram as minhas palavras
Impulsionaram o meu grito

Surpreendi-me!
Beijou-me a negritude
Doravante, enfureci-me
Tamanha ousadia...
Porém, não recusei

É o meu (re)descobrimento
Renasço pelas fissuras
Reencontro o meu Eu
(Falsa)Eternamente assassinado
Inteira, aceito o beijo.
3 455

Comentários (3)

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Lavínia Mendes

Muito obrigada, Anna Flávia

Lavínia Mendes

Imensamente grata pela leitura e pelo comentário. Um abraço.

Meus sinceros parabens pelos teus escritos...são divinos.