Lavínia Mendes

Lavínia Mendes

n. 1997 BR BR

Escritora, artista, revisora e educadora.De Utinga - Bahia, residente em Aparecida de Goiânia - Goiás (Brasil).Licenciada em História/IFG.Especialista em Uso Educacional da Internet/UFLA.Mestranda em Ensino-Aprendizagem em Geografia/UFG.

n. 1997-04-23, Utinga - Bahia

Perfil
62 134 Visualizações

Veias de vinhos

Referência: MENDES, Lavínia. Poema Veias de vinhos. Livro Sexualidade à flor da língua. ES: Pedregulho, 2022.

No encosto ouvi o pulsar
Batendo em meus ouvidos
No meu sino a sina do badalar

Encaixe como arte
Deitei no peito da poesia
Despi-me em disparate

Descompasso peço
À preta que me pega
Pago o preço

No passo apressado
Ameaço sair,
Mas me embaraço
Me amasso
Mordo
Me amarro
Morro
Naquele afago
Me afogo

Na lareira lascas
De lenha farpada
E as brasas reluziram

A própria poesia
Se tornou poetiza
Proteína do sentido

Poesia preta em largas passas
Traçando e trançando
Veias de vinhos velhos

Toda essencial
Inteira em transe
Tudo no meu corpo

Toda no meu todo.
Ler poema completo
Biografia
Lavínia Mendes, nascida em Utinga-BA no ano de 1997, reside em Aparecida de Goiânia-GO, é mulher cisgênero, negra, lésbica e periférica.
Licenciou-se em História pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) e cursou especialização em Uso Educacional da Internet pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Compõe Conselho Fiscal da Colettiva Preta, Pretas de Angola e coordena Cria Gueto Cria (iniciativa voltada para divulgar literatura produzida por escritoras negras).
Atua como escritora, artista, revisora e educadora.
Publicou os livros poéticos:

-> “Rascunhos de minh’alma” (Editora Feminas, 2021), vencedor do Prêmio Dandaras de Literatura;
-> “Sexualidade à flor da língua” (Editora Pedregulho, 2022);
-> “Riacho me chama de chão” (Editora Arpillera, 2023);
-> “Fruta mordida, perfume da mata” (2023), vencedor do II Prêmio Variações LGBTQIA.

Escrita é respiro.

Contatos: IG @myliveblack, linkedin Lavínia Mendes e e-mail [email protected]

Poemas

3

Nosso filme

Assistir um filme
Até o final
Esse era nosso desafio

A narrativa se iniciava
E ficar quieta
Parecia inviável

Ela imóvel, de costas
E eu abraçando-a
Num encaixe quente

Sem que completasse 5 minutos
As lentes já se voltavam
Para o nosso show

O cenário era qualquer quarto
Seguro de possíveis violências
Longe de observação alheia

Referência: MENDES, Lavínia. Poema Nosso filme. Livro Sexualidade à flor da língua. ES: Pedregulho, 2022.

169

Encontrei-me, movediça

MENDES, Lavínia. Livro Fruta mordida, perfume da mata. Editora Folheando, 2023



vem cá, cunhã 
meu verde hortelã
é, puro afã
investigo, a fim


pescoço, perfume de alecrim
tempo chuvoso, nada ruim
um beijo, por fim
pinga aqui e lá fora


no pé de amora
que as mãos dela implora
sensibilidade aflora
mordeu a minha maçã.
1 929

Sozinha na cama

Entremeio dos seios
Despertador: seu cheiro
Do pescoço
Descendo
Até o meio das pernas

Meu lençol pede renovação
Do aroma de pele leve
Da marca doce espaçosa
Da fluidez de cachoeira
Água límpida.

Referência: MENDES, Lavínia. Livro Fruta mordida, perfume da mata. Poema Hippocampus reidi. Rio Branco - Belém: Editora Folheando, 2023.
1 745

Comentários (3)

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Lavínia Mendes

Muito obrigada, Anna Flávia

Lavínia Mendes

Imensamente grata pela leitura e pelo comentário. Um abraço.

Meus sinceros parabens pelos teus escritos...são divinos.