Também soltei meu barco na enxurrada E fiquei olhando sumir Também soltei minhas correntes
Já senti muita dor, Não quero mais. Será que você não entende? Não quero jogar. Quero ser, Porque a vida é.
Quer ser comigo? Liberte-se da ilusão de controle Dos falsos poderes Dos pequenos orgulhos diários Liberte-se e venha. Estarei aqui Com os cabelos perfumados à sua espera.
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Louca, não sou
Louca, não sou Tão pouco sou normal As fronteiras não existem nas raias de um ser inteiro
Loucura é ser pela metade Ser humano parcial Guardar amores e segredos Nesses cofres virtuais
Eu sou toda Ou não sou Até minhas reservas e medos São públicos O que escondo me revela
Aí minha insanidade: Não renegar a loucura Aceitar no corpo todo Minha alma desigual
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Pra chamar sua atenção
Pra chamar sua atenção Fiz coisas bobas Coisas boas Outras nem tanto
Pequenas brincadeiras Grandes bobagens
Mas desta vez Exagerei Extrapolei Passei dos limites
E a verdade É que quis que você visse Que você soubesse Que você sentisse
E a verdade É que só quis Mais uma vez Chamar sua atenção
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A cada dia me surpreendo
A cada dia me surpreendo Com minha capacidade de errar E tenho medo Percebo que não me conheço Que nunca me acostumo comigo
Minha casa é nômade Meus vizinhos são outros A cada dia Meus caminhos móveis Só me levam a Roma E eu tomo sempre a estrada errada
Ainda que eu corra Sempre que penso estar fugindo É quando mais me aproximo A cada dia mais perdida neste labirinto De paredes fluidas De emoções concretas E me assusto
Nunca me acostumo comigo Com minha determinação absoluta De me contrariar
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Busca
Tenho procurado um poema que me sirva Que me descreva Que me retrate
Mas, nesse momento Nenhum poema me define Nenhum é tão vago, tão vazio Como é meu coração agora Nenhum tão sozinho Tão oco de paixão Nem tão sedento.
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Sua
Sua. Sim. Do jeito que você quiser Com as condições que você impuser A qualquer hora
Sua. Amante, passatempo, distração A transa de uma noite Mas sua. Acaso, acidente, descontrole Bebedeira, fim-de-noite
Não te quero pra sempre Bocejo, remela, insônia
Só quero, assim, de repente, Ser Sua, sua, sua, sua...
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Sei que não sou a garota do poema
Sei que não sou a garota do poema Mas me deixe sonhar um pouco.
Sei que não sou a menina dos teus olhos Mas gosto de pensar que sou
Sei que não são minhas as pernas que povoaram teus sonhos Mas... Que importa?
Ter suas palavras escritas é como ter sua cabeça numa bandeja de prata: Posso fazer delas o que eu quiser. E faço. Torço suas palavras Dou a elas significados secretos Possuo tuas palavras Saboreio meu poder Eu, Salomé, filha de Heródias. Te possuo desta forma E você não pode fazer nada Não pode fazer nada Tua cabeça no papel branco E eu beijo Finalmente beijo a tua boca Mordo tuas palavras E agora? Agora, você não pode fazer nada. Eu possuo tua cabeça E você não pode fazer absolutamente nada.
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Pontal
Ruínas do pontal De Atafona Minhas ruínas
Sonhos Que o mar, sem piedade Corroi Desmantela Açoita Destroi E leva
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!